O que mais chamou a atenção no Draft de 2017

Luís Araújo

Sixers, o novo queridinho da NBA

Esse é um ponto tão óbvio que já foi comentado por aqui antes mesmo de acontecer.

Para a surpresa de absolutamente ninguém, o Sixers usou a primeira escolha para selecionar o armador de Washington que muita gente vinha colocando há tempos como o mais talentoso jogador desta safra. Então o que já se imaginava tornou-se mesmo realidade: depois de apanhar feio várias vezes e colecionar derrotas atrás de derrotas nas últimas temporadas, esse time está recheado de talentos e enfim se colocou em condição de pensar em coisas realmente grandes para os próximos anos.

“Fultz é tão versátil e tão habilidoso para pontuar”, elogiou Brett Brown, técnico do Sixers. “Quando você olha para as características físicas dele, você sonha com o que pode ser feito também defensivamente. Ele é um ótimo atleta e tem um ótimo caráter. A chance de ele jogar na defesa tão bem como joga no ataque é real. Sinto que trata-se de um complemento perfeito para o Ben e para o Joel, especialmente. Estamos muito animados com ele.”

Além de Fultz ter trocentas características boas e poder se encaixar tranquilamente ao lado de Ben Simmons (algo que foi dito com um pouco mais de profundidade neste texto sobre a troca com o Boston Celtics), há ainda Joel Embiid, que já seu sinais de que pode se tornar especial, e Dario Saric, que teve uma temporada de calouro boa demais e com desenvolvimento constante.

A questão médica merece cuidados. Resta saber se Simmons e, principalmente, Embiid serão capazes de deixar as lesões totalmente para trás e conseguir entrar em quadra com regularidade a partir da próxima temporada. Se isso acontecer mesmo, haverá muitos motivos para animação. Toda aquela empolgação que tomou conta do Minnesota Timberwolves a partir do acúmulo de alguns bons valores jovens e dos sinais de brilho de Karl-Anthony Towns aparecerá em volta do Sixers a partir de agora. Ou até mais.

“Ele é tão versátil e tão habilidoso para pontuar”, elogiou Brett Brown, técnico do Sixers. “Quando você olha para as características físicas dele, você sonha com o que pode ser feito também defensivamente. Ele é um ótimo atleta e tem um ótimo caráter. A chance de ele jogar na defesa tão bem como joga no ataque é real. Sinto que trata-se de um complemento perfeito para o Ben e para o Joel, especialmente. Estamos muito animados com ele.”

“Muita coisa da estrutura da equipe será responsabilidade minha. Eu terei de trabalhar para encontrar os lugares certos para eles em quadra. Mas seria um erro pensar demais em como dividir a bola. Acho que será mais questão de sentir como as coisas fluem no jogo. Teremos de aprender muita coisa sobre eles, já que nunca jogaram juntos. Mas eles são tão altruístas e habilidosos que me fazem pensar que a transição será fácil”, comentou Brown.

O pai de Lonzo Ball já começou

A segunda escolha não foi também uma surpresa de outro mundo, mas havia ainda quem imaginava o Los Angeles Lakers optando por Josh Jackson. Não foi o que aconteceu. Foi Lonzo Ball mesmo o selecionado, para a alegria dele, do pai e de toda a família. Foi um sonho realizado mesmo para todo mundo ali.

O novo gerente geral do Lakers, Rob Pelinka, classificou Ball como um “talento transcendente” e comparou as habilidades de passe dele com as de Tom Brady e Aaron Rodgers, dois dos quarterbacks mais talentosos da história da NFL. Em sua primeira entrevista depois de ser escolhido, o armador disse que estava animado especialmente com a possibilidade de trabalhar todos os dias com Magic Johnson. Disse que era uma oportunidade única de aprendizado.

Tudo muito legal até aí. O problema foi que dali a alguns segundos foi a vez de LaVar Ball ser entrevistado, e o pai do garoto não demorou para jogar o primeiro peso enorme e completamente desnecessário em cima das costas do filho ao dizer que ele irá comandar o Lakers aos playoffs já no primeiro ano de profissional.

Esse tipo de arrogância foi uma coisa totalmente contrária à simplicidade e ao sensação de gratidão que Lonzo havia demonstrado instantes antes ao falar sobre Magic e o Lakers. Não demorou muito para que começasse a aparecer algo que já dava mesmo para imaginar que fosse acontecer se LaVar mantivesse a postura dos últimos meses: o filho passou atrair antipatia por causa do pai.

Enquanto LaVar falava na TV, Ben Simmons comentou “crazy pills” no Twitter. Joel Embiid respondeu com um pedido singelo: para que o companheiro dê uma enterrada tão forte em cima de Lonzo que faça o pai precisar entrar em quadra para socorrê-lo.

