Prévia da série – San Antonio Spurs x Houston Rockets

Luís Araújo

(2º) San Antonio Spurs X Houston Rockets (3º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Spurs
Histórico nos playoffs: os times já se cruzaram em outras três oportunidades. Todas tiveram o Rockets como vencedor. O último encontro aconteceu na final do Oeste de 1995, ano em que o time comandado dentro de quadra por Hakeem Olajuwon avançou em seis jogos e caminhou para a conquista do segundo título consecutivo.
Curiosidade: o Rockets era a única equipe da Conferência Oeste que nunca tinha cruzado o caminho do Spurs sob o comando de Gregg Popovich nos playoffs


Calendário da série

Jogo 1 – 01/05 (segunda) – 22h30 – em San Antonio
Jogo 2 – 03/05 (quarta) – 22h30 – em San Antonio
Jogo 3 – 05/05 (sexta) – 22h30 – em Houston
Jogo 4 – 07/05 (domingo) – 22h – em Houston
Jogo 5* – 09/05 (terça) – horário a ser definido – em San Antonio
Jogo 6* – 11/05 (quinta) – horário a ser definido – em Houston
Jogo 7* – 14/05 (domingo) – horário a ser definido – em San Antonio
*Se necessário


San Antonio Spurs

Campanha: 61 vitórias e 21 derrotas
Provável time titular: Tony Parker, Danny Green, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge e Dewayne Dedmon
Técnico: Gregg Popovich
Como chega à semifinal do Oeste: eliminou o Memphis Grizzlies em seis jogos. Depois de vencer fácil as duas primeiras partidas e dar pinta de que avançaria tranquilamente, viu o oponente ganhar as duas seguintes e engrossar o resto da série. Mas acabou se mostrando um time com armas demais para se virar diante dos esforços defensivos do outro lado, por melhores que eles tenham sido.

Houston Rockets

Campanha: 55 vitórias e 27 derrotas
Provável time titular: James Harden, Patrick Beverley, Trevor Ariza, Ryan Anderson e Clint Capela
Técnico: Mike D’Antoni
Como chega à semifinal do Oeste: eliminou o Oklahoma City Thunder em cinco jogos na primeira rodada. James Harden foi muito bem marcado por Andre Roberson e Russell Westbrook teve um conjunto de apresentações impressionantes do outro lado, mas o Rockets acabou sendo um time muito mais poderoso do que o Thunder poderia aguentar. Especialmente nos momentos em que Westbrook ia para o banco de reservas descansar.


O que merece atenção no duelo

O Spurs venceu três dos quatro confrontos diretos na temporada, é verdade. Mas um destes triunfos foi por seis pontos de diferença. Os outros dois, por apenas dois. Mesma margem da única vitória que o Rockets teve. Para quem espera ver uma série longa e equilibrada entre dois dos três melhores e mais regulares times do Oeste, esses indícios são bastante animadores.

Durante a série contra o Memphis Grizzlies na primeira rodada, duas coisas chamaram demais a atenção em Kawhi Leonard. Uma delas foi o índice de 31,5% de “Usage Rating”, que é uma estimativa da quantidade das jogadas de um time que têm participação decisiva de um determinado atleta enquanto ele esteve em quadra. A outra é o aproveitamento de 71,5% em “True Shooting Percentage”, estatística que leva em conta chutes de três, de dois e lances livres. São números muito altos, especialmente esse segundo. É surreal que ele tenha sido tão eficiente assim na hora de colocar a bola dentro da cesta.

Mas vale lembrar de alguns pontos que foram importantes nesta história toda. Em primeiro lugar, o Grizzlies não contou com Tony Allen, que não só é disparadamente o melhor defensor do time como é também um dos mais eficientes de toda a liga. Wayne Selden e James Ennis até se esforçaram para dificultar a vida de Leonard, mas não foi a mesma coisa. Allen realmente fez falta. Além disso, não havia no ataque do outro lado alguém que precisasse ser marcado por Leonard e que realmente pudesse incomodá-lo, já que Mike Conley e Marc Gasol foram acompanhados por outros jogadores do Spurs.

Ou seja: além de poder concentrar praticamente toda a sua energia no ataque, Leonard ainda não tinha um dos melhores defensores de perímetro da NBA pela frente. Desta vez, as coisas serão diferentes. De um lado da quadra, o camisa 2 do Spurs provavelmente será vigiado por Trevor Ariza. Do outro, James Harden terá a bola nas mãos para criar, e é desnecessário dizer sobre o quanto isso é perigoso para quem vai enfrentar o Rockets. A tarefa de marcá-lo será inicialmente de Danny Green, mas poderá cair para Leonard, especialmente na reta final dos jogos. Quanto esse cenário todo vai afetá-lo?

Apesar de Leonard participar tanto assim do ataque, não há dúvidas de que o Spurs consegue usar outras armas para criar situações de ataque. Tony Parker foi outro que teve uma ótima série contra o Grizzlies, principalmente por adotar postura agressiva após receber bloqueios. Outro que pode resolver — aliás até mais do que o armador francês — é LaMarcus Aldridge, com tiros de média distância ou suas sempre perigosas ações no “post-up”.

Aliás, passa por Aldridge um ponto que pode ser importante neste confronto. O Rockets começou os jogos com Ryan Anderson durante a temporada, mas também gostou bastante de usar formações mais baixas nas quais Eric Gordon ou Lou Williams o substituíam. Isso permitiu o time explorar mais o ritmo veloz de jogo e as bolas de três, característica muito forte nesta equipe. É algo que pode incomodar o ala-pivô do Spurs na defesa, mas que também pode oferecer situações excelentes para ele agir no ataque. O que será que vai prevalecer nesta história?

Com relação ao garrafão do Rockets, há motivos para acreditar que Clint Capela terá um impacto maior nesta série do que teve diante do Thunder na primeira rodada. Sua capacidade atlética para completar pontes aéreas podem aparecer mais diante dos pivôs do Spurs, especialmente se Aldridge ou Pau Gasol estiverem envolvidos.

Na verdade, vai depender mais dos espaços que Harden conseguir gerar a partir do “pick and roll” e da quantidade de defensores extras que ele vier a mobilizar nestes lances, o que pode abrir as portas para pontes aéreas ou para os chutes de três livres dos cantos da quadra. É por isso que a reação de Danny Green ou de quem mais estiver em cima dele no início das jogadas será um ponto crucial na série.


Palpite

O Spurs vence a série. Puro chute, só para não ficar em cima do muro mesmo. Tem tudo para ser o melhor confronto desta fase, cheio de alternâncias, ajustes de lado a lado e bastante equilíbrio. Não será surpresa alguma se durar sete jogos, como também causará zero de espanto se o Rockets levar a melhor. Mas o elenco um pouco mais amplo em termos de opções e o mando de quadra fazem a escolha pender time de San Antonio.

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