Prévia da série – Washington Wizards x Atlanta Hawks

Luís Araújo

(4º) Washington Wizards x Atlanta Hawks (5º)

Confronto direto na temporada: 3 a 1 para o Wizards
Histórico nos playoffs: As duas franquias se cruzaram outras cinco vezes, com três vitórias do Wizards e duas do Hawks. O confronto mais recente foi na semifinal do Leste de 2015. O Hawks avançou em seis jogos.
Curiosidade: essa é a décima participação consecutiva do Hawks nos playoffs, o que representa a segunda maior sequência ativa na NBA — atrás só do San Antonio Spurs, que deixou de ir pela última vez em 1997. Nas nove anteriores, o time conseguiu passou da primeira rodada cinco vezes e acabou sendo eliminado em outras quatro.


Calendário da série

Jogo 1 – 16/04 (domingo) – horário – em Washington
Jogo 2 – 19/04 (quarta) – horário – em Washington
Jogo 3 – 22/04 (sábado) – horário – em Atlanta
Jogo 4 – 24/04 (segunda) – horário – em Atlanta
Jogo 5* – 26/04 (quarta) – horário – em Washington
Jogo 6* – 28/04 (sexta) – horário – em Atlanta
Jogo 7* – 30/04 (domingo) – horário – em Washington
*Se necessário


Washington Wizards

Campanha: 49 vitórias e 33 derrotas
Provável time titular: John Wall, Bradley Beal, Otto Porter Jr, Markieff Morris e Marcin Gortat
Técnico: Scott Brooks
Como chega aos playoffs: o simples fato de aparecer no grupo dos oito melhores da conferência representa um salto e tanto em relação ao ano anterior, mas também dá para dizer que o Wizards já jogou melhor nesta temporada. As 15 vitórias em 27 jogos desde o “All-Star Game” passam longe de ser um desastre, mas fez a equipe perder a terceira posição do Leste para o Raptors, que ganhou 18 vezes neste período. Além disso, vale alertar que a defesa foi a quarta menos eficiente ao longo destas 27 partidas.

Atlanta Hawks

Campanha: 43 vitórias e 39 derrotas
Provável time titular: Dennis Schroder, Tim Hardaway Jr, Thabo Sefolosha, Paul Millsap e Dwight Howard
Técnico: Mike Budenholzer
Como chega aos playoffs: vem de seis vitórias nas últimas partidas, incluindo duas sobre o Cleveland Cavaliers, em uma sequência determinante para que a classificação fosse assegurada. Isso tudo depois de uma série de sete derrotas consecutivas, em um período sem Paul Millsap, que fez até levantar algumas dúvidas sobre a presença do Hawks nos playoffs. A defesa do time sempre foi um ponto forte. O ataque, não. Pior ainda: conseguiu ser o menos eficiente da NBA deste o “All-Star Game”.


O que merece atenção no duelo

Esses dois times têm características que devem tornar a série especialmente curiosa. O Wizards tem um ataque bom e uma defesa ruim que ficou ainda pior depois do “All-Star Game”. O Hawks tem uma defesa boa e um ataque ruim que ficou ainda pior depois do “All-Star Game”. E aí? O que será que vai prevalecer?

Uma coisa que funciona muito bem na defesa do Hawks é a pressão no perímetro e a capacidade de manter os outros times mais afastados da cesta. Ao longo dos 82 jogos da fase de classificação, só 28,5% das finalizações dos adversários foram dentro da área restrita, o que foi o segundo índice mais baixo de toda a liga.

Muito desse sucesso passa por Paul Millsap. Ele não só pode ser considerado o melhor jogador de ataque da equipe como é também peça fundamental para que as coisas funcionem na defesa, principalmente por ser versátil o suficiente para subir e pressionar os bloqueios — muitas vezes forçando o homem da bola para os cantos da quadra — e em seguida voltar para ficar em cima de quem estava marcando anteriormente. Além disso, o ala-pivô foi um dos defensores de “post-up” mais eficientes nesta temporada, contendo quase sempre jogadores mais altos.

