Prévia da série – Los Angeles Clippers x Utah Jazz

Luís Araújo

(4º) Los Angeles Clippers x Utah Jazz (5º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Clippers
Histórico nos playoffs: as equipes se cruzaram outras duas vezes. Ambas também foram na primeira rodada — em 1992 e em 1997 –  e tiveram o Jazz como vencedor.
Curiosidade: o histórico nos playoffs pode ser totalmente favorável ao Jazz, mas as coisas mudam completamente se olharmos para o confronto direto nos últimos anos. Desde a temporada 2011/12, os times se enfrentaram 21 vezes. Foram 18 vitórias do Clippers neste período e só três do Jazz.


Calendário da série

Jogo 1 – 15/04 (sábado) – 23h30 – em Los Angeles
Jogo 2 – 18/04 (terça) – 23h30 – em Los Angeles
Jogo 3 – 21/04 (sexta) – 23h – em Salt Lake City
Jogo 4 – 23/04 (domingo) – 22h – em Salt Lake City
Jogo 5* – 25/04 (terça) – horário a ser definido – em Los Angeles
Jogo 6* – 28/04 (sexta) – horário a ser definido – em Salt Lake City
Jogo 7* – 30/04 (domingo) – horário a ser definido – em Los Angeles
*Se necessário


Los Angeles Clippers

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: Chris Paul, JJ Redick, Luc Richard Mbah-a-Moute, Blake Griffin e DeAndre Jordan
Técnico: Doc Rivers
Como chega aos playoffs: com sete vitórias seguidas e, mais importante, enfim saudável. A ausência de Chris Paul durante algumas semanas prejudicou o Clippers na luta pelas três primeiras posições do Oeste, mas o time conseguiu se recuperar a tempo de registrar o quinto maior “Net Rating” da NBA desde o “All-Star Game”, com saldo de 5,1 pontos a cada 100 posses de bola, além de uma campanha de 16 vitórias nestes 26 jogos.

Utah Jazz

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas
Provável time titular: George Hill, Joe Ingles, Gordon Hayward, Boris Diaw e Rudy Gobert
Técnico: Quin Snyder
Como chega aos playoffs: Mesmo sem contar com George Hill em algumas oportunidades, o Jazz venceu sete dos últimos dez compromissos da fase de classificação. A defesa apresentou uma queda depois do “All-Star Game”, mas continuou sendo boa o bastante para fazer o time terminar a temporada entre os três primeiros colocados no ranking de eficiência defensiva.


O que merece atenção no duelo

É um confronto entre quatro e quinto colocado de uma conferência, o que por si só já tende a gerar uma expectativa de duelo equilibrado. Talvez seja mesmo, mas há alguns pontos bem preocupantes para o Jazz. O confronto direto na temporada e o histórico recente de insucesso é um deles, mas não o único. De maneira geral, o time simplesmente não conseguiu pontuar nas vezes em que cruzou com o Clippers neste campeonato, registrando uma eficiência ofensiva de apenas 96,7 pontos e fazendo menos do que 75 pontos em dois destes encontros.

Também tem um outro fator interessante nesta história. O Jazz teve a terceira defesa mais eficiente, ao passo que o Clippers ficou em quarto lugar entre os melhores ataques. Só que o time de Los Angeles tem conseguido se virar bem quando encara marcações fortes. Em 33 jogos que fez na temporada contra as dez defesas mais fortes, conquistou 21 vitórias e registrou uma média de 109,1 pontos a cada 100 posses de bola. Só o Golden State Warriors teve resultado melhor: 111,1 pontos a cada 100 ataques contra as dez defesas mais eficientes da liga.

