Quem merece participar do Jogo das Estrelas em 2018?

Luís Araújo

Já virou tradição: o Triple-Double recebe o convite da LNB (Liga Nacional de Basquete) para participar da votação do Jogo das Estrelas do NBB, as escolhas são enviadas e, em seguida, as justificativas para cada uma delas acabam rendendo um texto por aqui. Aconteceu a mesma coisa nos últimos anos e não seria diferente desta vez.

Antes de apontar as escolhas, é bom esclarecer que não havia regra alguma sobre as posições dos jogadores. A única determinação era montar dois times (um titular e um reserva) de brasileiros e outros dois de estrangeiros, o que acaba abrindo a possibilidade de explorar um pouco mais formações diferentes.

As campanhas dos times acabaram servindo como critério de desempate entre jogadores em situações mais ou menos parecidas. E também vale ressaltar que os técnicos foram escolhidos sem ordem. Foram apontados os quatro que fazem trabalho mais interessante até aqui e pronto.

Vamos aos votos.


NBB Brasil

Titulares: Elinho (Paulistano), Alex Garcia (Bauru), Marquinhos (Flamengo), Rafael Mineiro (Franca) e JP Batista (Flamengo)

Reservas: Cauê Borges (Caxias do Sul), Leandrinho (Franca), Léo Meindl (Franca), Guilherme Teichmann (Minas) e Leozão (Basquete Cearense)

Técnicos: Gustavo De Conti (Paulistano) e Rodrigo Barbosa (Caxias do Sul)

Não tem como começar a falar dos brasileiros neste ano de um outro jeito que não seja abordando os três grandes jogadores do basquete nacional que voltaram ao país no meio do campeonato. Até o dia 7 de fevereiro, data limite para o envio dos votos, Leandrinho tinha participado de sete partidas. É pouco, mas deu para levá-lo em conta na hora de fazer as escolhas, principalmente quando levado em consideração o impacto violento que ele causou na maior parte destes jogos em que entrou em quadra.

Já os casos de Anderson Varejão e Rafa Luz são bem mais complicados. Os dois estrearam na semana anterior ao fim do prazo para a votação e participaram, cada um, de apenas duas partidas até então. Até dá para compreender os votos em Varejão por causa do apelo que a presença dele teria em um evento festivo, mas o critério utilizado por aqui é o de realmente usar essas vagas como uma espécie de premiação ao que os jogadores têm feito na temporada. Por isso não dá para votar em quem jogou tão pouco.

Leandrinho pode até ter passado no critério de jogos disputados até o fim da votação, mas o fato de ter entrado em quadra bem menos vezes do que o resto pesou e o fez ser colocado entre os reservas. As vagas de alas titulares ficam com duas figurinhas carimbadas e que também são jogadores de seleção brasileira: Alex Garcia e Marquinhos, que continuam sendo extremamente importantes para equipes competitivas como Bauru e Flamengo, respectivamente. O tempo passa, mas esses dois continuam sendo decisivos e sobrando por aqui. Nem é preciso alongar muito a explicação sobre a inclusão deles.

JP Batista é outro que nem é preciso perder muito tempo para justificar sua escolha. Pode até ser que o pivô tenha menos minutos e cause impacto cada vez menor com a chegada de Varejão ao elenco. Mas o fato é que antes disso ele vinha sendo um peso enorme para a campanha do Flamengo, muito graças ao estrago que é capaz de produzir a partir do “pick and roll” ou mesmo de costas para a cesta. Só para lembrar de um exemplo recente, na partida contra Mogi das Cruzes, em um confronto direto entre times da parte de cima da tabela, ele foi extremamente decisivo até mesmo em lances em que não encostou na bola — algo que chegou a ser assunto em uma edição do Radar do NBB, conteúdo exclusivo para assinantes.

Há pelo menos mais dois jogadores que fazem parte da “turma que precisa aparecer entre os escolhidos de qualquer jeito”: Cauê Borges e Elinho. Seriam dois estreantes no Jogo das Estrelas, que estavam com espaço bastante reduzido em suas respectivas equipes na temporada passada e que atingiram um nível alto ao ponto de aparecerem  entre os dez melhores brasileiros do campeonato depois que mudaram de ares.