Jayson Tatum x Josh Jackson

Quando se pronunciou para explicar a troca que mandou a primeira escolha para o Philadelphia 76ers, Danny Ainge disse que continuaria sendo capaz de selecionar quem desejava na terceira posição e que tinha dois nomes em mente. Ou houve uma mudança de opinião de última hora, ou havia mesmo uma inclinação por Jayson Tatum ao invés de Josh Jackson.

Em meio às diversas análises de especialistas que companharam de perto a safra de 2017 por algum tempo, não é nem um pouco difícil encontrar elogios a Jackson. Há até quem o considere com potencial para virar um dia uma grande estrela na NBA, principalmente se virar um arremessador consistente. O Celtics preferiu Tatum, e tudo bem também. Só teremos certeza sobre o resultado desta decisão daqui a uns anos, mas dá para dizer que, neste momento, não chega a ser um absurdo a escolha pelo ala de Duke. Longe disso.

Trata-se de um pontuador nato que vai, sim, precisar passar por alguns ajustes para se adequar ao esquema de Brad Stevens, mas dá para imaginá-lo tranquilamente dividindo a quadra com Isaiah Thomas. Existe talento demais ali, indiscutivelmente, e um potencial bem animador para um garoto de apenas 19 anos. As chances de funcionar são boas. Isso se ele ficar mesmo, né? Enquanto houver chance de um pacote do Celtics por Paul George, existirá chance de ele ser envolvido.

Para o Suns, ver Jackson sobrar e poder selecioná-lo é motivo para dar pulos de alegria. O Lakers gostou do que viu nele. O Celtics não só poderia ter optado por ele como foi alvo do interesse de times dispostos a subir no Draft justamente para pegar Jackson. Era difícil imaginá-lo ainda disponível na quarta posição. Mas isso aconteceu, e o ala de Kansas tem tudo para ser um excelente encaixe ao lado de Devin Booker.

Motivação para isso não vai faltar, aparentemente. Jackson está doido para mostrar para os times que o deixaram passar o quanto eles erraram.

Dá para elogiar o Kings!

Não tem sido fácil deixar de criticar esse time ao longo dos últimos dez anos, mas dá para dizer que foi feito um trabalho muito bom na noite do Draft. É claro que é impossível prever o futuro e que só teremos a clareza do que esses jogadores todos serão na NBA daqui a alguns anos. Mas as movimentações de Vlade Divac e companhia fizeram muito sentido no campo da teoria. Todas parecem acertadas e bem sacadas.

A começar por De’Aaron Fox. O Kings precisava de talento e de armador. Usar essa quinta escolha para recrutar alguém que unisse as duas necessidades parecia o cenário ideal e foi o que aconteceu mesmo. Pode ser que o jovem produto de Kentucky seja um fiasco e entre para a lista das maiores enganações da história recente do Draft? Claro, esse risco sempre existe. Vai saber. Mas o fato é que ele entrou na noite deste Draft carregando uma lista enorme de qualidades que o transformam em alguém com enorme potencial nos dois lados da quadra. Seria um erro deixá-lo passar.

O Kings também tinha a décima escolha, mas resolveu mandá-la ao Portland Trail Blazers em troca de outras duas na região das 20 primeiras: a 15ª e a 20ª, que viraram Justin Jackson e Harry Giles, respectivamente. Jackson é um ala considerado inteligente, que faz muitas coisas bem feitas e que deu indícios de que pode se tornar um bom arremessador, mas que é limitado do ponto de vista atlético. Não parece ser nada de outro mundo, mas parece ser uma opção mais segura e que pode contribuir de imediato. Já Giles é um ala-pivô talentoso que caiu bastante no Draft por causa de uma lesão séria no joelho. É um risco, mas vale a aposta. Principalmente para quem já teve outras duas escolhas de primeira rodada e que usou a 15ª para uma opção mais conservadora.

Malik Monk em Charlotte

Foi uma situação que lembrou mais ou menos o que aconteceu com Justise Winslow no Draft de 2015. Bastante elogiado antes do evento, o hoje ala do Miami Heat sobrou até a décima posição e passou a impressão de que poderia ter sido chamado antes. Dois anos depois, essa mesma sensação apareceu com Malik Monk. Melhor para o Charlotte Hornets, que teve a chance de escolher na 11ª posição um jogador explosivo e com potencial para se transformar em um ótimo pontuador na NBA, podendo jogar por alguns minutos no lugar de Kemba Walker ou mesmo ao lado dele.

