Prévia da série – Houston Rockets x Oklahoma City Thunder

Luís Araújo

(3º) Houston Rockets x Oklahoma City Thunder (6º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Rockets
Histórico nos playoffs: o último confronto entre os dois aconteceu na primeira rodada de 2013, quando o Thunder avançou em seis jogos. Antes disso, os outros seis duelos aconteceram nos tempos de Seattle Supersonics, que ganhou cinco destas séries. A única vitória do Rockets aconteceu na semifinal do Oeste de 1997.
Curiosidade: O duelo nos playoffs de 2013 aconteceu logo na primeira temporada em que Harden foi trocado pelo Thunder para o Rockets. Ele teve 26,3 pontos por jogo naquela série, mas o aproveitamento nos arremessos ficou abaixo dos 40%. Do outro lado, Westbrook participou só das duas primeiras partidas, já que uma lesão no joelho direito o fez perder o restante dos playoffs. Além dos dois, Patrick Beverley e Nick Collison são os únicos que estiveram naquela série e que permanecem no Rockets e no Thunder, respectivamente.


Calendário da série

Jogo 1 – 16/04 (domingo) – 22h – em Houston
Jogo 2 – 19/04 (quarta) – 21h – em Houston
Jogo 3 – 21/04 (sexta) – 22h30 – em Oklahoma
Jogo 4 – 23/04 (domingo) – 16h30 – em Oklahoma
Jogo 5* – 25/04 (terça) – horário a ser definido – em Houston
Jogo 6* – 27/04 (quinta) – horário a ser definido – em Oklahoma
Jogo 7* – 29/04 (sábado) – horário a ser definido – em Houston
*Se necessário


Houston Rockets

Campanha: 55 vitórias e 27 derrotas
Provável time titular: James Harden, Patrick Beverley, Trevor Ariza, Ryan Anderson e Clint Capela
Técnico: Mike D’Antoni
Como chega aos playoffs: nos últimos dez jogos da fase de classificação, foram cinco vitórias e cinco derrotas. A certeza já há algum tempo de que ficaria na terceira posição do Oeste justifica o Rockets ter tirado o pé do acelerador nesta reta final. O que talvez seja mais interessante de se observar é a maneira como o sistema ofensivo ficou ainda mais eficiente depois do “All-Star Game”, o que coincide com a chegada de Lou Williams. O time passou a ter uma média de 112,5 pontos a cada 100 posses de bola.

Oklahoma City Thunder

Campanha: 47 vitórias e 35 derrotas
Provável time titular: Russell Westbrook, Victor Oladipo, Andre Roberson, Taj Gibson e Steven Adams
Técnico: Billy Donovan
Como chega aos playoffs: embalado pelos triplos-duplos históricos de Westbrook ao longo de toda a temporada e pelas amostras valiosas que ele deu de ser capaz de liderar reações pouco prováveis da equipe no fim dos jogos. Algumas vitórias na reta final da fase de classificação, especialmente sobre Orlando Magic e Denver Nuggets, foram provas disso.


O que merece atenção no duelo

A série que reúne dois grandes candidatos ao prêmio de MVP da temporada, o que por si só já é um atrativo e tanto. Mais do que isso: são dois jogadores que ficam muito com a bola nas mãos e que têm controle absoluto do que será feito no ataque, não à toa tiveram índices bastante altos em “usage rating” — estatística que mede a participação decisiva de um jogador nas posses de bola da sua equipe durante o tempo em que permaneceu em quadra. Seria um erro dizer que esse confronto é apenas uma questão entre James Harden e Russell Westbrook. Mas o impacto que eles têm é tão grande que não tem como não olhar para essa série e imaginar os desdobramentos dela a partir do que esses dois fizerem e de como forem encarados pela defesa do outro lado.

A marcação em cima de Harden deverá ser feita na maior parte do tempo por Andre Roberson. Ao longo dos quatro confrontos diretos com o Rockets na temporada, ele ficou encarregado desta missão por cerca de 32 minutos, tempo maior do que qualquer outro defensor que tenha cruzado o caminho do craque adversário. Resultado: limitou o oponente a um aproveitamento nos arremessos de dez certos em 33 tentados. Nas bolas de três, caíram só duas das 14 que foram arriscadas.

