Prévia da série – San Antonio Spurs x Memphis Grizzlies

Luís Araújo

(2º) San Antonio Spurs x Memphis Grizzlies (7º)

Confronto direto na temporada: 2 a 2
Histórico nos playoffs: os times já se cruzaram quatro outras vezes. O Spurs venceu na primeira rodada do ano passado e em duas outras oportunidades, incluindo a final do Oeste de 2013. A única série na qual o Grizzlies levou a melhor foi na primeira fase de 2011.
Curiosidade: os 74 pontos anotados em uma destas derrotas para o Grizzlies acabou sendo a pontuação mais baixa do Spurs na temporada. Nesta mesma partida, o aproveitamento nos arremessos foi de 36,6%, o segundo pior do time neste campeonato, superando apenas os 36,3% em uma derrota para o New York Knicks.


Calendário da série

Jogo 1 – 15/04 (sábado) – 21h – em San Antonio
Jogo 2 – 17/04 (segunda) – 22h30 – em San Antonio
Jogo 3 – 20/04 (quinta) – 22h30 – em Memphis
Jogo 4 – 22/04 (sábado) – 21h – em Memphis
Jogo 5* – 25/04 (terça) – horário a ser definido – em San Antonio
Jogo 6* – 27/04 (quinta) – horário a ser definido – em Memphis
Jogo 7* – 29/04 (sábado) – horário a ser definido – em San Antonio
*Se necessário


San Antonio Spurs

Campanha: 61 vitórias e 21 derrotas
Provável time titular: Tony Parker, Danny Green, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge e Dewayne Dedmon
Técnico: Gregg Popovich
Como chega aos playoffs: as derrotas nos últimos jogos importam pouco. O time já sabia que ficaria em segundo lugar do Oeste de qualquer jeito e poupou jogadores. O que importa mesmo é que o Spurs conseguiu se manter entre as potências defensivas da liga mais uma vez, mesmo na primeira temporada em duas décadas sem Tim Duncan.

Memphis Grizzlies

Campanha: 43 vitórias e 39 derrotas
Provável time titular: Mike Conley, Andrew Harrison, Vince Carter, JaMychal Green e Marc Gasol
Técnico: David Fizdale
Como chega aos playoffs: o time caiu demais depois do “All-Star Game”. Dos 24 jogos que disputou desde então, perdeu 15. Além disso, viu a defesa piorar consideravelmente e permitir 108,8 pontos a cada 100 posses de bola durante esse período. Para piorar ainda mais as coisas, Tony Allen sofreu uma lesão na reta final de classificação e não tem prazo para retornar.


O que merece atenção no duelo

Foram dois dos cinco times que tiveram ritmo de jogo mais lento da NBA nesta temporada. Dá para esperarmos então algo mais ou menos nesta linha ao longo da série. Nada de pé no acelerador.

A ausência de Tony Allen deverá ser muito sentida pelo Grizzlies. Seria ele o principal defensor de Kawhi Leonard, que se consolidou de vez como o principal articulador e definidor do ataque do Spurs, com participação decisiva em 31,2% das jogadas. Das cinco formações mais utilizadas pelo time de Memphis nesta temporada, quatro contaram com Allen. Incluindo a única que apresentou “Net Rating” positivo: a que teve ele ao lado de Mike Conley, Vince Carter, JaMyhcal Green e Marc Gasol, com saldo de 16,2 pontos a cada 100 posses de bola.

Sem Allen, como ficará a marcação em cima de Leonard? É muito difícil imaginar como alguém conseguirá incomodá-lo, seja na defesa individual nos momentos em que o camisa 2 do Spurs carregar a bola para chamar jogadas, seja para correr atrás dele e o impedir de ser acionado em movimento para atacar a cesta ou chutar de onde estiver.

Começar uma série com esse tipo de problema, diante de um grande candidato a MVP, é extremamente preocupante para qualquer um. Ainda mais para um time como o Grizzlies, que também não conta — já há algum tempo — com Chandler Parsons. O ala chegou dando esperança de ajudar a levar esse sistema ofensivo a um outro nível. O técnico David Fizdale chegou até declarar que imaginava usá-lo mais ou menos de um jeito como LeBron James funcionava no Miami Heat. Pareceu uma forçada de barra desde o primeiro momento e nem deu para acompanhar essa história direito porque as lesões atrapalharam demais um jogador que, em condições normais de temperatura e pressão, poderia ser uma ameaça ao lado de Mike Conley no perímetro e causar algum incômodo para o outro lado neste sentido.

Aliás, é justamente o banco de reservas um outro fator que pode pesar bastante nesta série. Sem Parsons e agora sem Allen, o Grizzlies chega com a rotação ainda mais prejudicada, com leque de opções realmente confiáveis bem menor à disposição de Fizdale. Do outro lado, o Spurs mantém a sua tradição recente de contar com suplentes bastante eficientes e capazes de entrar em quadra sem deixar o nível cair.

A cereja deste bolo atende pelo nome de Pau Gasol, que passou a ser usado a partir do banco de reservas depois que voltou de um tempo lesionado. Durante essa ausência, Gregg Popovich experimentou Dewayne Dedmon como titular e viu as coisas funcionarem bem, sobretudo no que diz respeito à defesa perto da cesta. Assim, quando voltou, Gasol passou a entrar nas partidas no decorrer delas e tem se encaixado bem neste papel. Ofensivamente, uma coisa que vem chamando a atenção no espanhol é o aproveitamento de 54,4% nos arremessos de três em situação de “catch and shoot”– em que o jogador recebe e chuta em seguida. É a melhor marca da liga dentre jogadores que tentaram ao menos 100 tiros assim e algo que amplia ainda mais o já vasto arsenal de armas dele.

Dá para imaginar coisas boas no ataque quando Gasol e LaMarcus Aldridge jogam juntos. Afinal de contas, o time passa a contar com dois grandalhões de muita técnica e que podem abrir demais a quadra com arremessos certeiros de fora do garrafão. Mas a defesa pode vir a ser um problema, especialmente se o ataque adversário conseguir tirá-los da zona de conforto e levá-los para mais longe do aro, forçando-os a saírem para fazer coberturas. Se esse tipo de coisa acontecer, não será tão estranho se Popovich optar por deixar David Lee — que de repente virou um defensor competente em San Antonio — e Dedmon juntos em quadra no lugar dos outros dois.

Apesar de Conley ter uma postura um pouco mais agressiva nesta temporada — que pode chutar de longe e também infiltrar para tentar abrir buracos nas defesas perto da cesta — e da proposta de tornar JaMychal Green titular para espaçar mais a quadra, combinado com um desempenho cada vez melhor de Marc Gasol nos tiros de três, certas coisas não mudaram assim tão fácil. O Grizzlies continua sendo o time que mais depende das ações no “post-up”.

As definições em 11,6% das posses de bola em jogadas do tipo representam a maior marca da liga, mas não é só isso. Muitas vezes, os jogadores de costas para a cesta atraem a dobra da marcação e dão início a uma movimentação eficiente sem bola, que pode acabar em um passe para alguém cortando em direção à cesta ou em bolas de longe de Conley, Troy Daniels ou até de Gasol e Green. Mas também será perfeitamente compreensível se Zach Randolph, que virou reserva nesta temporada, ganhar mais e mais minutos para que o Grizzlies tente ampliar o poder desta arma e endurecer a série a partir dela.


Palpite

O Spurs vence a série. E com boas chances de voltar a varrer. Apesar dos confrontos diretos parelhos durante a temporada, o Grizzlies não deu sinais na reta final de temporada de que pode incomodar Gregg Popovich e companhia.

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