Prévia da série – Golden State Warriors x Utah Jazz

Luís Araújo

(1º) Golden State Warriors X Utah Jazz (5º)

Confronto direto na temporada: 2 a 1 para o Warriors
Histórico nos playoffs: os times já se cruzaram outras três vezes. O encontro mais recente foi em 2007, também na semifinal de conferência, e teve vitória do Jazz. Nos outros dois encontros, 1987 e em 1989, o Warriors levou a melhor.
Curiosidade: hoje à frente do Jazz, Quin Snyder foi contratado em 2011 para integrar a comissão técnica do Los Angeles Lakers. O treinador do time californiano naquela oportunidade era Mike Brown, que hoje é auxiliar do Warriors e está tendo a responsabilidade de comandar a equipe enquanto Steve Kerr está afastado por causa das dores nas costas.


Calendário da série

Jogo 1 – 02/05 (terça) – 23h30 – em Oakland
Jogo 2 – 04/05 (quinta) – 23h30 – em Oakland
Jogo 3 – 06/05 (sábado) – 21h30 – em Salt Lake City
Jogo 4 – 08/05 (segunda) – 22h – em Salt Lake City
Jogo 5* – 10/05 (quarta) – horário a ser definido – em Oakland
Jogo 6* – 12/05 (sexta) – horário a ser definido – em Salt Lake City
Jogo 7* – 14/05 (domingo) – horário a ser definido – em Oakland
*Se necessário


Golden State Warriors

Campanha: 67 vitórias e 15 derrotas
Provável time titular: Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e Zaza Pachulia
Técnico: Steve Kerr
Como chega à semifinal do Oeste: dá para dizer que foi o time que menos teve trabalho na primeira rodada, despachando o Portland Trail Blazers em quatro jogos, Mesmo sem contar com Kevin Durant em duas partidas e com os reservas Matt Barnes e Shaun Livingston lesionados.

Utah Jazz

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: George Hill, Joe Ingles, Gordon Hayward, Boris Diaw e Rudy Gobert
Técnico: Quin Snyder
Como chega à semifinal do Oeste: precisou de sete jogos para eliminar Los Angeles Clippers, que não contou com Blake Griffin nos últimos quatro duelos da série. Mas o Jazz também teve seus problemas. Rudy Gobert se machucou na primeira partida e só voltou na quarta, a mesma na qual Gordon Hayward sofreu com problemas estomacais. As jogadas individuais de Joe Johnson nos momentos críticos e as contribuições de Joe Ingles, seja chamando “pick and roll” ou marcando JJ Redick sem bola, comandaram a classificação da equipe.


O que merece atenção no duelo

Gordon Hayward participou de só um dos três confrontos diretos entre os times na temporada regular. A mesma coisa aconteceu com George Hill. Aliás, quem leu a prévia da série do Jazz com o Los Angeles Clippers, antes da rodada anterior, viu que o elenco sofreu tanto com lesões que Quin Snyder não conseguiu colocar nenhuma formação em quadra por mais de 160 minutos. Muito pouco em comparação ao que qualquer outra equipe que foi aos playoffs fez durante a fase de classificação.

Na série antes do Clippers mesmo isso voltou a acontecer, ainda que em escala um pouco menor. Rudy Gobert machucou o joelho esquerdo na primeira posse de bola do Jazz nos playoffs e só voltou no quarto jogo, o mesmo em que Hayward não conseguiu atuar por mais do que nove minutos por problemas estomacais.

Mas existe uma razão pela qual o Jazz se classificou em quinto lugar do Oeste, estabeleceu uma das defesas mais eficientes da liga e avançou pelo Clippers na fase anterior. Trata-se de um elenco bastante versátil, capaz de atuar de diferentes maneiras e configurações dos dois lados da quadra.

É o tipo de coisa que em tese é muito interessante para se encarar um adversário tão poderoso e tão rico em armas como é o Warriors. Rudy Gobert, por exemplo, costuma ser monstruoso para defender contra formações altas por ser um excelente protetor do aro e se virar muito bem diante do “pick and roll”. É a peça certa para incomodar Zaza Pachulia com seus rebotes, dificultar as pontes aéreas que são feitas para JaVale McGee e fazer a cobertura em quem tentar infiltrar nos momentos em que um destes dois pivôs estiverem em quadra. Mas se o Warriors resolver tentar uma formação mais baixa, sem Pachulia ou McGee, o Jazz pode até manter o francês e apostar na mobilidade dele, como pode também usar Derrick Favors ou até mesmo Boris Diaw na posição cinco, colocando Joe Johnson ou Rodney Hood para completar o quinteto.

Vale ficar de olho também na movimentação dos defensores de perímetro do Jazz, seja nas vezes em que Stephen Curry levar a bola para o ataque ou quando Draymond Green ficar encarregado disso. George Hill reage muito bem em ambas as situações, ao passo que Joe Ingles fez um excelente trabalho diante do Clippers no sentido de resistir a bloqueios sem bola e continuar grudado em JJ Redick, atrapalhando demais um dos melhores chutadores da atualidade. É o tipo de coisa que pode ser extremamente importante contra um oponente que também usa bastante esses bloqueios sem bola para gerar arremessos.

O Jazz também pode apostar em trocar a marcação após bloqueios se for preciso. Claro que o Warriors vai levar esse teste para o nível mais alto possível, mas esse time já mostrou em outras oportunidades ao longo da temporada um bom nível de comunicação e leitura das ações para reagir de maneira correta e não abrir espaços bobos.

De qualquer maneira, o Warriors pode usar a altura de Kevin Durant para explorar o “mismatch” contra algum defensor mais baixo que cair na marcação dele depois destas trocas todas. Além disso tudo, para que essas suas coisas boas tenham chances de aparecer na série, o Jazz terá de encontrar uma maneira de controlar o ritmo do jogo. Trata-se de um time que costuma acelerar bem pouco as ações. Quanto mais lenta a partida, mais ela ficará dentro da zona de conforto da equipe. Se deixar as coisas virarem correria, aí não só o Jazz perderá uma característica forte como dará condições para que o adversário se sentir confortável. Combinação perigosa demais para quem vai encarar o Warriors.

Conseguir manter o alto nível da defesa para resistir o máximo possível contra um ataque mortal será desafiador para o Jazz. Mas a missão do outro lado da quadra será ainda mais complicada. O sistema defensivo do Warriors é tão bom ou melhor que o da equipe comandada por Quin Snyder, com o mesmo potencial muito grande de reagir com precisão a bloqueios sem bola e de evitar que buracos se abram perto da cesta.

A versatilidade e inteligência que o Jazz mostrou ofensivamente diante do Clippers terão de aparecer em um nível maior agora para que essa série tenha graça. O mesmo serve para as jogadas de isolação de Joe Johnson, que encontrarão dificuldades muito maiores para funcionar caso Andre Iguodala seja mandado para marcá-las.


Palpite

O Warriors vence a série. Já vai ser um feito e tanto se o Jazz evitar a varrida e ganhar um jogo. Dois então, melhor ainda. Mas é muito difícil imaginar esse confronto durando tanto assim.

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