Prévia da série – Paulistano x Basquete Cearense

Luís Araújo

(6º) Paulistano x Basquete Cearense (11º)

Confronto direto na temporada: 2 a 0 para o Paulistano
Histórico nos playoffs: os dois times se cruzaram em 2013, também nas oitavas. O Paulistano venceu aquela série por 3 a 2.
Curiosidade: O Basquete Cearense disputou três séries de playoffs do NBB até hoje e não venceu nenhuma. Mesmo no ano passado, quando chegou às quartas, entrou direto nesta fase por ter feito uma das quatro melhores campanhas da fase de classificação.


Calendário da série

Jogo 1 – 06/04 (quinta) – 20h30 – Ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza (Facebook Live)
Jogo 2 – 09/04 (domingo) – 19 horas – Ginásio Antonio Prado Junior, em São Paulo (SporTV)
Jogo 3 – 11/04 (terça) – 19 horas – Ginásio Antonio Prado Junior, em São Paulo (SporTV)
Jogo 4* – data e horário a definir, em Fortaleza
Jogo 5* – data e horário a definir, no Ginásio Antonio Prado Junior, em São Paulo
*Se necessário


Arthur Pecos, uma das armas do Paulistano (Foto: Ale da Costa/Portrait Imagens)

Paulistano

Campanha: 16 vitórias e 12 derrotas
Provável time titular: Arthur Pecos, Georginho, Lucas Dias, Daniel Hure e Guilherme Hubner
Técnico: Gustavo De Conti
Como chega aos playoffs: em alta, com cinco vitórias consecutivas e oito nas últimas dez rodadas. Essa sequência inclui um triunfo sobre o líder Flamengo e outro sobre o Basquete Cearense, adversário que tem agora pela frente. O desempenho na reta final representa uma boa reação deste time recheado de jovens após uma série de derrotas entre o fim do primeiro turno e o começo do segundo que o levara para a parte de baixo da tabela de classificação.

Davi Rossetto, líder do Basquete Cearense dentro de quadra (Foto: Stephan Eilert/Solar Cearense)

Basquete Cearense

Campanha: 12 vitórias e 16 derrotas
Provável time titular: Davi Rossetto, Duda Machado, Gruber, Felipe e Léo Waszkiewicz
Técnico: Alberto Bial
Como chega aos playoffs: a campanha abaixo dos 50% de aproveitamento é decepcionante para um time que teve uma campanha tão boa no ano passado, quando chegou até a se classificar direto para as quartas. As quatro vitórias nas últimas dez rodadas também não ajudam a aumentar os ânimos às vésperas dos playoffs. Ao menos a equipe conseguiu fazer bons jogos contra alguns dos líderes do campeonato, o que serve para manter vivas as esperanças de crescimento na hora mais importante da temporada.


Mogi, do Paulistano, busca encontrar espaços na defesa do Basquete Cearense (Foto: Ale da Costa/Portrait Imagens)

O que merece atenção no duelo

Defesa do Basquete Cearense 

Apesar de ter ficado apenas com a 11ª campanha da fase de classificação, o Basquete Cearense chega aos playoffs com a quinta defesa mais eficiente do NBB. De acordo com levantamento do RealGM, o time tomou em média 104,5 pontos a cada 100 posses de bola. Existem outros dois fatores importantes e que estão relacionados a essa qualidade na hora de conter os rivais. Uma delas é a competência nos rebotes de defesa, coletando 76,9% de todos os disputados — índice mais alto de todo o campeonato nesta primeira fase. Outra é o fato de ter sido um dos cinco times que proporcionalmente menos cometeram desperdícios de posse de bola na competição.

Mas ao olhar apenas para os arremessos dos adversários, aí o desempenho da defesa do Basquete Cearense é apenas mediano, tendo permitido até agora um aproveitamento de 43,6% — o sétimo no ranking do NBB, ao lado de Campo Mourão e Franca.

O que esses dados todos indicam? Que a equipe é a que menos cede novas chances para os rivais pontuarem após arremessos errados e também não costuma sofrer desarmes, o que evita bastante as cestas fáceis em contra-ataques. Mas que não se destaca tanto assim em meio ao resto do campeonato nas vezes em que permite que os oponentes consigam concluir os seus ataques.