A opção para ocupar a vaga de armador titular foi por Elinho, que tem sido peça fundamental em um sistema ofensivo tão poderoso como o do Paulistano. O fato de ele aparecer em segundo lugar no ranking de assistências por jogo diz muito sobre o impacto dele, mas não tudo. A capacidade de fazer a bola correr e de enxergar espaços que se abrem a partir do “pick and roll” nem sempre aparecem nas estatísticas, mas são fundamentais para o time comandado por Gustavo De Conti. Cauê Borges não é, pelo menos em tese, o dono da posição um no Caxias do Sul, mas prática fica também muito com a bola nas mãos e cria bastante ofensivamente desta maneira, ao ponto de aparecer entre os cinco maiores cestinhas do NBB. Não seria também injustiça nenhuma se fosse ele o titular.

Restam então quatro vagas, sendo uma delas no quinteto titular. Léo Meindl não vem jogando no mesmo nível da temporada passada, mas ainda assim tem sido um jogador muito acima da média por aqui e de bastante importância para as construções de jogadas ofensivas de Franca durante o primeiro turno, ainda antes de Leandrinho chegar. Mesmo sem estar na sua melhor fase, apresentou o suficiente para aparecer nesta seleção.

Daria até para colocá-lo entre os titulares, já que não há a necessidade de se respeitar as posições — o que é ótimo, quanto menos travado for o negócio, melhor. Mas a escolha para completar o quinteto inicial acabou sendo por um jogador de garrafão mesmo: Rafael Mineiro, que tem índice de eficiência mais ou menos semelhante ao de Léo Meindl e que vem tendo um impacto defensivo enorme. Ainda que seja uma partida festiva, é justo que o trabalho duro lá do outro lado da quadra seja reconhecido essas horas. E dá até para dizer que Mineiro vem sendo um fator determinante para que Franca apareça no topo do ranking de eficiência defensiva — e com alguma folga.

Preencher as duas vagas finais foi difícil. Presença incontestável em outros tempos, Rafael Hettsheimeir vem tendo o pior desempenho da carreira no NBB e acabou ficando para trás na disputa com outros nomes. Quem também ficou fora e teria muito mais motivos para entrar do que o pivô do Bauru é Lucas Cipolini, que está acima dos 65% em “True Shooting” (estatística que soma o aproveitamento em todos os tipos de chutes possíveis em um jogo) e na faixa dos 62% em eficiência nos arremessos (que dá valor maior a bolas de três), o que mostra o quanto ele tem ajudado Franca a abrir a quadra no ataque.

Quem hoje se encontra um degrau acima destes dois e que acabou mordendo uma destas vagas é Leozão, que faz a melhor temporada da carreira pelo Basquete Cearense em pontos, rebotes, roubos de bola e eficiência por jogo. O time do Ceará já não é grande coisa em eficiência defensiva nem em eficiência ofensiva, longe disso, mas consegue ainda se manter mais ou menos no meio da tabela e sonha com mando de quadra na primeira rodada dos playoffs por ser uma força nos rebotes nos dois lados da quadra — é o quinto melhor em rebotes de ataque e o melhor de todos nos de defesa . Algo que passa muito pelo trabalho do pivô.

A outra vaga poderia muito bem ser de Larry Taylor, que já está longe dos seus melhores dias e que não produz mais estatisticamente como em outros tempos, mas que ainda consegue quebrar as marcações quando tem a bola nas mãos e é uma referência para um sistema defensivo que aparece entre os quatro mais eficientes do campeonato. Ou seja: é uma figura importante em uma equipe que luta pelas primeiras posições, o que já é um forte argumento.

