Prévia da série – Boston Celtics x Washington Wizards

Luís Araújo

(1º) Boston Celtics X Washington Wizards (4º)

Confronto direto na temporada: 2 a 2
Histórico nos playoffs: esse é o quarto encontro entre as equipes. Dos três anteriores, dois foram vencidos pelo Celtics (1982 e 1984) e um pelo Wizards (1975).
Curiosidade: o Celtics não superava a primeira rodada dos playoffs desde 2012, quando foi finalista do Leste. O único remanescente daquele time é Avery Bradley. Já o Wizards até chegou algumas vezes à semifinal de conferência nos últimos anos, mas não passa dela desde 1979, ano em que alcançou a decisão, mas perdeu o título para o Seattle Supersonics.


Calendário da série

Jogo 1 – 30/04 (domingo) – 14h – em Boston
Jogo 2 – 02/05 (terça) – 21h – em Boston
Jogo 3 – 04/05 (quinta) – 21h – em Washington
Jogo 4 – 07/05 (domingo) – 19h30 – em Washington
Jogo 5* – 10/05 (quarta) – horário a ser definido – em Boston
Jogo 6* – 12/05 (sexta) – horário a ser definido – em Washington
Jogo 7* – 15/05 (segunda) – horário a ser definido – em Boston
*Se necessário


Boston Celtics

Campanha na temporada regular: 53 vitórias e 29 derrotas
Provável time titular: Isaiah Thomas, Avery Bradley, Jae Crowder, Amir Johnson e Al Horford
Técnico: Brad Stevens
Como chega à semifinal do Leste: passou pelo Chicago Bulls em seis jogos depois de ter perdido os dois primeiros dentro de casa. A reação veio ao mesmo tempo em que Rajon Rondo se machucou e virou um desfalque de peso do outro lado, mas também se deu no momento em que Stevens teve a sacada de tirar Amir Johnson do quinteto titular para colocar Gerald Green, abrindo a quadra e ampliando o poder de fogo do ataque.

Washington Wizards

Campanha na temporada regular: 49 vitórias e 33 derrotas
Provável time titular: John Wall, Bradley Beal, Otto Porter Jr, Markieff Morris e Marcin Gortat
Técnico: Scott Brooks
Como chega à semifinal do Leste: enfrentou o Atlanta Hawks na primeira fase e, a exemplo do Celtics, também precisou de seis jogos para conquistar a vaga. A diferença é que sofreu menos, já que não esteve em desvantagem em momento nenhum. Na última partida da série, o time teve 16 roubos de bola, o que possibilitou John Wall e Bradley Beal abusarem da correria e castigarem em transição. A dupla combinou para 73 pontos neste jogo, um recorde desta trajetória deles lado a lado em Washington.


O que merece atenção no duelo

É uma série que tem tudo para ser bastante intensa e com um clima muito grande de rivalidade. São times que já deixaram bem claro que não se gostam durante a temporada e que tiveram trocas de farpas dentro e fora de quadra entre os seus jogadores. Em um dos confrontos, a coisa ficou até um pouco mais séria entre Jae Crowder e John Wall, que tiveram de ser separados e foram até multados. Para quem gosta de clima quente, provavelmente virá um prato cheio por aí.

Na primeira rodada dos playoffs, o Celtics decolou e virou contra o Bulls a partir da sacada de Brad Stevens de tirar Amir Johnson do time titular para colocar Gerald Green. Nas horas que antecedem o início da série com o Wizards, o treinador fez questão de manter o suspense sobre quem formará o quinteto inicial. Diante da presença de Markieff Morris do outro lado, é de se imaginar que Johnson tenha uma vantagem sobre Green, mas também é bem possível que Stevens acabe recorrendo por alguns bons minutos a Kelly Olynyk, que é alto e capaz de chutar de longa distância.

De qualquer maneira, seja com quem for, o Celtics buscará a mesma coisa que encontrou na série anterior: abrir a quadra para explorar melhor Isaiah Thomas e acionar mais vezes gente com liberdade para finalizar. Se isso acontecer, o oponente terá um desafio muito grande pela frente. O Bulls, que teve uma das melhores defesas da NBA na reta final da temporada, não conseguiu reagir tão bem a isso. Como será que o Wizards vai se sair? Se cometer algumas falhas que apresentou diante do Hawks, o preço a se pagar pode ser caro demais.

Na esteira disso, será curioso observar como Thomas será utilizado ofensivamente e como o Wizards responderá a isso. Contra o Bulls, sobretudo nas quatro partidas em que o time venceu, o Celtics procurou fazer seu principal jogador atuar sem bola, correndo pela quadra e recebendo bloqueios para ser acionado em posição de vantagem sobre seu marcador e atacar imediatamente, forçando que mais marcadores sejam obrigados a aparecer para fazer a cobertura em cima dele e, consequentemente, abrindo espaços para que alguém fique livre.

Nas vezes em que Thomas carrega a bola desde o começo, o Celtics usa bloqueios bem altos, quase no meio da quadra, para tentar abrir ao máximo o campo de ação do armador. Provável responsável por marcá-lo, John Wall é um excelente marcador, um dos melhores da posição na liga. A eficiência defensiva do seu time nestas horas vai passar bastante pelo trabalho dele na hora de reagir a essas tentativas todas de bloqueios e de se desgrudar o mínimo possível do oponente.

A capacidade da defesa do Wizards de reagir bem a essas principais investidas do sistema ofensivo rival pode ter um impacto violento na série. Durante a série com o Hawks, o time teve uma média de 20,7 pontos por jogo em contra-ataques, número superior ao de qualquer outra equipe nos playoffs. Não chega a ser coincidência que o time tenha somado 38 pontos desta maneira nas duas partidas em que ganhou do Celtics, mas combinado para apenas 20 nas duas derrotas.

Para os comandados de Brad Stevens, é imperativo evitar o quanto der a correria de John Wall e Bradley Beal. Emplacar uma boa defesa de transição, capaz de impedir finalizações ainda nos primeiros segundos do relógio de posse de bola, é fundamental. Mas esse processo todo vai começar mesmo no ataque, tomando conta da bola e minimizando os erros.

Nos ataques de meia quadra do Wizards, vale a pena observar duas coisas que podem ter bastante peso na série. Um deles atende pelo nome de Marcin Gortat, que já é há alguns anos um dos jogadores mais eficientes da liga na hora de fazer um bloqueio, principalmente por ser capaz de mudar o lado em cima da hora, o que ajuda a confundir demais os defensores na hora de reagir a um “pick and roll” — e encarar marcadores confusos e com propensão a abrir espaços é tudo o que Wall mais quer.

Outra questão interessante passa justamente por Thomas e como o Celtics fará para escondê-lo na defesa. É de se imaginar que o papel de marcador primário de Wall fique com Avery Bradley e que o camisa 4 acabe ficando responsável por acompanhar as movimentações sem bola de Bradley Beal. Será que ele fará um bom trabalho com relação a isso? E será que a diferença de altura terá impacto neste confronto em especial?


Palpite

O Wizards vence a série. Tem tudo para ser confronto bastante equilibrado e que vai longe, com boas chances de chegar a sete jogos. Pode dar qualquer coisa. Mas John Wall e companhia parecem ter as armas necessárias para incomodar ainda mais o Celtics e terminar o serviço que o limitado Chicago Bulls não conseguiu.

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