Prévia da série – Brasília x Bauru

Luís Araújo

(4º) Brasília X Bauru (5º)

Confronto direto na temporada: 2 a 0 para o Brasília
Histórico nos playoffs: os times já se cruzaram três vezes. Nas quartas de 2010 e de 2012, deu Brasília. Na semifinal de 2016, foi Bauru que acabou levando a melhor.
Curiosidade: essas três séries anteriores entre os times acabaram com varrida.


Calendário da série

Jogo 1 – 20/04 (quinta) – 20h – em Bauru (Facebook Live)
Jogo 2 – 23/04 (domingo) – 18h – em Brasília (SporTV)
Jogo 3 – 25/04 (terça) – 19h30 – em Brasília (SporTV)
Jogo 4* – 30/04 (domingo) – 18h30 – em Bauru (SporTV)
Jogo 5* – data e horário a definir
*Se necessário


Fúlvio encara a defesa do Bauru (Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket)

Brasília

Campanha: 19 vitórias e 9 derrotas
Provável time titular: Fúlvio, Pilar, João Phylippe, Guilherme Giovannoni e Lucas Mariano
Técnico: Bruno Savignani
Como chega às quartas de final: pulou as oitavas e entrou direto por ter feito uma das quatro melhores campanhas da fase de classificação. O time chegou a ser líder durante o segundo turno, mas caiu depois de derrotas para Mogi das Cruzes, Franca e Macaé. A vitória sobre o Flamengo na última rodada garantiu aliviou as coisas e garantiu a vaga nas quartas.

Alex comanda ataque do Bauru (Foto: Brito Júnior/Divulgação)

Bauru

Campanha: 18 vitórias e 10 derrotas
Provável time titular: Gegê, Alex Garcia, Léo Meindl, Jefferson e Shilton
Técnico: Demétrius Ferracciú
Como chega às quartas de final: passou por Macaé em três jogos nas oitavas, em uma série na qual teve um pouco mais de dificuldades do que os placares podem sugerir, sobretudo graças ao trabalho de Kendall Anthony do outro lado. Em duas destas partidas, o time do Rio de Janeiro conseguiu chegar nos minutos finais ainda brigando pela vitória.


Lucas Mariano, um dos principais destaques individuais deste NBB (Foto: Brito Júnior/Divulgação)

O que merece atenção no duelo

Bauru teve a defesa mais eficiente da fase de classificação, tomando em média 100,0 pontos por jogo. Só que o desafio agora será muito maior diante de adversário que conta com muito mais armas perigosas individualmente e um sistema ofensivo muito melhor como um todo. A média de 111,9 pontos a cada 100 posses de bola do Brasília foi a terceira mais alta do NBB até os playoffs. Além disso, o aproveitamento de 47% nos chutes foi o segundo mais alto da competição, atrás apenas do Flamengo, que teve 47,2%.

Essa força defensiva do Bauru nem passa tanto por forçar desperdícios, coisa que o time fez pouco se formos considerar as médias a cada 100 posses de bola. A especialidade mesmo desta marcação da equipe paulista é a de forçar arremessos desconfortáveis. Durante a fase de classificação, limitou os adversários a um aproveitamento de 40,8% nos chutes, índice mais baixo do NBB.

Uma peça fundamental a se observar nesta história atende pelo nome de Fúlvio, que rende como poucos no país quando tem a bola nas mãos e adora usar os “pick and rolls” para criar chances de ataque. Não causa nem um pouco de estranheza o fato de Brasília ser o time que mais depende de assistências no NBB, utilizando-as em 71,4% das suas cestas.

Quem provavelmente ficará responsável por marcar Fúlvio na maior parte do tempo será Gegê, que terá sua reação a bloqueios constantemente desafiada. O resultado desta experiência pode acabar tendo um impacto muito grande no confronto. Quanto mais próximo conseguir permanecer do adversário nestas horas, melhor para Bauru.

