Prévia da série – Flamengo x Pinheiros

Luís Araújo

(1º) Flamengo X Pinheiros (8º)

Confronto direto na temporada: 2 a 0 para o Flamengo
Histórico nos playoffs: os times se cruzaram nas quartas de final em 2009. O Flamengo venceu a série por 3 a 0 e seguiu a caminhada que culminou no título.
Curiosidade: o Flamengo não só venceu todos as séries de quartas de final do NBB que disputou até hoje como é o time que mais aplicou varridas nesta fase. Foram quatro até hoje.


Calendário da série

Jogo 1 – 21/04 (sexta) – 21h – em São Paulo (SporTV)
Jogo 2 – 24/04 (segunda) – 19h30 – no Rio de Janeiro (SporTV)
Jogo 3 – 26/04 (quarta) – 19h30 – no Rio de Janeiro (Facebook Live)
Jogo 4* – data e horário a definir
Jogo 5* – data e horário a definir
*Se necessário


Marcelinho Machado, uma das armas do Flamengo (Foto: Divulgação/LNB)

Flamengo

Campanha: 21 vitórias e 7 derrotas
Provável time titular: Ronald Ramon, Marcelinho Machado, Marquinhos, Olivinha e JP Batista
Técnico: José Neto
Como chega às quartas de final: pulou as oitavas e entrou direto por ter sido o líder da fase de classificação. O último compromisso antes dos playoffs terminou com derrota para o Brasília, em um jogo no qual a equipe já estava com o primeiro lugar garantido. Antes disso, o time teve nove vitórias em dez partidas, corrida impulsionada pelos retornos de Marcelinho Machado e Ricardo Fischer à rotação.

Corderro Bennett sobe para a cesta em jogo contra o Flamengo (Foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Pinheiros

Campanha: 16 vitórias e 12 derrotas
Provável time titular: Corderro Bennett, Desmond Holloway, Gemerson, Renan, Ansaloni
Técnico: César Guidetti
Como chega às quartas de final: passou pelo Vasco em cinco jogos nas oitavas, em uma série na qual deu pinta de que ganharia com facilidade no começo, mas que permitiu a reação do oponente. Aí, na quinta partida, contou com uma atuação monstruosa de Desmond Holloway para construir uma vitória segura.


Ronald Ramon encara a marcação de Bennett (Foto: Ricardo Bufolin/ECP)

O que merece atenção no duelo

Ao cruzar com o Vasco na fase anterior, o Pinheiros teve pela frente um adversário que durante toda a temporada se caracterizou, entre outras coisas, pela defesa fraca e por costumar ceder muitos rebotes de ataque, oferecendo novas chances de ataque para os oponentes. Desta vez, as coisas serão bem diferentes.

O Flamengo foi o segundo melhor time em rebotes de defesa da fase de classificação, o que significa que a tendência é de que o Pinheiros encontre dificuldades muito maiores para conseguir uma nova oportunidade de pontuar após um arremesso errado. Além disso, a equipe carioca ficou em quarto lugar no índice de eficiência defensiva, levando em média 102,8 pontos a cada 100 posses de bola.

Na verdade, da até para acreditar em um rendimento defensivo ainda melhor do Flamengo na sequência da competição. Primeiro porque teve um trecho do campeonato em que o time teve uma rotação muito enxuta, graças às lesões de Marcelinho Machado e Ricardo Fischer. E também porque o potencial de encaixar defesas especialmente eficientes em séries de playoffs, quando há tempo maior para se fazer ajustes cima das características do adversário, já ficou claro em outras oportunidades.

Uma coisa que os times de José Neto têm feito muito bem ao longo dos últimos anos é colocar pressão em cima do jogador adversário que chama o bloqueio, seja fazendo o “hedge” (quando o defensor do homem que faz o bloqueio dá um passo para frente para limitar a ação de quem está com a bola e depois volta rapidamente para quem estava marcando antes) ou dobrando de vez mesmo, apostando na capacidade de os demais jogadores acertarem a rotação depois para cobrir os espaços que surgirem. Costuma dar certo, com um nível alto de entrosamento e comunicação entre os jogadores.

Será um desafio e tanto para Holloway e Bennett, jogadores que concentram mais a missão de iniciar as jogadas de ataque do Pinheiros. Quanto mais eles conseguirem sobreviver a esse tipo de abordagem adversária e permanecer com a bola nas mãos, melhor para a equipe paulista. Também é possível que os dois simplesmente deixem os bloqueios para lá e trabalhem o ataque com menos passes, apostando mais em ações isoladas e no bom deslocamento de quem estiver sem bola para criar opção de passe.

Desmond Holloway comemora vitória do Pinheiros (Foto: Ricardo Bufolin/ECP)

Por outro lado, o Flamengo já mostrou alguma dificuldade ao longo do campeonato para defender o “pick and roll” quando JP Batista é envolvido e forçado a abandonar o garrafão para fazer coberturas. Vai do Pinheiros conseguir explorar esse tipo de situação, forçando o máximo possível a necessidade de ajuda dos demais marcadores do outro lado para conseguir abrir espaços para a finalização. O time paulista não usou tantas bolas de três assim ao longo da fase de classificação, mas conta com jogadores que podem virar armas perigosas nestes tiros de longe se tiverem a oportunidade de chutar com liberdade e encontrar um bom ritmo.

Se for o caso, José Neto pode sacar JP Batista para deixar Rafael Mineiro defendendo esses “pick and rolls”, coisa que ele faz muito bem. O Flamengo já se virou bem neste tipo de cenário em outras oportunidades. Por outro lado, perderia uma grande arma de ataque de costas para a cesta, coisa que JP faz com especialidade.

Pode passar por isso uma questão relacionada à formação do Pinheiros. Durante a série com o Vasco, o time começava os jogos com o garrafão formado por Renan, que tem bom chute de longa distância, e Ansaloni. Com o passar das partidas, porém, César Guidetti optou por uma formação mais baixa, deixando Neto ao lado de Bennett e Holloway como mais um opção para cuidar da bola, deslocando Gemerson para a posição quatro e escalando Teichmann na cinco. Deu certo ali, aumentando a versatilidade da equipe e a fluidez ofensiva, mas esse quinteto poderia sofrer no garrafão diante de JP Batista e Olivinha.

Será interessante acompanhar a aposta que fará o treinador. Primeiro porque abrir mão desta luta no garrafão pode ser perigosa contra Olivinha, que faz uma das melhores temporadas da carreira em parte porque aproveita muito bem os rebotes de defesa para puxar os contra-ataques. Mas um outro problema desta formação passa pela altura dos jogadores que teriam de confrontar Marquinhos e Marcelinho, que são altos para as posições que exercem em quadra e usam muito bem os bloqueios sem bola dos pivôs para os arremessos de longe.


Palpite

O Flamengo vence a série. O histórico deste time mostra que não tem como apostar em outra coisa. O Pinheiros pode até conquistar uma vitória para evitar a varrida, mas é difícil imaginar algo muito além disso.

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