Contraste entre os ataques

Só que o Paulistano apresentou algumas características ao longo da competição que podem incomodar bastante essa defesa do Basquete Cearense. Para começo de conversa, o ataque foi o segundo mais eficiente da fase de classificação, atrás apenas do Flamengo, fazendo em média 113,5 pontos a cada 100 posses de bola. Em que pese o fato de ter sido só o décimo no ranking de arremessos (convertendo 43,6% de suas tentativas, exatamente o mesmo índice que o rival nordestino costuma ceder), a equipe de Gustavo De Conti foi a quarta melhor em bolas de três pontos, acertando 34,7% dos seus tiros, e a segunda em rebotes de ataque, conquistando 31,3% dos que disputou.

O sistema ofensivo do Paulistano também se destaca por cuida da bola como nenhum outro neste NBB, usar muitas assistências para fazer as suas cestas e aproveitar os muitos erros que força dos rivais para sair em contra-ataques. Perder tantas bolas e permitir saídas em velocidade a um time jovem, que tem gente atlética demais como Georginho, Mogi e Arthur Pecos para sair correndo e punir imediatamente esses erros, pode custar muito caro. O Basquete Cearense foi um dos cinco times que menos cometeu desperdícios ofensivos na fase de classificação e precisará continuar se controlando bastante neste sentido para não deixar as coisas mais fáceis para o rival.

Audrei, do Basquete Cearense, encara a marcação de Renato (Foto: Stephan Eilert/Solar Cearense)

Na defesa, o Paulistano é pior do que o Basquete Cearense quando o assunto é limitar arremessos. O aproveitamento de 45,2% representa a pior marca dentre todos os times classificados para os playoffs do NBB — só Caxias do Sul, Liga Sorocabana e Minas tiveram resultados inferiores neste sentido. Acontece que o time de Alberto Bial teve justamente o sistema ofensivo como um dos grandes problemas ao longo da temporada. A média de 101,3 pontos a cada 100 posses de bola foi a terceira mais baixa da fase de classificação — melhor apenas do que os já eliminados Caxias do Sul e Liga Sorocabana.

Uma coisa que ajuda a explicar desempenho tão ruim é o aproveitamento de 40,6% nos arremessos, o segundo mais baixo de todo o NBB — e esse índice poderia ter sido ainda pior se a equipe cearense não fosse uma das que mais rouba bolas dos oponentes. Um dado que chama a atenção nesta história toda é o fato de usar menos assistências do que qualquer outro time do campeonato. Isso significa que muitas jogadas acabam precisando ser definidas em ações individuais, algo que não casa muito com o estilo dos jogadores do elenco.

Variáveis dos elencos

Georginho não só é um dos jogadores mais promissores do país como pode ser um fator importante nesta série graças à sua versatilidade. É comum ele começar as partidas armando, tendo Mogi ao seu lado no quinteto titular. Mas Arthur Pecos, outro jovem que vem se destacando neste NBB, tem recebido muitos minutos e assumido a posição um na maior parte do tempo, liberando Georginho para atuar sem bola — algo que ele está fazendo de forma cada vez mais eficiente ao longo dos últimos meses.

Ainda sobre os armadores, vale a pena observar como será a organização das ações do Basquete Cearense. Durante alguns momentos na temporada, deu para ver Davi Rossetto ser acionado depois de o time cruzar a quadra, deixando um outro companheiro qualquer levar a bola. É uma estratégia válida para tentar reagir à tentativa dos adversários de pressioná-lo desde a defesa, mas isso acaba fazendo com que o armador acabe iniciando a construção das jogadas depois de alguns segundos preciosos no relógio de bola terem sido comidos, o que o deixa com bem menos tempo para se virar.

Também será interessante acompanhar como os dois treinadores vão utilizar os seus grandalhões. Léo Waszkiewicz costuma entregar um bom trabalho quando precisa proteger o garrafão, mas pode perder parte do seu impacto se Renato Carbonari morder alguns minutos da posição cinco do Paulistano. Aí Bial pode tentar responder com uma formação mais baixa, com Felipe e Toledo.


Palpite

Paulistano vence a série.

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