Se Gegê ou qualquer outro jogador que estiver defendendo Fúlvio resolver passar por baixo dos bloqueios, acabará oferecendo espaço para o chute de alguém que tem acertado 48,1% dos arremessos para três nesta temporada. Seria uma aposta de alto risco. Caso o marcador passe por cima do bloqueio, aí vai precisar que Shilton faça uma boa cobertura e que a ajuda do lado fraco esteja pronta para aparecer. Não seria absurdo nenhum se Bauru optasse por pagar o chute de longe de Pilar para conseguir congestionar o garrafão após um “pick and roll”, algo que alguns adversários do Brasília arriscaram ao longo do campeonato.

Por falar em bolas de três, essa série reúne dois dos cinco times que tiveram melhor desempenho nisso. Brasília foi o líder, acertando 36,9% das suas tentativas, mas foi só o nono que mais arremessou. Já Bauru ficou em quarto em aproveitamento (34,7%) e em segundo em chutes por jogo. É uma combinação bastante perigosa, mesmo em dias nos quais a bola não cair tanto assim. Afinal de contas, o adversário saberá que a equipe de Demétrius continuará atirando e terá de seguir contestando do mesmo jeito para não correr o risco de deixar o oponente esquentar, o que tende a seguir abrindo espaços.

Léo Meindl é marcado por João Phylippe (Foto: Brito Júnior/Divulgação)

Ao contrário de Brasília, que centraliza a organização de jogadas nas mãos de Fúlvio, Bauru divide um pouco mais essa tarefa. Gegê até fica mais com a bola no começo das partidas e Valtinho assume um pouco mais nos momentos em que está em quadra, mas é comum ver Léo Meindl e, principalmente, Alex cuidando dos ataques na reta final dos jogos.

Um ponto em comum entre as equipes é o perfil dos jogadores que dominam a posição quatro. Tanto Guilherme Giovannoni como Jefferson gostam de abrir para o chute de longa distância e também têm facilidade para explorar o jogo mais próximo ao garrafão e de costas para a cesta, seja encontrando espaços para finalizar ou atraindo a dobra da marcação antes de soltar para alguém livre. A tendência é que os dois se confrontem bastante durante a série. Quem conseguir se sair melhor defendendo o outro dará uma boa vantagem à sua equipe.

Outro aspecto muito importante nesta série passa pelo garrafão. Lucas Mariano faz sua melhor temporada no NBB, sendo alvo favorito de Fúlvio no “pick and roll” e aproveitando os espaços que Giovannoni cria no “post-up”. Ele até teve dificuldades diante de alguns marcadores durante a competição que o fizeram entregar atuações apagadas, mas isso não aconteceu no duelo do segundo turno contra o Bauru — o único que dá para tomar como base, já que o primeiro ainda tinha Rafael Hettsheimeir e Alex não jogou. Naquele jogo, Lucas fez 26 pontos, acertando nove das suas 17 finalizações, pegou dez rebotes e deu quatro tocos.

Shilton é reconhecidamente um bom defensor, especialmente no “pick and roll”, mas é bem mais baixo do que Lucas. Na última vez que se cruzaram, isso foi um problema. Será assim de novo durante toda essa série? Ou as coisas serão diferentes? Vale a pena ficar de olho nisso.

A dominância de Lucas não foi o único problema para Bauru naquele jogo. Afinal de contas, a equipe fez 11 bolas de três, acertou quase metade dos arremessos que deu e mesmo assim saiu de quadra derrotada. O que ajuda a explicar isso? A derrota por 41 a 34 nos rebotes, permitindo 17 de ataque para Brasília.


Palpite

Brasília vence a série, mas o pitaco aqui é bastante conservador e levou em consideração muito mais o mando de quadra do que o confronto direto na temporada. Mais seguro do que tentar apontar um vencedor é imaginar um confronto bastante equilibrado, com jogos muito apertados. Bauru pode não ter a mesma profundidade de elenco do que Brasília, mas tem alguns pontos, especialmente na defesa, capazes de tirar o adversário da zona de conforto e somar vitórias.

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