Prévia da série – Toronto Raptors x Milwaukee Bucks

Luís Araújo

(3º) Toronto Raptors x Milwaukee Bucks (6º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Raptors
Histórico nos playoffs: essa é a primeira vez que os dois times se cruzam.
Curiosidade: Greg Monroe está na NBA desde 2010 e era, até essa temporada, o jogador com o maior número de partidas disputadas na liga sem nunca ter ido aos playoffs. A classificação do Bucks neste ano o permitiu deixar essa incômoda condição com Omri Casspi.


Calendário da série

Jogo 1 – 15/04 (sábado) – 18h30 – em Toronto
Jogo 2 – 18/04 (terça) – 20h – em Toronto
Jogo 3 – 20/04 (quinta) – 21h – em Milwaukee
Jogo 4 – 22/04 (sábado) – 16h – em Milwaukee
Jogo 5* – 24/04 (segunda) – horário a ser definido – em Toronto
Jogo 6* – 27/04 (quinta) – horário a ser definido – em Milwaukee
Jogo 7* – 29/04 (sábado) – horário a ser definido – em Toronto
*Se necessário


Toronto Raptors

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: Kyle Lowry, DeMar DeRozan, DeMarre Carroll, Serge Ibaka e Jonas Valanciunas
Técnico: Dwane Casey
Como chega aos playoffs: foram quatro vitórias seguidas para encerrar a temporada e oito nas dez últimas partidas, bom o suficiente para confirmar uma separação em relação ao Washington Wizards e abocanhar o terceiro lugar do Leste. A defesa se tornou uma das mais fortes da NBA desde o “All-Star Game” e teve papel crucial no crescimento do time nas últimas semanas. Outro fator importante é a volta de Kyle Lowry, que perdeu mais de 20 jogos por causa de uma lesão no pulso, mas retornou a tempo de dividir a quadra com o resto dos companheiros por um tempinho antes dos playoffs.

Mikwaukee Bucks

Campanha: 42 vitórias e 40 derrotas
Provável time titular: Malcolm Brogdon, Khris Middleton, Tony Snell, Giannis Antetokounmpo e John Henson
Técnico: Jason Kidd
Como chega aos playoffs: a exemplo do Raptors, também cresceu de produção depois do “All-Star Game”, sobretudo graças ao retorno de Khris Middleton. Foram 17 vitórias e dez derrotas desde então, campanha que permitiu o salto da equipe, que chegou a ficar boa parte do campeonato fora da zona de classificação para os playoffs.


O que merece atenção no duelo

O Raptors terminou a temporada com o sexto ataque mais eficiente e com a oitava melhor defesa no geral — que ficou ainda mais eficiente depois do “All-Star Game”, como já apontado anteriormente. Foi o único time do Leste que ficou entre os dez melhores nos dois lados da quadra. Só que do mesmo jeito que a defesa evoluiu do fim de fevereiro para cá, o ataque apresentou uma queda. É claro que a ausência de Kyle Lowry é um fator que deve ser levado em conta, mas ainda assim é algo para se ficar de olho neste início de playoffs.

Uma das caras novas do time no meio da temporada, Serge Ibaka foi o segundo jogador da liga que mais tentou arremessos em situações de “catch and shoot” — quando um jogador simplesmente recebe e chuta. É algo interessante, especialmente por causa da capacidade dele de espaçar a quadra com arremessos de longa distância, mas que não deve ser encarado como regra. Sabemos muito bem que o Raptors tem outras características ofensivas muito mais marcantes do que isso.

Além do ritmo lento, uma marca registrada do ataque deste time é o uso de poucas assistências para pontuar. Somente 47,2% das cestas produzidas ao longo do campeonato dependeram de um passe antes, o que representa o índice mais baixo da NBA nas últimas 27 temporadas. Isso passa por algumas outras coisas bem evidentes nesta equipe, como as ações de DeMar DeRozan na média distância e os chutes de três de Kyle Lowry após os bloqueios que recebe quando tem a bola nas mãos — o aproveitamento do armador nestas bolas é de 42%, o que é muito bom.

