Prévia da série – Cleveland Cavaliers x Indiana Pacers

Luís Araújo

(2º) Cleveland Cavaliers x Indiana Pacers (7º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Cavaliers
Histórico nos playoffs: o único encontro entre os times até hoje aconteceu na primeira rodada de 1998 e teve vitória do Pacers
Curiosidade: com exceção do ano de estreia na NBA, LeBron James disputou os playoffs em todas as outras temporadas ao longo da carreira. E em nenhuma vez o time dele foi eliminado na primeira rodada. Mais do que isso: a última vez que ele perdeu uma partida de primeira rodada foi em 2012. Desde então, só varridas. Do outro lado, Nate McMillan, hoje técnico do Pacers, só venceu uma única série de playoffs até hoje. Isso aconteceu em 2005, quando levou o Seattle Supersonics a passar pelo Sacramento Kings antes de cair para o San Antonio Spurs.


Calendário da série

Jogo 1 – 15/04 (sábado) – 16h – em Cleveland
Jogo 2 – 17/04 (segunda) – 20h – em Cleveland
Jogo 3 – 20/04 (quinta) – 20h – em Indianápolis
Jogo 4 – 23/04 (domingo) – 14h – em Indianápolis
Jogo 5* – 25/04 (terça) – horário a ser definido – em Cleveland
Jogo 6* – 27/04 (quinta) – horário a ser definido – em Indianápolis
Jogo 7* – 29/04 (sábado) – horário a ser definido – em Cleveland
*Se necessário


Cleveland Cavaliers

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: Kyrie Irving, JR Smith, LeBron James, Kevin Love e Tristan Thompson
Técnico: Tyronn Lue
Como chega aos playoffs: sob uma certa desconfiança, principalmente pelo fraco desempenho da defesa, que foi a segunda menos eficiente da NBA desde o “All-Star Game” — à frente apenas da do Los Angeles Lakers. Durante esse período, o Cavs disputou 27 jogos e ganhou só 12. As quatro derrotas consecutivas na reta final da fase de classificação só ajudaram a pior as coisas. Tanto que a equipe acabou perdendo a liderança da conferência.

Indiana Pacers

Campanha: 42 vitórias e 40 derrotas
Provável time titular: Jeff Teague, Monta Ellis, Paul George, Thaddeus Young e Myles Turner
Técnico: Nate McMillan
Como chega aos playoffs: venceu os últimos cinco jogos da fase de classificação, o que bastou para espantar o risco de eliminação precoce e garantir a sétima colocação da conferência. Considerando apenas as últimas dez partidas antes dos playoffs, o Pacers teve o terceiro ataque mais eficiente da NBA, atrás só dos reconhecidamente poderosos Golden State Warriors e Los Angeles Clippers. Pode ser um sinal de evolução animador. Como pode ser também só mais uma das várias etapas de altos e baixos da equipe ao longo da temporada.


O que merece atenção no duelo

Chegar aos playoffs com tantos problemas defensivos assim é preocupante para qualquer time, até mesmo para quem tem o melhor jogador do mundo e é o atual campeão. É claro que os níveis de atenção e esforço tendem a ser muito maiores a partir de agora, na parte mais importante da temporada, em que todas as partidas são importantes e os erros podem custar caro demais. Mas será que o simples fato de querer defender melhor será o suficiente para acertar a comunicação nas trocas de marcação e fazer com as que as rotações se mostrem entrosadas? Essa é a grande questão que o Cavs tentará responder a partir desta série com o Pacers.

Só que, paralelamente a isso, existem algumas outras perguntas importantes relacionadas ao adversário. Quanto será que o Pacers conseguirá se aproveitar deste tipo de fragilidade do Cavs? O time tem Paul George e conta ainda com algumas outras peças individualmente interessantes, mas coletivamente o ataque passou longe de impressionar e teve um rendimento não mais do que mediano ao longo da temporada no que diz respeito a eficiência ofensiva. Nada a ver com aquela máquina de marcar pontos e de jogar em alta velocidade que Larry Bird imaginou quando resolveu mandar Frank Vogel embora e botar Nate McMillan no lugar.