O Warriors deu um jeito de vencer de novo

Não bastava ter sido campeão de forma tão dominante há alguns dias. O Warriors precisava também mostrar competência no Draft, mesmo começando o evento sem nenhuma escolha. Mas aí a franquia resolveu enviar US$ 3,5 milhões ao Chicago Bulls (o máximo permitido pela NBA para o que aparece nas negociações como “considerações financeiras”) para ter Jordan Bell, ala-pivô selecionado na 38ª posição.

Bell é mais um exemplo de jogador que acabou caindo no Draft mais do que se imaginava. Trata-se de um jogador de garrafão considerado baixo em relação a outros jogadores da posição e que tem limitações ofensivas, mas que tem ferramentas necessárias para se dar muito bem na NBA defensivamente — dando tocos, reagindo bem aos “pick and rolls” e trocando a marcação para encarar adversários mais baixos longe da cesta. São características que o credenciam a entrar imediatamente na rotação de Steve Kerr e que evidenciam o enorme acerto do Warriors. Como boa parte do elenco campeão vai ficar sem contrato e será muito difícil renovar com todos eles, adicionar uma peça capaz de integrar o banco é um bom primeiro passo para a construção do grupo de apoio da próxima temporada.

Noite ruim para os brasileiros

Georginho aparecer na segunda rodada da projeção do DraftExpress. Mogi tinha menos chances, mas alimentava o sonho de ser chamado por algum time depois dos treinos todos que fez nas últimas semanas. No fim das contas, nenhum deles foi selecionado. Ainda existe a possibilidade de um convite por fora ou mesmo para a Summer League, mas no Draft não deu.

Além da dupla do Paulistano, um outro brasileiro que terminou a noite do Draft sem motivos para comemorar foi Bruno Caboclo. Isso porque o Toronto Raptors usou a sua escolha de primeira rodada para selecionar OG Anunoby, ala da Universidade de Indiana que apareceu por aqui na segunda parte do especial de apresentações desta safra de calouros. Resumidamente, trata-se de um ala de defesa versátil, que tem braços longos, envergadura notável e velocidade lateral impressionante. Ou seja: mais um concorrente pesado para Caboclo na luta por algum espaço na rotação.

As trocas

Um texto mais profundo será publicado nos próximos dias para tentar entender melhor as motivações por trás do negócio, mas o Chicago Bulls aceitou enviar Jimmy Butler e a 16ª escolha do Draft para o Minnesota Timberwolves em troca de Kris Dunn, Zach LaVine e a sétima escolha.

Em outras palavras: o Bulls se desfez de um jogador que foi três vezes para o “All-Star Game”, campeão olímpico e que só melhorou ao longo dos últimos anos. Em troca, recebeu um armador de 23 anos que não teve uma boa temporada novato, um ala-armador que passou por uma lesão séria no joelho e que será agente livre em julho de 2018 e uma escolha de Draft que virou Lauri Markannen, um grandalhão de ótimo arremesso de longa distância e que de fato pode se tornar um jogador útil na NBA, mas que não apresenta muitas outras qualidades evidentes. E como se não fosse o bastante, uma outra escolha de primeira rodada foi enviada para Minnesota.

Melhor para o Timberwolves, que não só manteve-se em condição de adicionar uma peça jovem que pode ser útil ao elenco nas próximas temporadas e, principalmente, coloca um dos melhores jogadores da NBA nos dias de hoje ao lado de Karl-Anthony Towns, Andrew Wiggins e Ricky Rubio. Se já havia motivos para acompanhar esse time e manter a empolgação para o que pode aparecer no futuro, a animação fica ainda maior com esse reencontro de Butler com Tom Thibodeau. O longo tempo de ausência dos playoffs nunca pareceu tão próximo do fim.

Ainda que o impacto seja imensamente menor, é justo destacar também uma movimentação do Utah Jazz, que pegou uma de suas escolhas de fim de primeira rodada e a mandou junto de Trey Lyles para o Denver Nuggets. Tudo para poder selecionar na 13ª posição Donovan Mitchell, um armador que pode jogar com ou sem a bola nas mãos. Talvez já seja uma alternativa para George Hill ou até Gordon Hayward, que serão agentes livres na virada do mês.

Vale também ressaltar que mais trocas podem acontecer. O Pacers parece ter propostas na mesa por Paul George e terá a chance de escolher qual o melhor caminho a seguir. Outro que corre o risco de se mudar em breve é Kristaps Porzingis. LaMarcus Aldridge e Danny Green podem sair do San Antonio Spurs e já começam a testar o mercado. Isso sem falar nos negócios que já aconteceram, como a ida de D’Angelo Russell para o Brooklyn Nets e a de Dwight Howard ao Charlotte Hornets.

Mesmo sem jogo, a NBA continua pegando fogo. As férias ficam para mais tarde.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

COMPARTILHE