Exaltar esse impacto de Millsap no Hawks passa muito longe de ser um exagero nesta temporada. Nos 69 jogos em que ele esteve em quadra, o time teve campanha de 40 vitórias e 29 derrotas. Sem ele, a equipe conseguiu ganhar só três das 13 partidas que disputou.

Além de Millsap, quem também pode virar um fator importante nesta série é Dwight Howard. Principalmente porque o Wizards foi um dos dez piores times da temporada em rebotes de defesa. Caso o técnico Mike Budenholzer resolva apostar as suas fichas em tirar proveito desta deficiência adversária, já que essas novas chances de pontuação cairiam muito bem para um ataque tão problemático, o pivô poderia ser um grande aliado.

Por outro lado, Howard teria de se virar constantemente para defender longe da cesta, em meio às várias saídas de Marcin Gortat para fazer bloqueios na linha de três. Seja para fazer o “pick and roll” com John Wall, seja para ajudar os outros companheiros a se desgrudarem por preciosos instantes de seus marcadores para poderem ser acionados pelo armador.

Esse tipo de situação também gera muitos arremessos de média distância do próprio Wall ou mesmo de Gortat, dependendo da ação que o adversário tiver para defender lances assim. Não é à toa que o Wizards foi o décimo time que mais tentou esses chutes de dois de fora do garrafão. Essa região da quadra foi a segunda área preferida pelo sistema ofensivo da equipe no processo de concentrar as finalizações, perdendo só para os chutes dentro da área restrita.

Mas o que pode realmente machucar o Hawks é se espaços forem dados para os tiros de três de Bradley Beal e Otto Porter Jr. Quando os arremessos de longe da dupla estão entrando, fica muito difícil para qualquer oponente sobreviver. Isso também está relacionado ao processo de conter Wall. Talvez pagar para ver os chutes de média distância do armador seja uma opção menos pior. Porque deixá-lo infiltrar em velocidade é algo que tende a quebrar bastante a defesa e, consequentemente, oferecer a ele um leque amplo de possibilidades para definir o ataque.

Um outro fator importante a ser observado no Wizards diz respeito ao quinteto inicial, que acabou sendo disparadamente a formação que mais tempo ficou em quadra nesta temporada. Foram mais de 1.300 minutos, número bem superior aos 880 do time considerado titular do Minnesota Timberwolves, que foi quem apareceu mais perto neste ranking. O resultado foi muito bom, com “Net Rating” de 8,1 pontos.

Mas duas coisas diferentes podem surgir a partir disso. Por um lado, esse dado ajuda a mostrar os problemas que Scott Brooks teve com os reservas ao longo da temporada — algo que até foi um pouco remediado com as chegadas de Bojan Bogdanovic e Brandon Jennings no meio do caminho, mas que ainda assim mantém a luz amarela acesa. Por outro, as rotações nos playoffs tendem a diminuir, os técnicos costumam deixar os principais jogadores em ação por mais minutos. Se o cansaço acumulado não for um problema, então essa força dos titulares pode mesmo ser algo bastante animador.

Na defesa, o Wizards pode até não ter se destacado estatisticamente ao longo do campeonato, mas mostrou alguns momentos muito bons, passando a impressão de que pode render mais do que a média na temporada indica. Se isso acontecer, o já truncado ataque do Hawks encontrará ainda mais dificuldades e poderá ver um defeito grave ficar ainda mais evidente: a predisposição aos erros. Afinal de contas, o time foi o terceiro que proporcionalmente mais cometeu desperdícios. Pecar desta maneira pode ser mortal contra um oponente que conta com um armador tão bom em transição como Wall.


Palpite

O Wizards vence a série. Provavelmente sem varrida e possivelmente com algum trabalho. Mas deve passar, sim.

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