Prévia da série – Golden State Warriors x San Antonio Spurs

Luís Araújo

(1º) Golden State Warriors X San Antonio Spurs (2º)

Confronto direto na temporada: 2 a 1 para o Spurs
Histórico nos playoffs: os times se cruzaram outras duas vezes. Uma delas foi na primeira rodada de 1991, que teve o Warriors como vencedor. No outro encontro, na semifinal de conferência de 2013, foi a vez de o Spurs levar a melhor.
Curiosidade: Desde que passou a ser comandado por Gregg Popovich, o Spurs já cruzou outras seis vezes com adversários que tiveram pelo menos 60 vitórias na temporada regular. Ganhou do Dallas Mavericks em 2003 e do Phoenix Suns em 2005 e 2007. As derrotas foram para Utah Jazz em 1998, Mavericks em 2006 e Miami Heat na decisão de 2013.


Calendário da série

Jogo 1 – 14/05 (domingo) – 16h30 – em Oakland
Jogo 2 – 16/05 (terça) – 22h – em Oakland
Jogo 3 – 20/05 (sábado) – 22h – em San Antonio
Jogo 4 – 22/05 (segunda) – 22h – em San Antonio
Jogo 5* – 24/05 (quarta) – 22h – em Oakland
Jogo 6* – 26/05 (sexta) – 22h – em San Antonio
Jogo 7* – 28/05 (domingo) – 22h – em Oakland
*Se necessário


Golden State Warriors

Campanha: 67 vitórias e 15 derrotas
Provável time titular: Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e Zaza Pachulia
Técnico: Steve Kerr
Como chega à final do Oeste: invicto, depois de varrer o Portland Trail Blazers e também o Utah Jazz sem a menor dificuldade. O time até chegou a ser desafiado em alguns momentos durante a série semifinal do Oeste, mas não de maneira consistente e que pudesse ser considerada ameaçadora. Talvez o terceiro jogo contra o Jazz tenha sido o que o Warriors passou mais perto de perder. Ainda assim, emplacou um bom ritmo na reta final daquela partida, comandado por um imparável Kevin Durant, e ganhou por 11 pontos. Aliás, das oito vitórias até agora nos playoffs, sete foram por uma diferença de dois dígitos.

San Antonio Spurs

Campanha: 61 vitórias e 21 derrotas
Provável time titular: Patty Mills, Danny Green, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge e Pau Gasol
Técnico: Gregg Popovich
Como chega à final do Oeste: em alta depois de eliminar o Houston Rockets com uma vitória fora de casa por 39 pontos de diferença e em uma partida na qual não contou com Kawhi Leonard. Quem também não participou deste jogo foi Tony Parker, que se machucou durante a série e está fora da temporada. Mas enquanto o Rockets usou uma rotação bem enxuta, o Spurs teve 11 jogadores com média de pelo menos dez minutos de ação por confronto. Um dos poucos que não fez parte deste grupo foi o pivô Dewayne Dedmon, que começou os playoffs como titular, mas que depois foi perdendo espaço.


O que merece atenção no duelo

A vantagem do confronto direto é do Spurs, que venceu dois dos três encontros. Mas uma destas vitórias foi logo no primeiro dia de temporada regular e a outra aconteceu em uma partida na qual ambas as equipes pouparam seus principais jogadores e se enfrentaram recheadas de reservas. No duelo mais recente e que mais pode ser levado como base para o que vem por aí, deu Warriors.

Uma pergunta que surge em um primeiro momento ao se pensar nesta série gira em torno de dois jogadores que vêm sendo titulares no Spurs: por quanto tempo Gregg Popovich conseguirá usar LaMarcus Aldridge e Pau Gasol juntos em quadra? O motivo pela dúvida em torno disso se dá pelo fato de o Warriors ser capaz de explorar muito bem Draymond Green longe da cesta, tornando-o até, muitas vezes, o armador de fato da equipe. Não é raro vê-lo levando a bola para o outro lado da quadra enquanto os arremessadores correm por bloqueios para serem acionados por ele em uma melhor condição de seguir punindo a defesa.

