Previsões para a temporada 2017/18 da NBA

Luís Araújo

Quem acompanha o Triple-Double há algum tempo já sabe que isso é uma tradição por aqui. Alguns chutes são um pouco mais conscientes, mas muitos outros são tiros no escuro e podem passar muito longe da realidade. No final da temporada, resgatamos esse texto para conferir o que se concretizou e o que deu errado.


Previsões aleatórias

Jaylen Brown terá mais de 18 pontos por jogo

O Boston Celtics provavelmente não terá o mesmo poder de fogo sem Gordon Hayward, claro. Afinal de contas quem se lesionou de maneira grave e será desfalque por um longo tempo foi um “all-star”, um jogador praticamente completo e que seria muito importante para as pretensões de desafiar o reinado do Cleveland Cavaliers no Leste. Mas, apesar disso, esse time eventualmente dará um jeito de se virar ao ponto de permanecer entre os primeiros colocados do Leste e sem muitos sustos.

A defesa vai fazer a parte dela, mas no outro lado da quadra vale a pena ficar de olho no que Jaylen Brown fará. Nos primeiros jogos sem Hayward, ele adotou uma postura ultra agressiva no ataque e tem se dado muito bem, aproveitando os buracos que um sistema ofensivo que tem se mexido o tempo todo vem abrindo perto da cesta quando emplacar seus melhores momentos. As oportunidades vêm aparecendo também nas bolas de longe, que ainda não são uma especialidade dele, mas que podem impulsionar ainda mais o impacto ofensivo de Brown se passarem a cair em um ritmo maior do que na temporada passada.

Seria loucura dizer que Brown preencheria totalmente a lacuna que se abriu no time depois da lesão de Hayward. O Celtics vai continuar sentindo falta do “all-star” que tinha acabado de contratar e vai precisar que mais gente assuma papeis maiores ofensivamente. Mas Brown vai fazer a parte dele e, no fim das contas, verá sua média de pontos saltar consideravelmente.

Dois novatos ficarão entre os dez primeiros em assistências por jogo

Na temporada passada, o líder em assistências foi James Harden, com média de 11,2 por jogo. John Wall (10,7) e Russell Westbrook (10,4) apareceram em seguida neste ranking. O décimo colocado foi Kyle Lowry, com 7,0 por partida.

Ben Simmons e Dennis Smith Jr terão números mais altos do que isso e aparecerão entre os dez líderes em assistências por partida da temporada. Ambos podem se aproveitar do volume de jogo bastante elevado que terão — além da qualidade com a bola nas mãos, obviamente, para se aproveitarem disso. Mas é difícil imaginar que um deles passe perto do recorde de um novato na história da NBA: as 10,6 por partida que Mark Jackson registrou na temporada 1987/88.


Jonathan Isaac entrará para o segundo time de novatos

Essa safra de calouros está recheada de nomes interessantes e ainda tem o reforço de Ben Simmons, que não participou da temporada passada e, por isso, será considerado novato nesta agora. A concorrência será pesada, tem gente intrigante demais para as dez vagas nos quintetos ideais. Mas a escolha de primeira rodada do Orlando Magic no Draft vai dar um jeito de garantir um lugar nisso aí.

O técnico Frank Vogel não só aumentará o tempo dele na rotação como, aos poucos, o testará em uma formação ao lado de Aaron Gordon e outros três jogadores bem abertos. Isaac vai passar da casa dos 20 minutos por jogo e será um reserva importante para a campanha do Magic. Que mais uma vez será sem graças e não irá a lugar nenhum, mas pelo menos o calouro vai fazer o suficiente para chamar a atenção, arremessando por cima de quem chegar para marcá-lo como se não houvesse ninguém por ali.

A lanterna do leste ficará com o Hawks

Será uma briga intensa. Principalmente com o Chicago Bulls, que também parece um candidato bem forte. O Brooklyn Nets também não pode ser inteiramente desprezado. New York Knicks e Indiana Pacers correm por fora. Mas o Hawks vai sofrer demais para colocar a bola dentro da cesta e vai perder mais do que todo mundo na conferência. Mesmo tendo uma defesa mais eficiente do que a média da liga.

O Timberwolves terá uma das dez melhores defesas 

Tom Thibodeau enfim vai conseguir fazer esse time dar um salto defensivo, lembrando um pouco do que fez em Chicago. E Jimmy Butler terá mais de 35 minutos por jogo.

