Qual o tamanho do golpe da lesão de Roberson para o Thunder?

Luís Araújo

Antes de enfrentar o Detroit Pistons, o Oklahoma City Thunder vinha de 13 vitórias consecutivas em jogos nos quais contou com seu quinteto titular: Russell Westbrook, Andre Roberson, Paul George, Carmelo Anthony e Steven Adams. A sequência ficou maior, o time ganhou, mas o que era para ser a continuação de um indício animador deu lugar a sentimentos de tristeza e preocupação, já que Roberson lesionou o joelho esquerdo e precisou deixar a quadra de maca.

O lance aconteceu durante o terceiro quarto, em uma jogada que até mostrava uma movimentação ofensiva interessante do Thunder: bloqueio de Adams para Westbrook em um lado da quadra, atraindo a ajuda do marcador de Roberson, que saiu correndo pelo fundo assim que isso aí aconteceu para aparecer como opção de ponte aérea. Só que o joelho o traiu na hora do último impulso antes de sair do chão. Foi bem feio. O resultado do exame que apontou a ruptura do tendão patelar veio depois só para confirmar o que já se suspeitava ali na hora: a lesão o deixará fora de todo o restante da temporada.

É verdade que no primeiro jogo após a lesão do camisa 21, o Thunder derrotou o Philadelphia 76ers e alcançou a oitava vitória consecutiva, se aproximando ainda mais de San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves na briga pelo terceiro lugar da Conferência Oeste. Mas também é verdade que o time não poderá mais colocar em quadra na temporada aquele grupo dos cinco titulares que passou por uma série invicta de 14 jogos. E por mais que essa formação reúna três estrelas, uma grande parte do sucesso que ela vinha tendo passa justamente pela contribuição de Roberson.

É muito fácil encontrar quem torça o nariz para ele e não chega a ser nem um pouco difícil compreender a razão por trás disso. Bastam alguns minutos de atenção para os jogos do Thunder para se perceber a total falta de intimidade de Roberson com a bola nas mãos. Os arremessos, então, parecem marteladas no aro. Para a, as defesas adversárias, se ele sobrasse com espaço para um chute de longe, é sinal de que a marcação tudo certo. É o tipo de definição do ataque que todo mundo pagava para ver e com razão.

Mas o trabalho dele no outro lado da quadra vinha sendo fundamental para o Thunder aparecer entre as cinco defesas mais eficientes da temporada. As médias do time a cada 100 posses de bola indicam uma média de 107,3 pontos anotados e 103,3 sofridos, o que representa um “Net Rating” de +4,0. Se formos levar em consideração só os momentos em que Roberson esteve em ação, essas produções de ataque e defesa, respectivamente, são de 106,4 pontos e 96,4 pontos, o que dá um saldo de +10,0 pontos. E sem ele, esse “Net Rating” é de -0,7 pontos, resultado de uma eficiência ofensiva de 107,9 pontos e defensiva de 108,6 pontos.

O que isso tudo significa? Que a diferença é muito, mas muito grande mesmo. O saldo de pontos a cada 100 posses de bola vai do negativo sem ele em quadra para um índice positivo de dois dígitos com ele. Apesar de todas as claras deficiências no ataque, a presença de Roberson fazia do Thunder um time melhor. E antes que alguém possa imaginar que esses números todos dele possam estar influenciados pela companhia dos outros quatro titulares, vale a pena dar uma olhada nas estatísticas a seguir:

O “Net Rating” de +14,2 pontos da formação com Roberson impressiona, mas também é importante observar esses 110,1 pontos produzidos pelo ataque a cada 100 posses de bola. É um número superior à eficiência ofensiva do Cleveland Cavaliers (110,0), que é a quarta maior da temporada — atrás apenas de Minnesota Timberwolves, Houston Rockets e Golden State Warriors.

Ou seja: não dá para dizer que a presença de Roberson matava o ataque do Thunder. Seria melhor que ele fosse capaz de acertar arremessos livres de longe nas vezes em que recebia completamente livre em um canto da quadra? Certamente. Mas era uma adversidade que dava para se driblar com muita movimentação, em cortes sem bola para a cesta quando alguma estrela criava espaço ou até mesmo fazendo bloqueios — como no vídeo abaixo, em que ele finalizou depois de trabalhar no “pick and roll” com Westbrook.

Uma amostra do quanto Roberson é especial na defesa pode ser observada nesta jogada a seguir. O toco que decidiu a vitória para o Thunder contra o Philadelphia 76ers foi de Patrick Patterson, mas Roberson foi preciso para atrapalhar a primeira tentativa de arremesso de três de JJ Redick, permanecendo colado no corpo do adversário mesmo depois do bloqueio de Joel Embiid.

Além da marcação individual e da habilidade em resistir tão bem a bloqueios, Roberson usa a sua ótima leitura de jogo para atacar as linhas de passe na hora certa e colocar minhocas na cabeça dos adversários. Dá para ter uma noção do efeito que essa combinação é capaz de fazer nesta jogada a seguir. É curioso observar como ele forçou Draymond Green a mudar de ideia depois do “pick and roll”, com um deslocamento rápido o suficiente para ameaçar a infiltração sem abandonar seu jogador na zona morta. Foi o que levou ao desperdício de posse de bola que segundos depois virou dois pontos em transição para o Thunder.

É por isso tudo que o Thunder tem muito a lamentar pela lesão de Roberson. Os números comprovam o quanto o time tem sofrido para encontrar algum outro jogador além dele que consiga render tão bem ao lado dos outros quatro titulares. A exceção é a formação com Josh Huestis, mas o uso por apenas 65 minutos carateriza uma amostragem pequena, e a eficiência ofensiva superior a 123 pontos sinaliza que esse resultado tão bom dificilmente será sustentável.

O certo é que o Thunder perdeu uma peça extremamente valiosa e precisa agora se virar para encontrar um substituto. Paul George até pode ficar encarregado de marcar a principal ameaça dos adversários no perímetro se não tiver outro jeito, mas seria muito melhor que alguém tão valioso como ele para o ataque não ficasse excessivamente carregado com essa tarefa.

É muito difícil imaginar que alguma resposta para isso possa ser encontra dentro do atual elenco. O que fazer então? Encaixar uma negociação com outro time qualquer? Para isso, seria necessária uma nova mágica de Sam Presti, já que existem poucas moedas de troca no elenco e as escolhas de primeira rodada do Draft deste ano (para o Minnesota Timberwolves) e do de 2020 (para o Orlando Magic) já foram negociadas. Outra alternativa seria esperar o período de dispensa jogadores, na esperança de que alguém prestes a virar agente livre seja cortado e possa assinar pelo valor mínimo com a equipe pelo restante da temporada, mas é um cenário cheio de incertezas e bastante difícil de se prever alguma coisa.

Seja qual for o caminho, o Thunder precisa encontrar uma maneira de manter o alto nível que estava acostumado a produzir com Roberson à disposição. Para uma equipe que precisa convencer Carmelo Anthony e Paul George — que serão agentes livres em julho — a permanecerem em Oklahoma, não há muito tempo para ficar se lamentando. Por mais duro que tenha sido o golpe.

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