Prévia da série – Golden State Warriors x Cleveland Cavaliers

Luís Araújo

Golden State Warriors x Cleveland Cavaliers

Confronto direto na temporada: 1 a 1
Histórico nos playoffs: os únicos encontros aconteceram nas duas finais anteriores, com o Warriors vencendo em seis jogos em 2015 e o Cavs em sete no ano passado
Curiosidade: essa final reune sete jogadores que foram para o “All-Star Game” nesta temporada. Os sete desta série são LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving pelos lados do Cavs, Stephen Curry, Kevin Durant, Draymond Green e Klay Thompson. Só outras três decisões tiveram uma reunião de estrelas semelhante ou maior. As de 1983 (Philadelphia 76ers x Los Angeles Lakers) e de 1987 (Boston Celtics x Lakers) tiveram sete “all-stars” cada. Já a de 1962 con (Celtics x Lakers) contou com oito.


Calendário da série

Jogo 1 – 01/06 (quinta) – 22h – em Oakland
Jogo 2 – 04/06 (domingo) – 21h – em Oakland
Jogo 3 – 07/06 (quarta) – 22h – em Cleveland
Jogo 4 – 09/06 (sexta) – 22h – em Cleveland
Jogo 5* – 12/06 (segunda) – 22h – em Oakland
Jogo 6* – 15/06 (quinta) – 22h – em Cleveland
Jogo 7* – 18/06 (domingo) – 21h – em Oakland
*Se necessário


Golden State Warriors

Campanha: 67 vitórias e 15 derrotas
Provável time titular: Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e Zaza Pachulia
Técnico: Steve Kerr (será substituído durante os jogos por Mike Brown caso continue sem condições de trabalhar)
Como chega à decisão: ainda invicto, tornando-se o primeiro time da história a vencer os 12 primeiros jogos dos playoffs. Diante do San Antonio Spurs, teve muitos problemas durante a maior parte do tempo e parecia até que ia perder, mas a lesão de Kawhi Leonard no terceiro quarto acabou sendo determinante para a virada naquela oportunidade. E como Leonard não voltou mais a jogar, o restante da série foi muito mais tranquilo do que se imaginava para o Warriors.

Cleveland Cavaliers

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: Kyrie Irving, JR Smith, LeBron James, Kevin Love e Tristan Thompson
Técnico: Tyronn Lue
Como chega à decisão: depois de varrer Indiana Pacers e Toronto Raptors, enfim perdeu um jogo na final do Leste. Essa derrota aconteceu no terceiro duelo da série contra o Boston Celtics, em uma partida qual chegou a abrir 21 pontos de diferença no terceiro quarto, mas acabou tomando a virada graças, em grande parte, ao festival de bolas de três de Marcus Smart. Mas o Cavs respondeu com duas vitórias para encerrar a série. Primeiro, com uma virada comandada por um Kyrie Irving imparável no momento mais crítico. Depois, com um atropelamento fora de casa que começou ainda no primeiro quarto.


O que merece atenção no duelo

Chegou a hora da final que todo mundo (ou quase isso) esperava há meses. Esses dois times eram considerados os mais fortes desde o início da temporada e passaram pelos playoffs sem serem incomodados em suas respectivas conferências. O Warriors varreu todo mundo no Oeste, ao passo que o Cavs perdeu um único jogo na final do Leste, para o Boston Celtics. Na pior das hipóteses, pelo menos uma destas equipes enfim será desafiada e terá de lutar para buscar respostas diante das dificuldades que aparecerem. Mas para o melhor da decisão, seria melhor se ambas fossem forçadas a passar por essa experiência ainda inédita.

O Cavs, por exemplo, viu LeBron James destruir qualquer marcador que aparecesse pela frente até agora. Paul George foi o primeiro a tentar, depois vieram DeMarre Carroll, PJ Tucker, Jae Crowder, Avery Bradley e Jaylen Brown. Ninguém conseguiu incomodá-lo de maneira consistente e impedir que ele fizesse o que bem entendesse no ataque.

Os estragos a partir disso ficaram bem evidentes. Quando conseguiu entrar na defesa, LeBron atraiu marcadores na cobertura e se aproveitou disso para acionar os companheiros espalhados pelo perímetro, que acertaram 48% dos arremessos de três em situação de “catch and shoot” nos playoffs até agora. Nas vezes em que foi desafiado a finalizar de longe, ele aceitou tranquilamente e respondeu também com muitos acertos — o aproveitamento de 42,1% nas bolas de três ajuda a mostrar isso.

Então, a exemplo do que acontece em toda série na qual o Cavs está envolvido, até mesmo pela característica do ataque de usar muito as jogadas de isolação para criar, fica a pergunta: como será feita a marcação em cima de LeBron? De fato, o Warriors tem um sistema defensivo muito superior aos demais oponentes que cruzaram o caminho do Cavs até agora e é capaz de oferecer mais resistência — até mesmo caso as infiltrações ocorram, já que as coberturas e as rotações funcionam de forma extremamente redonda. Assim como aconteceu nas outras duas finais, é de se imaginar que o time faça uma espécie de revezamento de marcadores em cima da grande estrela do outro lado. Klay Thompson deverá ficar responsável por Kyrie Irving, mas poderá receber essa tarefa por alguns minutos. Do quinteto titular, porém, é de se imaginar que Draymond Green e Kevin Durant passem mais tempo com essa função.

