O que os brasileiros que jogaram contra Michael Jordan dizem sobre ele?

Luís Araújo

Michael Jordan completa 55 anos neste 17 de fevereiro de 2018. Há exatos cinco anos, quando ele comemorou meio século de vida, um especial sobre a carreira do eterno camisa 23 do Chicago Bulls foi produzido pelo portal iG. Três brasileiros que chegaram a enfrentá-lo em algum momento — Marcel, Rolando e Guerrinha — dividiram suas impressões sobre aquele que muitos consideram o maior de todos os tempos. O material segue abaixo — com algumas adaptações aqui e ali para deixar as coisas fazendo um pouco mais de sentido cinco anos depois.


Durante a carreira, Michael Jordan quebrou recordes, conquistou títulos em todas as competições que disputou e dominou os rivais que cruzaram seu caminho. Já faz quase 15 anos que ele se despediu definitivamente das quadras e 20 que foi campeão da NBA pela última vez. Mesmo assim, seu nome continua aparecendo de maneira firme e forte quando se discute quem foi o maior jogador de todos os tempos.

O que exatamente o fez se tornar tão especial assim? Três brasileiros que tiveram a oportunidade de enfrentá-lo em algum momento de suas vidas tentam responder essa pergunta. Mas não sem antes se recordarem de como foram esses encontros.

Ex-ala da seleção brasileira, Marcel o encarou em três oportunidades. Duas foram pelo Pan-Americano de 1983, quando Jordan ainda estava no basquete universitário. O outro encontro ocorreu nas Olimpíadas de 1992, época em que o norte-americano já era uma estrela consagrada da NBA.

“Achei chato pra caramba jogar contra ele”, conta Marcel. “Ele saiu de quadra vitorioso todas as vezes. Na última, então, não deu nem graça. É um cara que sempre fez o que quis em quadra, que ninguém nunca conseguiu marcar. Um saco de se jogar contra. Não teve outro igual a ele”, completou.

Outro brasileiro que teve a oportunidade de encarar os dois momentos distintos da carreira de Jordan é o ex-armador Guerrinha, mais um nome em comum entre os convocados da seleção do Pan de 1983 e das Olimpíadas de 1992.

“Neste primeiro duelo, ele não era o grande destaque dos EUA. Havia outros caras naquela equipe, como o Patrick Ewing, que chamavam mais a atenção. Nós jogamos naquele dia e não fazíamos ideia de que ele iria se tornar o jogador que acabou virando”, lembra o ex-jogador, que hoje é técnico do Mogi das Cruzes.

Quem também se surpreendeu com essa evolução de Jordan com o passar dos anos foi Rolando. O ex-pivô disputou as Olimpíadas de 1992, mas esteve perto do norte-americano também em 1989, quando chegou a ter uma passagem pelo Portland Trail Blazers na NBA.

“Ninguém esperava que ele seria tão grande assim”, afirma Rolando, lembrando-se do fato de que Jordan foi apenas a terceira escolha do Draft de 1984, ano em que ingressou na NBA. “Ele tinha muito potencial, mas surpreendeu ao ter virado isso tudo o que virou.”

E por que Michael Jordan se transformou em alguém tão grandioso para o basquete, ao ponto de muita gente considerá-lo o melhor da história?

Para Rolando, a resposta desta pergunta passa pela capacidade de liderança. “O grande jogador tem que ser um líder, e ele era. Era o primeiro a chegar nos treinos e o último a ir embora. Na hora que precisava decidir, ele pegava a bola porque sabia que era ele quem deveria resolver a situação. Alguns caras se escondem, vão para o outro lado da quadra e, se receberem a bola, tentam passar de volta. O Jordan, não. Ele assumiu a responsabilidade. Era esse era o grande diferencial dele”, opina o ex-pivô.

Já Guerrinha destaca a capacidade que Jordan tinha de executar de maneira bem feita todos os fundamentos do jogo. “Ele mesmo dizia que não era quem melhor arremessava e que não era quem mais defendia, mas que sabia fazer tudo da forma correta”, pondera.

O ex-armador ainda recorre ao último lance do craque pelo Chicago Bulls, na final de 1998, para ilustrar seu pensamento. “Ele roubou a bola na defesa, partiu para o ataque, converteu o arremesso e roubou a vitória no jogo que deu o título ao Bulls. Por isso que, na minha opinião, ele é como o Pelé. Jamais vai existir outro igual”, diz.

Alguns dos feitos de Michael Jordan ao longo da carreira:

– Seis vezes campeão da NBA (1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998)
– Seis vezes MVP das finais (1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998)
– Cinco vezes MVP da temporada (1988, 1991, 1992, 1996 e 1998)
– Uma vez eleito o melhor jogador de defesa da NBA (1988)
– 14 participações em All-Star Game (1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996, 1997, 1998, 2002 e 2003)
– Três vezes MVP do All-Star Game (1988, 1996 e 1998)
– Dez vezes cestinha da NBA (1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998)
– Três vezes líder em roubos de bola da NBA (1988, 1990 e 1993)
– Nove vezes eleito para o All-Defensive First Team da NBA (1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998)
– Dez vezes eleito para o All-NBA First Team (1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998)
– Novato do ano em 1985
– Campeão da NCAA em 1982
– Campeão do Pan com a seleção dos EUA em 1983
– Duas vezes campeão olímpico com a seleção dos EUA (1984 e 1992)

Tags: , ,

COMPARTILHE