Apesar das lesões de Blake Griffin e de Chris Paul, o quinteto titular do Clippers recebeu 871 minutos e foi o terceiro mais utilizado da temporada regular. Das dez formações em toda a NBA que mais tempo permaneceram em quadra, essa foi a que teve o segundo melhor “Net Rating”, com saldo de 15,8 pontos a cada 100 posses de bola. Apenas os titulares do Golden State Warriors conseguiram um resultado melhor nisso aí. Isso passa pelo ótimo trabalho defensivo que esse quinteto é capaz de entregar nos seus melhores dias e pela extensa lista de possibilidades no ataque, podendo criar espaços para arremessar em qualquer região da quadra.

No caso do Jazz, as lesões atrapalharam demais, tanto que foi a única equipe a avançar para os playoffs sem ter usado uma única formação por pelo menos 200 minutos. A que mais passou perto disso teve George Hill, Rodney Hood, Gordon Hayward, Derrick Favors e Rudy Gobert. E o resultado nem foi animador: 99,6 pontos de eficiência ofensiva, 103,0 de eficiência defensiva e um saldo de 3,4 pontos negativos a cada 100 posses de bola.

Essa série de lesões pode ser interpretada como algo para amenizar um pouco o impacto da superioridade do Clippers nos confrontos diretos. No primeiro jogo, Gordon Hayward não atuou. No segundo, Rodney Hood foi o desfalque. Nos outros dois, Derrick Favors.

Parece claro que as chances do Jazz nesta série passa pela capacidade de Quin Snyder encontrar o melhor quinteto possível. Todos os times que chegam aos playoffs costumam ter uma ideia disso, mas não o Jazz. As lesões todas e a incapacidade de usar uma formação por muitos minutos ao longo da temporada acabaram levando à inexistência de algo que possa se parecer como opção de segurança.

Não quer dizer, porém, que não existam possibilidades interessantes para isso. A ausência de Derrick Favors na reta final da temporada pode fazer com que Snyder abrace de vez a ideia de utilizar Boris Diaw e até Joe Johnson por mais tempo na posição quatro. Ambos dão a opção de chutes de longe, o que pode ajudar a espaçar a quadra e a abrir a defesa do outro lado, e também são capazes de criar com a bola nas mãos, principalmente a partir das ações de costas para a cesta na média distância. Ainda sobre essa versatilidade toda, vale ressaltar o quanto George Hill caiu bem em Salt Lake City justamente por ser um armador capaz de jogar sem bola. As características dele não entram em conflito com as de Gordon Hayward, que vem tendo a melhor temporada da carreira justamente neste papel de principal articular de jogadas, como o homem que passa a maior parte do tempo com a bola nas mãos para decidir o que fazer.

Também é curioso notar que o sistema ofensivo do Jazz é o que joga no ritmo mais lento da liga e se caracteriza por fazer muitos bloqueios para quem está carregando a bola, forçando reações o tempo todo das defesas rivais. O time também é o que mais trocou passes por ataque, mas foi um dos dez que menos dependeu disso para fazer cestas. As poucas assistências que saíram ao longo do campeonato foram basicamente para chutes de três pontos dos cantos da quadra — e é lá que Raulzinho, se de fato for usado nos playoffs, vai aparecer bastante — e para finalizações de Rudy Gobert ao redor do aro.

Falando em Gobert, ele fatalmente será peça envolvida em uma questão muito curiosa de se acompanhar durante a série. Isso porque o francês foi o segundo jogador mais eficiente no ataque em posses de bola na qual fez o bloqueio para o “pick and roll”. O único que o superou neste sentido foi justamente DeAndre Jordan. Também é desnecessário dizer que os dois costumam ser bastante valiosos defensivamente, protegendo a cesta ao afetarem até mesmo os arremessos que não dão tocos. O time que conseguir reduzir mais do impacto do pivô adversário em quadra terá uma vantagem imensa.


Palpite

O Clippers vence a série. Dificilmente terá vida tão fácil quanto o histórico recente entre os dois times aponta. É bem possível que o Jazz engrosse a coisa e leve a definição para o sétimo jogo. Mas a aposta continua sendo que o time de Los Angeles sobreviva e avance para mais uma semifinal de conferência.

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