Prévia da série – Bauru x Macaé

Luís Araújo

(5º) Bauru x Macaé (12º)

Confronto direto na temporada: 2 a 0 para Bauru
Histórico nos playoffs: é a primeira vez que os dois times se cruzam
Curiosidade: Na vez anterior que se classificou para os playoffs, Macaé também entrou em 12º lugar e conseguiu avançar à fase seguinte ao eliminar o Minas, que era comandado por Demétrius Ferracciú, hoje técnico do Bauru


Calendário da série

Jogo 1 – 05/04 (quarta) – 19 horas – Ginásio Juquinha, em Macaé (Facebook Live)
Jogo 2 – 08/04 (sábado) – 14 horas – Ginásio Panela de Pressão, em Bauru – (Band)
Jogo 3 – 10/04 (segunda) – 20h15 – Ginásio Panela de Pressão, em Bauru – (SporTV)
Jogo 4* – data e horário a definir – Ginásio Juquinha, em Macaé
Jogo 5* – data e horário a definir – Ginásio Panela de Pressão, em Bauru
*Se necessário


Alex Garcia ainda é a referência de Bauru dentro de quadra (Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket)

Bauru

Campanha: 18 vitórias e 10 derrotas
Provável time titular: Gegê, Alex Garcia, Léo Meindl, Jefferson e Shilton
Técnico: Demétrius Ferracciú
Como chega aos playoffs: fez um bom segundo turno ao reagir bem à saída de Rafael Hettsheimeir, reforçando a identidade defensiva. Mas algumas derrotas custaram muito caro para um time que buscava um lugar entre os quatro melhores. Perder de Franca e Bauru, que eram concorrentes diretos nesta briga, certamente não ajudou em nada. Mas cair diante do Caxias do Sul deve ter sido o pior resultado de todos, justamente por ter sido o mais surpreendente.

Kendall Anthony foi o cestinha da fase de classificação (Foto: Jessica Santana/Universo-Vitória)

Macaé

Campanha: oito vitórias e 20 derrotas
Provável time titular: Kendall Anthony, Benzor Simmons, Schneider, Erick Camilo e Lupa
Técnico: Léo Costa
Como chega aos playoffs: não tem como o time não chegar empolgado depois de conquistar a vaga nos playoffs na última rodada, ao vencer o Minas, que era concorrente direto, por 34 pontos de diferença. Mas não foi só isso. O Macaé conseguiu ganhar cinco dos últimos sete jogos que fez, incluindo um triunfo sobre o Brasília e outro fora de casa contra o Vitória.


Jefferson, do Bauru, e Lupa, do Macaé (Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket)

O que merece atenção no duelo

Ações perto da cesta

São dois dos cinco times menos eficientes em rebotes de ataque por jogo, mas existe um risco de o fundamento acabar pesando nesta série. Isso porque o Macaé foi uma das cinco piores equipes em rebotes de defesa, o que pode permitir que Bauru conquiste novas chances de pontuar após arremessos errados. Esse tipo de coisa, aliás, aconteceu nos dois confrontos diretos da fase de classificação.

Ainda sobre o que acontece perto da cesta, vale a pena ficar de olho com as apostas da defesa de Bauru. No jogo do returno entre as equipes, deu para ver muitas vezes a equipe paulista optando por pressionar o perímetro com dois jogadores após os bloqueios, a fim de não dar moleza para Kendall Anthony ou Benzor Simmons,mesmo que isso significasse espaços para os pivôs serem acionados no garrafão. Quando isso acontecia, a estratégia era a de usar Shilton ou Jefferson (qualquer um dois dois que não tivesse sido envolvido no bloqueio) para aparecer na ajuda e atrapalhar o pivô adversário que tentasse finalizar.

Até que deu certo. Macaé sofreu para finalizar neste tipo de situação, acumulando erros de arremesso perto do aro. Não à toa, os melhores momentos do time no jogo foram quando os pivôs aproveitavam essa ajuda da defesa adversária para acionar alguém de fora — e aí esse jogador que recebia o passe partia para o drible e para finalizar um pouco mais perto do aro — ou quando os dois norte-americanos conseguiam cortar para a cesta.

Cestinha x melhor defesa

Falando nisso, Kendall Anthony terminou a fase de classificação como o cestinha do NBB e passou dos 20 pontos em cada um dos dois duelos com o Bauru antes dos playoffs. Será interessante observar o impacto que ele terá diante de uma defesa que melhorou bastante ao longo do segundo turno ao ponto de virar a mais eficiente da competição, limitando os oponentes a uma média de exatos 100,0 pontos por posse de bola. Alex é o melhor marcador do elenco, mas provavelmente aparecerá em trocas e será guardado para quem quiser levá-lo para mais perto do garrafão. Gegê, que faz ótimo campeonato defensivamente, é quem deverá ter a missão de vigiar Anthony em um primeiro momento.

Thiaguinho acompanha Léo Meindl em jogo entre Macaé e Bauru (Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket)

É curioso notar que Bauru construiu essa força defensiva sendo o terceiro time que proporcionalmente menos forçou desperdícios de posse de bola dos adversários — isso aconteceu em 14,2% dos ataques que marcou. O grande mérito mesmo deste sistema de marcação foi ter limitado seus oponentes a um aproveitamento de apenas 40,8% nos arremessos, melhor marca do NBB.

Mesmo esse negócio de forçar erros do outro lado não ser exatamente uma característica de Bauru, há chance de que isso acabe afetando a série — tal qual os rebotes de ataque. Afinal de contas, Macaé foi a segunda equipe que mais sofreu roubos, sendo desarmado em 11% das vezes em que a bola nas mãos. Se essa história não mudar na série, contra-ataques preciosos serão oferecidos ao rival, o que obviamente não é nada bom.

Bolas de três e versatilidade

Como se cometer tantos erros já não fosse assustador o bastante, Macaé teve a quinta pior defesa da fase de classificação, melhor só que a do Vasco e que as de Liga Sorocabana, Caxias do Sul e Minas, que não foram aos playoffs.

Nesta série, terá pela frente um rival que gosta de espaçar bastante a quadra com as apostas nas bolas de três. Em termos de aproveitamento, Bauru ficou em sexto lugar no ranking da fase de classificação, mas foi o segundo time que mais tentou bolas do tipo. Mesmo o desempenho não sendo de primeiro nível no NBB, é difícil imaginar que Macaé aceite pagar para ver o que vai acontecer e correr o risco de ver o oponente desandar a fazer cestas de longe. Por isso, pelos lados do time paulista, a simples insistência em tiros do tipo já pode atormentar a marcação do outro lado e ajudar a abrir espaços para infiltrações.

Além disso tudo, uma outra característica do ataque de Bauru é a versatilidade. É claro que as coisas mudam um pouco quando Valtinho está em quadra, mas, de resto, o que se vê é um revezamento na hora de carregar a bola e iniciar as ações ofensivas. Tanto Gegê como Alex e Léo Meindl são capazes de exercer essa função e se deslocam bastante nos momentos em que estão sem bola, ajudando a dificultar a vida da defesa.


Palpite

Bauru vence a série.

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