O que David Cubillan pode oferecer ao Flamengo?

Luís Araújo

Entre as novidades que já estão sendo apresentadas para a próxima temporada do basquete brasileiro, talvez a que mais chame a atenção atenda pelo nome de David Cubillan. O armador venezuelano de 29 anos foi confirmado como novo jogador do Flamengo, que viu sua sequência de quatro títulos nacionais consecutivos cair nas quartas de final do último NBB, diante do Pinheiros.

Trata-se de um dos jogadores que representam um momento mais do que especial na história do basquete venezuelano. Cubillan fez parte da conquista da Copa América de 2015 e também representou a seleção do seu país na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Foi usado a partir do banco de reservas em ambas as competições.

Antes de chegar ao Flamengo, ele estava defendendo o Trotamundos na liga venezuelana. As médias no campeonato nacional foram de 13,0 pontos, 7,7 assistências e 2,5 rebotes em cerca de 29 minutos por partida, acertando 39,1% das bolas de três e com desempenho de 44,7% nos arremessos em geral. A trajetória profissional inclui também passagens por México e Israel, onde jogou pelo Maccabi Haifa, que o levou a disputar três partidas da pré-temporada da NBA em 2013 — contra Phoenix Suns, Detroit Pistons e Memphis Grizzlies. Nestes jogos, registrou 16,0 pontos e 2,5 assistências em pouco mais de 38 minutos de média, além de um aproveitamento de 58% nas bolas de três.

Essa trajetória profissional começou depois dos quatro anos que passou na Universidade de Marquette, onde chegou a atuar ao lado de Jimmy Butler. O histórico destas quatro temporadas na NCAA aponta médias de 4,9 pontos e 1,7 assistências por jogo, com aproveitamento de 38,4% nas bolas de três, 39,3% nos chutes em geral e 75,5% nos lances livres. Mas se for considerar só a última, na qual teve espaço muito maior dentro da equipe, esses números sobem para 6,8 pontos e 2,7 assistências em aproximadamente 31 minutos por duelo, com 41,2% nas bolas de três, 45,8% nos arremessos em geral e 75% nos lances livres.

O arremesso, aliás, é considerado uma característica bem forte no arsenal ofensivo de Cubillan, tanto de três pontos como de média distância. Os chutes dele podem sair tanto em situações de “catch and shoot” (em que o jogador arremessa logo após receber o passe) como a partir do drible. Isso pode ser interessante para o uso dele sem a bola nas mãos. Por mais que o venezuelano seja usado no começo das partidas como armador, faz sentido imaginar que José Neto teste formações que o coloquem ao lado de Arthur Pecos, outro armador recém-chegado e que tem um perfil mais como organizador do que pontuador.

Quanto mais Cubillan conseguir render sem a bola, melhor para o Flamengo em termos de variação do elenco nos jogos da próxima temporada. Mas o venezuelano parece mais à vontade mesmo quando a tem nas mãos, com liberdade para tomar decisões sobre como definir os ataques. Além dos arremessos, ele tem como características marcantes a agilidade e explosão, que usa muito bem para agredir as defesas e buscar as infiltrações, o que costuma abrir espaços para os companheiros e ele próprio definirem em melhor condição.

O que joga contra Cubillan é a altura: 1,82m, o que pode ser considerado bastante baixo para os padrões internacionais. Para o NBB, não é uma estatura tão menor assim do que a maior parte dos jogadores da posição. Restaria saber como isso ficaria se ele tivesse de atuar ao lado de um outro armador, principalmente na hora de marcar. Mas o próprio Arthur Pecos carrega uma experiência bem sucedida neste sentido. Afinal de contas, na surpreendente campanha que o levou ao vice-campeonato na última temporada, o Paulistano usou muitas vezes até três armadores ao mesmo em quadra, que se sustentou tanto no ataque como na defesa.

Além de todo o perigo que pode causar no ataque com sua combinação de velocidade e habilidade para finalizar, Cubillan consegue usar essa agilidade para colocar pressão na bola na defesa. Mas não é só isso. As qualidades fora das quatro linhas também parecem bem interessantes. Certa vez, Danny Hurley, técnico dele no colegial dos EUA, em St. Bennedict, o classificou da seguinte maneira: “Durante os quase três anos em que permaneceu conosco, ele nos trouxe um alto nível de talento, ética de trabalho e caráter. É o garoto mais competitivo com quem já trabalhei e que tem um foco bem claro na cabeça: ganhar jogos”.

A declaração é de 2006, antes dos quatro anos em Marquette e de toda a trajetória profissional que foi construída em seguida. Faz tempo demais. Muita coisa pode mudar em mais de uma década. Mas características assim são bem mais difíceis de desaparecerem.

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