Prévia da série – Boston Celtics x Chicago Bulls

Luís Araújo

(1º) Boston Celtics X Chicago Bulls (8º)

Confronto direto na temporada: 2 a 2
Histórico nos playoffs: os times se cruzaram outras quatro vezes. Todas elas tiveram o Celtics como vencedor. A mais recente aconteceu na primeira rodada de 2009, que acabou precisando de sete partidas para ter uma definição.
Curiosidade: Rajon Rondo é o único jogador desta série que estava presente no embate de 2009. Naquela oportunidade, defendendo as cores do Celtics, o armador teve dois triplos-duplos ao longo dos sete jogos e teve médias de 19,4 pontos, 11,6 assistências, 9,3 rebotes por jogo e 2,7 roubos de bola por partida.


Calendário da série

Jogo 1 – 16/04 (domingo) – 19h30 – em Boston
Jogo 2 – 18/04 (terça) – 21h – em Boston
Jogo 3 – 21/04 (sexta) – 20h – em Chicago
Jogo 4 – 23/04 (domingo) – 19h30 – em Chicago
Jogo 5* – 26/04 (quarta) – horário a ser definido – em Boston
Jogo 6* – 28/04 (sexta) – horário a ser definido – em Chicago
Jogo 7* – 30/04 (domingo) – horário a ser definido – em Boston
*Se necessário


Boston Celtics

Campanha: 53 vitórias e 29 derrotas
Provável time titular: Isaiah Thomas, Avery Bradley, Jae Crowder, Amir Johnson e Al Horforf
Técnico: Brad Stevens
Como chega aos playoffs: não tem como não dizer que está em alta depois de superar o Cleveland Cavaliers na reta final da fase de classificação e conquistar a primeira posição do Leste, o que garantirá mando de quadra até a final da conferência. Só que aquela derrota para o próprio Cavs poucos dias antes dos playoffs mostrou que ainda há deficiências que podem ser exploradas por LeBron James e companhia.

Chicago Bulls

Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas
Provável time titular: Rajon Rondo, Dwyane Wade, Jimmy Butler, Nikola Mirotic e Robin Lopez
Técnico: Fred Hoiberg
Como chega aos playoffs: embalou sem Wade pouco antes dos playoffs e ficou em boa posição de garantir a vaga até mesmo com menos sustos, mas deu um jeito de deixar as coisas mais complicadas em seguida, já com o camisa 3 de volta, ao conseguir perder para New York Knicks e Brooklyn Nets. Dá para dizer que essa reta final foi um bom resumo de toda a temporada do Bulls. Um time que pode fazer jogos muito bons e vencer adversários teoricamente mais fortes, mas que pode no dia seguinte se enrolar com um oponente mais fraco.


O que merece atenção no duelo

Nos momentos em que Isaiah Thomas esteve em quadra ao longo da temporada, o Celtics anotou em média 113,6 pontos a cada 100 posses de bola. Sem ele, esse número caiu para 99,0. Essa diferença de 15,7 pontos foi a segunda mais alta de um jogador que tenha atuado por pelo menos 1.000 minutos por uma mesma equipe, atrás apenas de Stephen Curry no Golden State Warriors.

Esse dado ajuda a mostrar algo que ficou evidente para quem viu os jogos do Celtics ao longo da temporada: o alto grau de dependência do armador. Naquela derrota para o Cleveland Cavaliers na reta final da fase de classificação, por exemplo, o time simplesmente não conseguiu produzir ofensivamente durante os minutos do segundo quarto que Thomas ficou no banco de reservas, o que acabou ajudando a deixar aquele confronto fora de alcance.

Portanto, a missão número um do Bulls será a de tentar limitar ao máximo o impacto ofensivo da principal arma do adversário. Como Thomas foi o jogador que mais buscou infiltrações nesta temporada e também é capaz de arremessar de três caso o seu marcador resolva passar por trás dos bloqueios, é de se imaginar que a estratégia defensiva seja muitas vezes a de fazer a dobra em cima dele, forçando-o a se livrar da bola e deixar a criação nas mãos de qualquer outro atleta do Celtics.