Surge aí um ponto bem interessante desta série. Por um lado, LeBron tem tudo para carregar Draymond Green de faltas e minar o impacto do melhor defensor do Warriors, que não só se vira muito bem nos confrontos individuais em qualquer canto da quadra como é preciso nas coberturas, com uma leitura de jogo perfeita e ótimas execuções das ações. Também é possível que o craque do Cavs drene a energia de Durant caso o tenha muitas vezes como marcador primário. Por outro lado, é possível imaginar que LeBron também sofra com isso, já que dificilmente ele conseguirá ser escondido na defesa e terá, inevitavelmente, de confrontar alguma arma ofensiva importante da equipe adversária.

Seja lá o que acontecer ao certo, dá para afirmar que um grande fator desta final será a capacidade destes jogadores de continuar rendendo em alto nível mesmo sendo exigidos constantemente dos dois lados da quadra.

Na verdade, o Warriors ainda tem no banco de reservas uma outra alternativa interessante para lançar em cima de LeBron. Trata-se de Andre Iguodala, MVP das finais de 2015 justamente por conseguir atrapalhar bastante o rendimento do craque adversário nos momentos em que ficou responsável por marcá-lo. Acontece que o joelho esquerdo dele tem causado problemas ultimamente, ao ponto de ter o deixado fora da segunda partida da série contra o Spurs e de fazê-lo apresentar um rendimento muito ruim nos arremessos ao longo dos playoffs.

Em tese, seria uma ótima opção para essa nova configuração do “quinteto da morte” — ainda mais mortal com a entrada de Durant no lugar de Harrison Barnes. Mas por mais que o próprio Iguodala tenha declarado que está bem e pronto para jogar, resta descobrir na prática como isso vai se desenrolar.

Uma outra grande questão em volta desta série passa pela defesa do Cavs, que apresentou sérios problemas durante a fase de classificação. Até houve uma evolução nos playoffs, mas agora o desafio será muito mais complicado porque o sistema ofensivo do outro lado já pode ser tranquilamente colocado entre os melhores e mais eficientes da história da NBA. O leque de opções que o Warriors é muito extenso. Tem hora, por exemplo, que Draymond Green vai levar a bola e encontrar um passe para um dos chutadores que sair livre de um bloqueio. Em outros momentos, Stephen Curry poderá chamar um “pick and roll” com quem estiver sendo marcado por Kevin Love, forçando a troca e explorando as fragilidades do ala-pivô longe da cesta.

Também dá para esperar as jogadas de “pick and roll” entre Curry e Durant, que têm tudo para causar enormes dores de cabeça independentemente de quem estiver envolvido na marcação. Qualquer que seja a estratégia da defesa (seja dobrando em cima de quem estiver com a bola, trocando os marcadores, passando por trás ou por cima do bloqueio), algum espaço tende a aparecer para a conclusão de qualquer um destes dois jogadores, que vêm acertando mais de 40% das bolas de três nos playoffs.

Nas finais do ano passado, um fator que acabou ajudando muito o Cavs foi a pontaria totalmente descalibrada de Harrison Barnes, que terminou a série sendo deixado completamente livre sem o menor constrangimento e foi incapaz de aproveitar isso. Desta vez, é muito difícil imaginar a viabilidade deste tipo de estratégia. Será que Tyronn Lue aceitaria correr o risco de pagar os chutes de Durant, por exemplo? Ou mesmo de Klay Thompson, que é quem tem acertado menos do que o normal neste Warriors durante os playoffs? Muito provavelmente, não. Ainda que esses dois amassem o aro, deverão continuar sendo respeitados pela defesa adversária, que vai mesmo precisar saber com precisão o tempo todo aos bloqueios do ataque rival, mantendo um nível de concentração absurda e sem margem para lapsos.

É por isso tudo que a capacidade de resistência da defesa do Cavs talvez seja o ponto principal deste confronto. Nas séries anteriores, principalmente contra o Indiana Pacers, o time muitas vezes venceu jogos simplesmente por ter maior poder de fogo no ataque e, nas vezes em que a marcação funcionou, foi porque emplacou dobras bem-sucedidas em cima de Paul George. São duas coisas que não se sustentam de jeito nenhum contra esse Warriors.


Palpite

O Warriors vence a série. Não tem jeito. Parece mesmo ser o melhor time na teoria, com diversas armas para incomodar e expor as fraquezas do adversário como ninguém chegou perto de fazer nestes playoffs. Em tese, é o claro favorito para a série. Só que isso também podia ser dito no ano passado e, no fim das contas, todo mundo sabe o que aconteceu. Não chegará a ser uma zebra gigantesca se o Cavs for campeão. Longe disso. É só que neste momento, antes do início da decisão, o time mais forte parece estar do outro lado.

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