Dá para imaginar o Bucks reagindo bem a isso, principalmente evitando as sempre perigosas infiltrações da dupla, com jogadores versáteis e capazes de trocarem bastante a marcação depois dos bloqueios. O time de Jason Kidd não terminou a temporada entre os dez mais eficientes, por exemplo. Nem mesmo chegou a ter essa marca durante o crescimento no período pós “All-Star Game”. Mas os melhores momentos deste sistema defensivo foram animadores o suficiente para imaginar coisas interessantes se der as caras nos playoffs.

Em todo caso, ainda que o Bucks consiga encaixar boa marcação para lidar com essa estratégia ofensiva do Raptors, um outro fator continuará preocupando: os rebotes de defesa. O time foi um dos cinco piores neste fundamento ao longo da temporada, o que é muito perigoso por motivos óbvios. Afinal de contas, dar muitas novas chances de pontuação pode custar caro demais, especialmente para um adversário que tem um sistema ofensivo estatisticamente bastante eficiente.

Do outro lado da quadra, o grande desafio da defesa do Raptors atende pelo nome de Giannis Antetokounmpo, é claro. O grego foi o segundo jogador em toda a NBA que mais vezes finalizou dentro da área restrita, atrás apenas de LeBron James. Por outro lado, o aproveitamento dele nos arremessos de média distância foi só de 33%. Nas bolas de três, pior ainda: 27%. A receita parece clara para a equipe canadense: mantê-lo ao máximo longe do garrafão, induzindo os chutes afastados.

Na teoria, tudo certo. O negócio é fazer isso acontecer na prática. Antetokounmpo é uma aberração física e atlética, uma máquina ambulante de “mismatch”. Quem vai conseguir segurá-lo, impedindo que ele simplesmente passe por cima de todos e use os braços longos para colocar a bola na cesta? Parece ser o tipo de coisa para ser resolvida muito mais coletivamente do que individualmente, com gente preparada para aparecer na cobertura e ajudar a congestionar o caminho do grego.

O fato de a principal estrela estar cercada por jogadores que sabem se movimentar sem bola também ameaça. Malcolm Brogdon, Matthew Dellavedova e até Tony Snell são jogadores que contribuíram bastante para que o Bucks fosse o décimo melhor time da NBA em bolas de três, com aproveitamento de 37%, mas também sabem se deslocar na hora certa em direção à cesta, mantendo seus marcadores preocupados o tempo todo e abrindo o leque de possibilidades quando Antetokounmpo está no comando das ações.

Esse bom desempenho de longe é importante, mas o Bucks gosta mesmo é de pontuar dentro do garrafão. De todos os arremessos que a equipe deu no campeonato, só 47% foram dados fora da área pintada. Nenhum outro time dependeu tanto das ações perto da cesta assim. Além das infiltrações de Antetokounmpo e dos cortes sem bola dos jogadores já citados, esse fator também passa por Greg Monroe, que consegue muitas vezes resolver um ataque quebrado com o bom trabalho de “post-up”, seja finalizando ou encontrando alguém com espaço depois de atrair as atenções da marcação rival.

Será interessante acompanhar como o Raptors vai reagir a tudo isso. Pode ser que Ibaka acabe passando muitos minutos na posição cinco, com PJ Tucker ganhando bastante espaço na rotação ao lado dos principais jogadores. Isso pode funcionar melhor nesta missão de tentar encontrar respostas para as peculiaridades do sistema ofensivo adversário. Por outro lado, poderia abalar o trunfo dos rebotes de ataque.


Palpite

O Raptors vence a série, mas não sem trabalho. Primeiro porque é difícil imaginar o time canadense passando com sobras por uma fase dos playoffs. Mas também porque o Bucks é capaz de apresentar uma defesa muito boa quando consegue encaixá-la. Não será surpresa nenhuma se essa série chegar a sete jogos.

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