Jimmy Butler terá um jogo de mais de 50 pontos

E será contra o Bulls. Em Chicago. Em uma lavada do Timberwolves. Com muitos requintes de crueldade mesmo.

O Phoenix Suns será o lanterna do Oeste

Ainda assim, será melhor do que pelo menos duas equipes do Leste. A penúltima posição do Oeste ficará com o Sacramento Kings, que pelo menos vai se mostrar um time divertido de se assistir.

O Pelicans não vai para os playoffs

DeMarcus Cousins e Anthony Davis vão melhorar o funcionamento juntos, mas não será o bastante para o time terminar entre os oito melhores do Oeste. O que poderá ser decisivo para a saída de Cousins em julho de 2018, quando ele irá se tornar agente livre.

Nesta briga pelos playoffs do Oeste, Warriors, Thunder, Rockets e Spurs ficarão nas quatro primeiras posições. Denver Nuggets e Minnesota Timberwolves também entrarão, são duas equipes que melhorarão o suficiente para isso. O Los Angeles Clippers é outro time que manterá um nível alto o suficiente nos dois lados da quadra para garantir classificação.

Restaria então uma vaga, certo? O Utah Jazz vai ficar com ela. Memphis Grizzlies e Portland Trail Blazers também irão brigar até o fim, mas acabarão conhecidos como times muito bons que não se classificaram para os playoffs em um Oeste extremamente competitivo.

O Thunder ficará em segundo no Oeste

Não será o Rockets, nem o Spurs. O Thunder vai intercalar jogos muito bons com alguns decepcionantes ao longo da primeira metade da temporada, mas vai deixar a impressão em seus melhores dias de que tem um teto muito alto. Que será alcançado na reta final da fase de classificação, a tempo de causar estragos nos playoffs. Paul George e Russell Westbrook vão jogar mais e melhor sem a bola, enquanto Carmelo Anthony terá uma eficiência nos arremessos bem superior ao que vinha tendo em seus últimos anos em Nova York. E na defesa esse time será ainda melhor do que no ano passado.

O Warriors não vai ganhar 70 vezes

Steve Kerr declarou ter a sensação de que esse Warriors é o melhor que já teve em mãos. Não é difícil concordar com essa afirmação. Nas poucas movimentações que fez, o time adicionou algumas peças novas que fazem ainda mais sentido do que as que estavam antes. É por isso e por tudo o que vimos dar certo demais na temporada passada que fica difícil imaginar algo que impeça um bicampeonato — e o terceiro título em quatro anos.

Dito isso tudo, será completamente normal se muitos dos jogadores que já estão em Oakland há algum tempo não encararem absolutamente todos os jogos com tanto apetite e levaram um tempo para fazerem isso. Na temporada passada, a defesa até terminou no topo no ranking de eficiência, mas demorou uns meses para isso acontecer. Não seria estranho se esse tipo de relaxamento voltasse a acontecer agora, o que poderia custar algumas vitórias no meio do caminho, por mais que esse Warriors seja mesmo uma máquina de jogar basquete.

Nick Young terá o melhor ano da carreira

Dificilmente ele vai bater na casa dos 17 pontos por jogo, coisa que fez duas vezes, em temporadas com quase 30 minutos de ação por partida. A média de pontos a cada 36 minutos também não vai passar dos 22,8 registrados em 2014. Mas Young vai acertar muito mais chutes tentando menos vezes, tomando menos decisões estúpidas e terá, com alguma folga, a melhor porcentagem da carreira em eficiência nos arremessos.

O Thunder vai vencer o Warriors

Não em uma série dos playoffs, mas ao menos uma vez na temporada regular isso acontecer. A derrota em questão será em algum jogo em Oklahoma. Com Russell Westbrook beirando um triplo-duplo e a torcida pegando no pé de Kevin Durant como se ainda não tivesse superado a saída dele.

Teremos a mesma final pelo quarto ano seguido

Pois é. Talvez até consigamos ver alguém no meio do caminho desafiar esses dois um pouco mais do que na temporada passada. Talvez o Warriors encontre um pouco mais isso por estar em um Oeste especialmente forte, que teve times que já era muito bons se reforçarando bastante. Mas, no fim das contas, o mês de junho nos reservará o quarto capítulo desta batalha entre essas duas equipes que vêm dominando a NBA.