O Cavs teve suas dificuldades e abriu muitos buracos em situações de cinco contra cinco, principalmente nas horas em que os rivais buscavam explorar Kevin Love e Kyrie Irving no “pick and roll”. O Pacers tem peças que podem eventualmente incomodar neste sentido, especialmente nas vezes em que Jeff Teague ou Paul George têm a bola nas mãos e chamam bloqueios, que podem muito bem gerar espaços consideráveis para arremessos de média distância — algo que esse time adora fazer, tanto que foi o quinto que mais tentou chutes do tipo ao longo da fase de classificação. Myles Turner é outro que pode aparecer bem neste processo, fazendo os bloqueios e dando tanto a opção de girar para a cesta como a de abrir para o chute afastado.

Mas o grande problema da defesa do Cavs, bem mais do que a de meia quadra, tem sido a transição. Os 118 pontos a cada 100 posses de bola de média permitidos neste tipo de situações representam maior marca da liga na temporada — algo que passa também pela já citada comunicação extremamente falha na hora de determinar quem vai pegar quem. Para quem conseguir fazer LeBron e companhia acumularem erros no ataque, tanto desperdícios de posse de bola como arremessos mesmo, é um prato cheio. Resta saber o quanto a defesa do Pacers, que piorou consideravelmente em relação ao ano passado, será capaz de colocar esses obstáculos para conseguir contabilizar pontos fáceis do outro lado da quadra.

O ataque do Cavs continua sendo muito baseado em deixar a bola nas mãos de LeBron James ou Kyrie Irving e isolá-los, esperando que eles aproveitem a enorme habilidade que têm para costurar defesas e infiltrar. Mesmo assim, só 40% das finalizações da equipe foram dentro do garrafão durante a temporada regular, índice que só superou o de 35,8% do Dallas Mavericks.

É um número que não causa estranheza em que acompanhou os jogos da equipe e se acostumou a ver um destes dois jogadores causando o desequilíbrio nos seus marcadores para depois quicarem a bola para fora da área pintada, dando início a uma movimentação de bola até que alguém apareça com espaço para o chute. Não à toa, os atuais campeões foram o segundo time que mais tentou bolas de três até agora, perdendo só para o Houston Rockets. Também não é coincidência alguma o fato de que nenhuma outra equipe tentou tantos tiros de três dos cantos da quadra.

Quando LeBron está com a bola, Kyrie pode virar uma arma para receber de três e chutar. Quando a situação se inverte, isso também pode acontecer, mas o mais comum mesmo — e ameaçador — é LeBron se deslocando sem bola na hora certa, cortando para a cesta e causando ainda mais alvoroço no sistema defensivo adversário. Fora isso, gente como JR Smith, Kevin Love, Kyle Korver e Channing Frye são opções extremamente competentes e perigosas se conseguirem arremessar de longe com algum espaço.

É por isso tudo que é crucial para o Pacers a questão sobre como lidar com os dois principais condutores do ataque do Cavs. São eles a origem das coisas boas que o ataque pode fazer, e encontrar uma maneira de forçar erros pode ser determinante para aumentar as chances de vitória. É aí que as coisas se complicam, já que Jeff Teague não é um bom marcador para pegar Kyrie. Pode ser que Glenn Robinson III ganhe mais minutos justamente para cumprir essa função, colaborando ainda com bolas de três do outro lado da quadra e fazendo com que Teague seja escondido de alguma outra maneira.

Já com LeBron, é difícil imaginar Robinson dando conta. O que faz mais sentido em um primeiro momento, até com base no que foi a reta final do último duelo entre os times na temporada, é que Paul George seja o encarregado disso. Mas existem dois problemas aí. Um deles é que isso desgastaria demais o melhor jogador da equipe caso ele seja responsável por tarefa durante o jogo todo. O outro é que o resultado desta experiência até agora não anima. Ao longo dos confrontos que fez com o Pacers no campeonato até agora, LeBron tentou 27 arremessos contra a marcação de George e acertou 14, o que representa um aproveitamento de 52%.


Palpite

Cavaliers vence a série. Talvez o Pacers consiga ganhar uma ou duas vezes, evitando que LeBron aumente a lista de varridas consecutivas em primeira rodada dos playoffs. Mas é só.

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