Prévia da série – Vitória x Campo Mourão

Luís Araújo

(7º) Vitória x Campo Mourão (10º)

Confronto direto na temporada: 1 a 1
Histórico nos playoffs: é a primeira vez que os dois times se cruzam
Curiosidade: o Vitória começou o campeonato com cinco vitórias conecutivas. O responsável por colocar um ponto final nesta série invicta foi justamente Campo Mourão.


Calendário da série

Jogo 1 – 07/04 (sexta) – 19h30 – Ginásio Belin Carolo, em Campo Mourão (SporTV)
Jogo 2 – 11/04 (terça) – 21 horas – Ginásio de Cajazeiras, em Salvador (Facebook Live)
Jogo 3 – 13/04 (quinta) – 20 horas – Ginásio de Cajazeiras, em Salvador (Facebook Live)
Jogo 4* – data e horário a definir – Ginásio Belin Carolo, em Campo Mourão
Jogo 5* – data e horário a definir – Ginásio de Cajazeiras, em Salvador


Kenny Dawkins, destaque da campanha do Vitória (Foto: Antonio Penedo/Mogi Helbor)

Vitória

Campanha: 16 vitórias e 12 derrotas
Provável time titular: Kenny Dawkins, Keyron, Arthur, Renato Scholz e Coimbra
Técnico: Régis Marrelli
Como chega aos playoffs: com seis derrotas nos últimos oito compromissos, tomando mais de 80 pontos em cinco destas partidas. Essa queda de rendimento na reta final de fase de classificação foi determinante para tirar o time baiano da disputa por um lugar no G4.

Betinho, um dos principais cestinhas da temporada (Foto: Stephan Eliert/Solar Cearense)

Campo Mourão

Campanha: 13 vitórias e 15 derrotas
Provável time titular: Greg Brown, Cauê Verzola, Betinho, Pastor e Romário
Técnico: Emerson de Souza
Como chega aos playoffs: em péssimo momento. O time vem de cinco derrotas consecutivas e perdeu sete dos últimos dez jogos da fase de classificação. Tudo bem que a ausência de Betinho pesou, mas somando as duas partidas finais antes dos playoffs, Campo Mourão não conseguiu chegar a 100 pontos. Chegar desta maneira na parte mais importante da temporada é, sem dúvida nenhuma, muito preocupante.


Pastor encara a marcação de Keyron (Foto: Jessica Santana/Universo/Vitória)

O que merece atenção no duelo

Defesa do Vitória

Apesar da instabilidade pela qual o Vitória passou na reta final do campeonato, a defesa funcionou muito bem durante a maior parte dele. Tanto que terminou a fase de classificação como a segunda mais eficiente do NBB, levando em média 101,9 pontos a cada 100 posses de bola — segundo levantamento do RealGM. Só Bauru teve desempenho superior.

Durante alguns jogos do Vitória, deu para ver mesmo esses sistema defensivo funcionando bem, com ações precisas para reagir a bloqueios e rotações rápidas para cobrir os espaços que pudessem aparecer para o ataque rival. Tudo com muita agilidade e boa comunicação, raramente com alguém batendo cabeça.

Até por essa pressão que consegue estabelecer no perímetro, sobretudo pelo comportamento de Kenny Dawkins marcando com e sem a bola, grande parte desse sucesso defensivo do Vitória baseia-se em forçar erros. O índice de roubadas em 10,7% das posses que defende foi o terceiro mais alto da competição.

Só que Campo Mourão foi um dos cinco times que menos cometeu desperdícios ofensivos na fase de classificação. Parte disso passa pelo comportamento que deu para ver em alguns jogos da equipe até agora, sem tantos passes assim sendo trocados e aparentemente confortável com a ideia de definir em ações isoladas.

Os números confirmam isso, pois o time paranaense foi o segundo que menos dependeu de assistências, utilizando-as em 56% das suas cestas. Isso não é necessariamente bom ou ruim. Depende bastante das peças à disposição no elenco. E Betinho, por exemplo, foi um dos cestinhas do campeonato justamente definindo muitas bolas em ações individuais, seja porque a jogada quebrou e precisa de uma conclusão rápida antes do estouro do relógio, seja porque é realmente o que a equipe deseja fazer.

Douglas Nunes, do Campo Mourão, e Douglas Kurtz, do Vitória (Foto: Valmir de Lara/Campo Mourão Basquete)

Só que essa experiência não rendeu resultados tão animadores assim. Pelo contrário. Isso porque Campo Mourão teve o terceiro pior aproveitamento em arremessos do NBB antes dos playoffs, acertando 41% dos seus chutes. Os únicos que tiveram desempenho ainda pior neste sentido foram Basquete Cearense, cujos problemas ofensivos foram tratados por aqui na prévia da série com o Paulistano, e a Liga Sorocabana, já eliminada.

Contra-ataques

Então talvez esteja aí um ponto bem curioso e que pode acabar tendo um peso gigantesco nesta série. O Vitória conseguirá continuar forçando erros atrás de erros para construir os seus contra-ataques, algo tão importante para a sua produção ofensiva? Se a resposta for não, então é sinal que Campo Mourão terá mais oportunidades para arremessar. A bola vai cair mais do que vem caindo até agora?

O risco de contra-ataques se acumularem e ajudarem a definir jogos existe também do outro lado da quadra. Do mesmo jeito que o Vitória foi, proporcionalmente, o time que mais cometeu desperdícios, Campo Mourão foi o quinto que mais roubou bolas.

Mas é claro que nem todo erro ofensivo é sinal de desarme. Um passe para fora ou uma falta de ataque continuam sendo desperdícios, mas pelo menos não são situações nas quais o adversário não terá a chance de atacar contra uma defesa desarrumada. Esse tipo de coisa vai depender de como a defesa de Campo Mourão conseguirá agir sobre o ataque rival.

Rebotes de ataque

Por falar nisso, o ataque do Vitória foi o quarto menos eficiente da fase de classificação. O rendimento de 103,1 pontos a cada 100 posses de bola foi melhor apenas que o do Basquete Cearense e os de Caxias do Sul e Liga Sorocabana, que não avançaram aos playoffs.

Parte disso passa pela já citada quantidade relativamente alta de desperdícios de posse de bola, mas não é só isso. A equipe baiana também sofre para colocar a bola dentro da cesta quando de fato consegue concluir seus lances. O aproveitamento de 43,4% nos arremessos foi o quinto pior do NBB até os playoffs.

Ainda assim, errar muitos arremessos é sempre muito melhor do que não tentá-los. Afinal de contas, pelo menos assim existe uma chance de pontuar, o que não acontece quando a bola é perdida de graça. Além disso, o Vitória pode se beneficiar de uma grande deficiência do Campo Mourão: os rebotes de defesa. A equipe paranaense costuma apanhar 70,2% de todas as sobras que disputa após um chute dos seus oponentes, o que foi o terceiro pior índice da fase de classificação. Só Caxias do Sul, que acabou o campeonato como lanterna, e o Vasco tiveram desempenho inferior.

 


Palpite

Vitória vence a série.

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