Em certas oportunidades que teve de lidar com isso durante o campeonato, o Celtics tentou responder a isso com chutes de três de Al Horford, Kelly Olynyk ou Jonas Jerebko. O que acontecia era que um destes três corria para fazer o bloqueio e, ao invés de girar para a cesta, abria para arremessar de longe, tirando proveito do seu marcador ter ido em cima de Thomas. Só que se Olynyk ou Jerebeko tiverem de ser tão acionados assim, isso poderia significar uma redução de minutos de Amir Johnson, que se saiu muito bem diante do Bulls na temporada, acertando 17 dos 25 chutes que deu ao longo dos quatro confrontos diretos.

Uma outra ação a qual o Celtics recorreu bastante foi tirar a bola das mãos de Thomas no começo das ações ofensivas, deixando Marcus Smart ou Terry Rozier com essa tarefa de conduzir a bola e fazendo com que Thomas seja acionado em movimento depois de receber algum bloqueio no meio do caminho. Qualquer separação mínima que ele consiga criar neste processo em relação ao seu marcador já é o bastante para causar desequilíbrio nas defesas e dar a possibilidade das infiltrações que ele tanto gosta.

Jimmy Butler já se pronunciou sobre o assunto. Disse que está doido para esse desafio. Deverá ser ele mesmo o encarregado de acompanhar Thomas nos momentos cruciais, mas provavelmente isso não vai acontecer durante toda uma partida. Desgastaria demais um jogador que precisará também assumir as rédeas do outro lado da quadra.

De qualquer maneira, até que existem motivos para acreditar que o Bulls tem condições de fazer um bom trabalho coletivamente neste sentido. Primeiro porque Robin Lopez tem sido bastante competente na hora de aparecer nas coberturas e contestar arremessos. Segundo e mais importante: o sistema defensivo foi o terceiro mais eficiente depois do “Alll-Star Game”, atrás apenas de Golden State Warriors e San Antonio Spurs — o que definitivamente não é pouca coisa.

Mas do outro lado da quadra, o Bulls foi um dos times mais confusos e desinteressantes de se acompanhar ao longo da temporada. A armação e a posição quatro mudaram de mãos constantemente no decorrer dos 82 jogos da fase de classificação. Rajon Rondo e Nikola Mirotic começaram como titulares, depois vieram a partir do banco de reservas, ficaram um tempo enterrados de vez na rotação para, de uma hora para outra, voltarem a iniciar os jogos. Além disso, a equipe passou a impressão de funcionar melhor sem Dwyane Wade. As certezas mesmo são Robin Lopez fazendo bloqueios e lutando por rebotes ofensivos e Jimmy Butler com suas ações individuais para criar cestas e cavar faltas.

O problema para o Bulls é que do outro lado há gente capaz de responder bem a essas investidas de Butler. Exemplo disso é o fato de ele ter acertado só cinco das 19 bolas que chutou diante da marcação de Jae Crowder ao longo dos quatro jogos na temporada. Se essas jogadas envolvendo o seu principal jogador não funcionarem, então o time de Chicago estará em sérios problemas.

Mas existe um fator importante que pode acabar ajudando bastante o Bulls: os rebotes. O Celtics teve, mais uma vez, bastante dificuldade para ficar com as sobras na defesa depois de os adversários errarem arremessos, ao passo que o Bulls foi um dos mais competentes na hora de conquistar novas chances de pontos. Foi, inclusive, o que salvou muitas vezes essa equipe, que ficou entre as dez piores da liga tanto em aproveitamento de arremessos de dentro do garrafão como nos de média distância e de três.


Palpite

O Celtics vence a série. O Bulls pode fazer um jogo muito bom e vencer. Ou dois. Ou três. É um time tão instável que pode até conseguir dar um jeito de transformar essa série em uma história bem interessante de se acompanhar. Mas é difícil imaginar que tenha consistência o bastante para aprontar uma zebra.

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