Do outro lado, Patrick Bevelrey é quem deverá receber a missão de começar marcando Westbrook. Trata-se de um defensor extremamente competente e que pode realmente irritar o principal jogador do Thunder. Será interessante acompanhar isso e ver se ele conseguirá fazer o armador adversário cometer erros, não só com desperdícios de posse de bola em si, mas também com finalizações mais afastadas da sua zona de conforto.

Só que é claro que as coisas vão muito além da marcação individual sobre esses dois. Primeiro porque há sempre a possibilidade de eles forçarem trocas para criarem um confronto que seja um pouco mais favorável. E também porque Harden e Westbrook são jogadores que podem ser decisivos e comandarem vitórias mesmo em partidas nas quais amassam o aro e abusam dos desperdícios ofensivos, tamanha é a atenção que demandam de todo o sistema defensivo que estiver do outro lado e da capacidade de encontrar boas opções de passe — muitas delas beneficiadas justamente pelo espaço que eles criam.

O Thunder foi o time que menos rendeu em bolas de três na temporada. De vez em quando, até dá para ver Westbrook forçando uma infiltração ou castigando marcadores mais altos no “post-up” antes de soltar a bola para o arremesso de alguém com espaço de longa distância — seja de Victor Oladipo, Alex Abrines, Domantas Sabonis e até mesmo Roberson, que deveria ser expressamente proibido de continuar tentando esses tiros. Mas, em geral, não é algo que costuma ser uma força da equipe. O que funciona mesmo são as finalizações dentro do garrafão. Em parte por causas das ações em direção à cesta de Westbrook, mas também por causa da exploração dos pivôs e do bom deslocamento sem bola de gente como Jerian Grant e Roberson, que sabem fazer esse tipo de coisa muito bem e aparecem com frequência ao redor do aro para concluir as jogadas.

Com o Rockets, as coisas são bem diferentes. Para começo de conversa, o time foi o que mais concentrou suas finalizações em arremessos de três. Harden de vez em quando tenta bolas de longe a partir de um bloqueio ou mesmo com o espaço que consegue gerar no um contra um, mas é muito claro para quem está acostumado a ver os jogos deste time que isso é só uma pequena parte do processo. Graças justamente a essa capacidade dele de driblar e explorar bem os bloqueios, muitos espaços são criados e fazem a defesa correr atrás o tempo todo na tentativa de cobri-los, o que pode gerar resultados interessantes demais se uma boa movimentação de bola vier em seguida.

Às vezes, basta um passe de Harden para encontrar alguém com liberdade — e isso ajuda a explicar a liderança dele no ranking de assistências por jogo na temporada. Em outras vezes, esse passe é só o primeiro de uma série. Também é por isso que o impacto do camisa 13 neste sistema ofensivo vai muito além do que mostram as estatísticas tradicionais. Há muitas situações em que a assistência é contada para um outro jogador, mas que nada teria acontecido se não fosse Harden criando o desequilíbrio na defesa lá no começo da jogada.

Um outro ponto bastante interessante e com potencial enorme de causa uma influência absurda nesta série passa pelas possibilidades de formações. O Rockets gosta de correr bastante quando tem a bola nas mãos, tanto que teve o terceiro ritmo de jogo mais rápido da temporada. A presença de um jogador na posição quatro como Ryan Anderson já escancara sempre a possibilidade de “pick and pop” e definições rápidas, mas Mike D’Antoni pode muito bem recorrer a quintetos que tenham Eric Gordon ou Lou Williams no lugar de Anderson, com Trevor Ariza fazendo a posição quatro de uma formação bem mais baixa e capacitada a acelerar ainda mais as coisas. Isso pode funcionar diante de um adversário como o Thunder, que costuma jogar boa parte do tempo com dois jogadores mais pesados de garrafão.

Só que tem o outro lado desta questão também: o Thunder foi o melhor time da temporada em rebotes de ataque. De qualquer jeito, isso já seria uma vantagem a se ficar de olho neste duelo. Se o Rockets mergulhar fundo mesmo na ideia de apostar em formações mais baixas, pode acabar dando a possibilidade de o adversário maximizar um ponto que já é muito forte.


Palpite

O Rockets vence a série. Pode ser que perca dois ou até três jogos, o que não seria inimaginável diante de um Westbrook completamente pilhado. Mas as bolas de três dos comandados de D’Antoni vão acabar caindo e ditarão o ritmo rumo à fase seguinte.

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