Prévia da série – Golden State Warriors x Portland Trail Blazers

Luís Araújo

(1º) Golden State Warriors X Portland Trail Blazers (8º)

Confronto direto na temporada: 4 a 0 para o Warriors
Histórico nos playoffs: o encontro na semifinal do Oeste no ano passado foi o único entre os times até essa temporada. O Warriors avançou em cinco jogos.
Curiosidade: nas últimas três temporadas, incluindo os playoffs do ano passado, o Blazers ganhou só duas das 16 partidas que fez com o Warriors. O que essas duas vitórias tiveram em comum? Damian Lillard anotando mais de 40 pontos, chutando mais de dez bolas de três e com aproveitamento superior a 60% nestes chutes.


Calendário da série

Jogo 1 – 16/04 (domingo) – 16h30 – em Oakland
Jogo 2 – 19/04 (quarta) – 23h30 – em Oakland
Jogo 3 – 22/04 (sábado) – 23h30 – em Portland
Jogo 4 – 24/04 (segunda) – 23h30 – em Portland
Jogo 5* – 26/04 (quarta) – horário a ser definido – em Oakland
Jogo 6* – 28/04 (sexta) – horário a ser definido – em Portland
Jogo 7* – 30/04 (domingo) – horário a ser definido – em Oakland
*Se necessário


Golden State Warriors

Campanha: 67 vitórias e 15 derrotas
Provável time titular: Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e Zaza Pachulia
Técnico: Steve Kerr
Como chega aos playoffs: depois de um período de turbulência, iniciado após a lesão de Durant, recuperou-se em grande estilo e viveu sua melhor fase da temporada justamente ao longo do último mês, chegando até a engatar uma série de 12 vitórias consecutivas. Para deixar as coisas ainda mais assustadoras para os rivais, Durant já retornou e parece estar no mesmo alto nível que se encontrava nos dois lados da quadra antes de se machucar.

Portland Trail Blazers

Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas
Provável time titular: Damian Lillard, CJ McCollum, Moe Harkless, Noah Vonleh e Meyers Leonard*
*titular enquanto Jusuf Nurkic se recupera de lesão
Técnico: Terry Stotts
Como chega aos playoffs: o time virou um dos melhores da NBA nos dois lados da quadra depois do “All-Star Game”, aparecendo em quinto lugar no ranking de eficiência ofensiva nestes 26 jogos que fez desde então, em décimo no de eficiência defensiva e vencendo 18 destas partidas. Foi uma corrida fundamental para abocanhar essa oitava posição do Oeste e que contou muito com o impacto de Jusuf Nurkic, que chegou durante a temporada. O problema é que o pivô bósnio se machucou na reta final da fase de classificação e ainda não tem data para retornar, o que acabou impondo ao Blazers o desafio de encontrar uma maneira de se virar de novo sem ele.


O que merece atenção no duelo

Se os confrontos diretos já não têm tanto peso assim na avaliação das séries dos playoffs em geral, o impacto nesta aqui é menor ainda. Todos os quatro jogos aconteceram antes da pausa para o “All-Star Game”. As coisas mudaram bastante desde então e para os dois lados. Ambos os times atingiram o ápice depois disso. Especialmente o Blazers, que cresceu bastante a partir da aquisição de Jusuf Nurkic.

Por falar no pivô bósnio, Terry Stotts e companhia esperam que ele entre em quadra em algum momento durante a série, depois de ter se machucado e virado desfalque nos últimos jogos da temporada regular. Nurkic se revelou uma enorme ameaça ofensiva perto da cesta em Portland, capaz de agredir no “post-up” ou mesmo de punir os espaços que as defesas adversárias tendem a deixar caso resolvam dobrar em cima de CJ MCCollum e Damian Lillard. O salto gigantesco do ataque do Blazers depois do “All-Star Game” não é coincidência alguma — e já foi tratado algumas vezes por aqui em podcasts ao longo da temporada.

Sem Nurkic, o Blazers passa a usar como titular Meyers Leonard, que busca usar os arremessos de longe para abrir a quadra, mas que não tem — nem de longe — a mesma capacidade para agredir perto da cesta e, consequentemente, servir de desafogo para a dupla de armadores. Outra opção seria recorrer a Al-Farouq Aminu, o que levaria a uma formação baixa e faria a equipe competir de um jeito no qual o Warriors é mestre.

De qualquer maneira, um ponto chave para o Blazers neste confronto é a pressão em cima de Lillard e McCollum no perímetro. Os dois são ágeis e habilidosos o suficiente para conseguirem resultados interessantes vez ou outra quando atacarem contra uma defesa que opta bastante por fazer trocas, como acontece com o Warriors. Se encontrarem espaço para infiltrar no garrafão e para os chutes de três, deles mesmos ou de quem estiver aberto para receber o passe, podem pegar fogo e até levar o time a roubar a vitória.

Só que as coisas podem se tornar bastante caóticas para o Blazers se eles sofrerem para produzir e, principalmente, se errarem passes. Afinal de contas, 18,5% das posses de bola do Warriors na temporada foram em transição, o que foi o número mais alto da liga e que simboliza o quanto esse time sabe tirar proveito dos desperdícios dos adversários para criar chances de ataque.

Essa fortaleza do Warriors tem até tudo para esconder uma das maiores deficiências da equipe: o rebote de defesa. Em tese, isso poderia ser uma oportunidade de ouro para os adversários se recuperarem após chutes errados e conseguirem finalizar essa nova chance perto da cesta, em arremessos muito mais fáceis. Mas será que o Blazers vai mesmo apostar em brigar por isso e abrir a possibilidade do contra-ataque justamente a um time que sabe explorar isso como nenhum outro?

Mas quem viu o Warriors nos últimos anos sabe muito bem que a transição é só uma das armas ofensivas desta equipe, que usa muito bem a movimentação incessante dos jogadores, os bloqueios sem bola e os passes para criar excelentes oportunidades de cesta em situações de meia quadra. Conter tudo isso aí é um desafio gigantesco para o Blazers e para qualquer oponente.

Os passes, aliás, são uma característica tão forte neste sistema ofensivo quanto as bolas de três (ou até mais). O Warriors usou assistências em 70,5% das suas cestas, número mais alto da temporada, e também deu muito passes que levam a essas assistências.

Não será estranho se o Blazers decidir apostar as suas fichas em cima de Draymond Green, que muitas vezes se torna mesmo o principal articulador de jogadas do Warriors. Nos playoffs do ano passado, durante a ausência de Curry, o técnico Steve Kerr chegou a falar sobre o quanto o time continuaria sendo capaz de produzir ofensivamente e criar oportunidades de arremessos desde que Green continuasse tomando as decisões certas com a bola nas mãos.

A questão é que o desempenho dele nas bolas de três neste ano caiu para 30,8%, aproveitamento mais baixo desde a temporada de calouro. O que pode levar o Blazers a induzir que ele tenha a bola nas mãos desde o começo das posses de bola e a dar liberdade para os chutes de longa distância, optando por deixar a marcação um pouco mais distante e tentando congestionar as linhas de passe para ver se os desperdícios aparecem. É claro que isso é arriscado e pode dar muito errado, mas alguma aposta vai precisar ser feita diante de um adversário tão poderoso e tão favorito como o Warriors.


Palpite

O Warriors vence a série. Em condições normais de temperatura e pressão, não dá nem para imaginar um susto por aqui. Se Lillard e McCollum pegarem fogo e conseguirem fazer o Blazers morder duas vitórias na série já estará de muito bom tamanho.

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