Esse tipo de ação forçaria um dos dois a marcar muito longe da cesta, completamente fora do que podem chamar de zona de conforto. E nem dá para Kawhi Leonard ficar o responsável por Green nestas horas porque isso significaria que Gasol ou Aldridge teriam de marcar Kevin Durant, Klay Thompson ou Stephen Curry, o que seria uma receita para o suicídio.

Em tese, o Spurs poderia tentar explorar o outro lado da moeda e castigar o garrafão adversário com seus pivôs, mas é algo difícil de imaginar dando tão certo assim na prática. Foi algo que o time de San Antonio já não conseguiu fazer de maneira consistente na série frente o Houston Rockets, em cima de Ryan Anderson e até de James Harden. Diante do Warriors, esse cenário tende a ser muito pior. Justamente porque Green é um excelente defensor e versátil ao extremo, capaz de infernizar a vida dos grandalhões da mesma maneira que consegue se virar contra oponentes mais baixos. Atacá-lo próximo ao garrafão passa muito, mas muito longe de ser um “mismatch” atraente para quem está atacando.

As coisas podem ser ainda mais desafiadoras para o Spurs neste sentido se o Warriors resolver colocar em quadra a sua nova versão do “quinteto da morte”, com Andre Iguodala entrando no lugar de Zaza Pachulia e Green deslocado para a posição cinco. Vira basicamente um time com cinco jogadores capazes de se revezar nas funções dentro de quadra constantemente e atuarem sem posições definidas, o que tem tudo para causar uma dor de cabeça enorme nos pivôs adversários que forem arrastados para fora do garrafão.

Diante disso, não é nem um pouco absurdo imaginar que Popovich resolva quebrar essa dupla Gasol e Aldrige para colocar mais tempo em quadra uma formação mais versátil, com capacidade de reagir melhor ao desafio que virá do outro lado. Quem pode acabar ganhando minutos nesta história é Jonathon Simmons, que apareceu muito bem quando requisitado contra o Rockets, especialmente na defesa. Mas também dá para pensar até mesmo em um resgate dos minutos de Dewayne Dedmon.

Em termos gerais, a defesa do Spurs fez um bom trabalho na série contra o Rockets, que teve um ataque extremamente poderoso durante a temporada regular. Mas a tarefa agora é muito mais difícil. O Warriors representa um encaixe difícil pelas razões já apresentadas e vai demandar o máximo de atenção e de perfeição nas execuções a cada posse de bola. Meio segundo de atraso nas reações aos bloqueios sem bola pode acabar gerando um buraco enorme. Se o oponente anterior não fez muita questão de morder as iscas dos arremessos de média distância, desta vez haverá um time do outro lado que não terá o menor problema em dar esses chutes e somar pontos desta maneira.

Também será interessante observar como Kawhi Leonard vai se virar nesta série. A tendência é de que ele seja muito, mas muito mais exigido nos dois lados da quadra agora do que foi nas duas rodadas anteriores dos playoffs. Ele continua sendo o melhor defensor de um time que vai encarar um rival que simplesmente não oferece opções para que ninguém seja escondido. Ou seja: vai ter trabalho demais o tempo todo. Ofensivamente, o ala vem sendo o principal articulador de jogadas, ficando cada vez mais com a bola nas mãos, e terá pela frente uma variedade de marcadores competentes e capazes de atrapalhá-lo. Ou seja: vai ter trabalho o tempo todo também neste sentido.


Palpite

Warriors vence a série. É claro que o Spurs tem tudo para ser o adversário mais desafiador de Stephen Curry e companhia até agora. Dependendo do quanto os arremessos difíceis do outro lado deixarem de cair, pode até prolongar essa decisão do Oeste para cinco, seis jogos. Mas é difícil imaginar que esse time alcance quatro vitórias em sete compromissos contra um oponente que tem armas demais e que pode se aproveitar dos erros do outro lado como ninguém.

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