Prêmios individuais

MVP: Kawhi Leonard (San Antonio Spurs)

Chegou mais longe do que nunca nesta corrida na temporada passada, tem melhorado ano a ano e deverá continuar sendo a referência de um time como o Spurs, que muito provavelmente se manterá entre as grandes potências da liga. Defensivamente, ele dispensa comentários. No ataque, ainda que LaMarcus Aldridge venha a ter mesmo maior participação, é difícil imaginar que Leonard não permaneça como foco principal.

Além disso tudo, outras grandes estrelas da liga têm mais gente ao redor agora para distribuir um pouco mais o volume de jogo. Russell Westbrook e James Harden, por exemplo, que foram os outros dois finalitas ao lado de Leonard na disputa pelo MVP na temporada passada, ganharam agora a companhia de alguns craques. LeBron James continua sendo o melhor jogador do mundo e até deverá ser ainda mais importante para o Cleveland Cavaliers agora do que vinha sendo nos anos anteriores. Mas não seria nada novo se ele passasse a levar as coisas realmente a sério na reta final do campeonato, às vésperas dos playoffs.

O nome de Giannis Antetokounmpo tem sido citado por muita gente como forte candidato, inclusive por alguns técnicos da NBA. Vale a pena ficar de olho mesmo em como o grego se insere nesta corrida, mas as coisas vão acabar dependendo mesmo da campanha que terá o Milwaukee Bucks. Se o time der um jeito de aparecer entre os quatro primeiros do Leste, será difícil ignorá-lo.

Melhor defensor: Rudy Gobert (Utah Jazz)

Kawhi Leonard e Draymond Green já venceram. Chegou a vez do francês, que terá um grande trunfo nesta corrida se o Jazz se mantiver mesmo entre as três defesas mais eficientes da NBA.

Melhor reserva: Kelly Olynyk (Miami Heat)

É um jogador que vai começar no banco de um time que tem tudo para chegar aos playoffs e que deve ter muito espaço na rotação, muitas vezes até fechando as partidas. Pelo menos é isso o que deu a entender o técnico Erik Spoelstra, que parece ter planos bem interessantes de explorar as qualidades de Olynyk com a bola nas mãos para oferecer variações ofensivas quando estiver em quadra, sobretudo nos momentos em que ocupar a vaga de Hassan Whiteside.

Melhor técnico: Brad Stevens (Boston Celtics)

Bateu uma vontade muito grande de colocar o nome de Erik Spoelstra, que não tem o devido reconhecimento por boa parte do público brasileiro vai saber por que. Mas que é um excelente técnico há tempos — desde seu primeiro ano, passando pela fase das quatro finais seguidas, em que teve participação decisiva para o sucesso daqueles times, chegando ao trabalho espetacular que fez na temporada passada com um bando de gente desacreditada.

Mas o palpite será mesmo Stevens, que não terá de montar um time praticamente novo em relação ao ano passado como precisará fazer isso sem uma peça importantíssima, já que Gordon Hayward dificilmente voltará nesta temporada. Se o Celtics brigar pelas primeiras posições do Leste mesmo desfalcado de alguém tão talentoso, o que não seria nenhum absurdo acontecer, então Stevens ficaria muito bem colocado nesta disputa pelo prêmio.

Melhor novato: Ben Simmons (Philadelphia 76ers)

A safra de calouros de 2017 parece ser bem melhor e ter mais gente capaz de brilhar do que a de 2016. Mas vai ser a primeira escolha de 2016 que vai acabar tendo um ano melhor do que qualquer outro calouro. Definido como armador mesmo do Sixers, o australiano vai ter carta branca para usar todo seu talento como passador e organizador de jogadas no ataque. O que vai ser uma das coisas mais legais de se acompanhar na temporada.

Jogador que mais evoluiu: D’Angelo Russell (Brooklyn Nets)

Perdão, torcedores do Los Angeles Lakers. Mas vai ser muito, mas muito legal mesmo se esse rapaz explodir e deixar quem duvidou (e alfinetou, como fez Magic Johnson) dele com a pulga atrás da orelha. Em um ambiente como o Nets, que tem um estilo de jogo mais voltado para as coisas boas que Russell é capaz de fazer, as chances de a produtividade dele crescer em relação aos últimos anos não são pequenas.

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