Quem também merece uma menção honrosa é o garoto Wesley, de 22 anos, que conquistou a titularidade do Minas nesta temporada, tem recebido mais de 25 minutos por jogo e realmente vem colecionando boas atuações, tendo registrado pontuação de dois dígitos em 15 dos 18 jogos que fizera na temporada até o fim do prazo para a votação. Mas a figura mais eficiente deste time é Guilherme Teichmann, que não só continua sendo uma ameaça de duplo-duplo toda vez que entra em quadra como contribui bastante de algumas maneiras que não aparecem nas estatísticas — como, por exemplo, com a comunicação para orientar os companheiros durante as ações defensivas e os ótimos passes que descola para ajudar a fazer o ataque fluir. Foi ele, portanto, o escolhido para ficar com a última vaga do selecionado brasileiro.


NBB Mundo

Titulares: Kendall Anthony (Bauru), Desmond Holloway (Pinheiros), Shamell (Mogi das Cruzes), David Jackson (Vasco) e Tyrone Curnell (Mogi das Cruzes)

Reservas: David Cubillan (Flamengo), Corderro Bennett (Pinheiros), Evan Roquemore (Minas), Anton Cook (Liga Sorocabana) e David Nesbitt (Paulistano)

Técnicos: José Neto (Flamengo) e Helinho (Franca)

Vamos começar pelas obviedades: Shamell e Desmond Holloway. Os dois continuam sobrando por aqui em termos técnicos, demandando cuidados especiais por parte das defesas adversárias, que sabem que não podem deixá-los esquentar de jeito nenhum. São os líderes de dois times que lutam pelas primeiras posições na tabela de classificação e que estão na briga pelo troféu de MVP. Não precisa ir muito mais longe do que isso para justificar a inclusão de ambos nesta seleção.

O mesmo vale para Tyrone Curnell e David Jackson. O jogador do Mogi tem apresentado uma queda em relação à temporada passada, mas continua sendo muito importante taticamente para o seu time, principalmente pela versatilidade defensiva — coisa que ele faz como poucos quando se encontra verdadeiramente concentrado e disposto. Já o norte-americano do Vasco só ficaria fora desta lista caso realmente tivesse deixado o clube por causa dos salários atrasados. Como resolveu continuar, sua presença nesta seleção é garantida. Não tem muito o que se discutir. Em termos de nível técnico, está logo ali com Shamell e Holloway.

Corderro Bennett e Kendall Anthony também fazem parte da turma das certezas, mesmo estando alguns degraus abaixo destes principais estrangeiros no país. Os números de Anthony não estão passando nem perto daqueles que ele registrou na temporada passada, quando se mostrou um pontuador explosivo por Macaé. Mas isso já era algo mais ou menos esperado com a mudança para Bauru, onde teria um papel menor em um sistema ofensivo que já tinha Alex Garcia e que passou a contar também com Rafael Hettsheimeir. Com mais gente para distribuir as ações, é normal mesmo que as estatísticas diminuam. Mas o perigo que ele é capaz de causar a partir do “pick and roll” e as infiltrações explosivas continuam lá. Além disso, o aproveitamento nos chutes de três saltou para a casa dos 41%, o que é excelente e o torna uma ameaça até mesmo quando não encosta na bola. Já Bennett está com índice superior a 64% em “True Shooting”, o que é excelente, continua um perigo para os adversários quando resolve agredir a cesta, se movimentando bem sem bola no ataque e entregando defesa de ótimo nível.

A dificuldade para continuar a montar essa seleção passa muito mais por um problema relacionado às posições do que qualquer outra coisa. David Nesbitt ajuda a abrir a quadra com chutes de longe, finaliza bem perto da cesta e tem se mostrado um defensor muito inteligente para o Paulistano. É uma peça importantíssima para o líder do campeonato, portanto precisa aparecer nesta lista de dez estrangeiros. Só que as opções para o garrafão ficam escassas depois disso. MJ Rhett (Flamengo), Chris Ware (Pinheiros) e Matthew Shaw (Vitória) até poderiam aparecer se as regras da votação exigissem esse equilíbrio entre posições. Mas como não é o caso e as escolhas por aqui abraçaram com força esse lance de não se apegar a isso, as demais vagas foram preenchidas por gente mais baixa mesmo. Aí os treinadores que se virem depois na hora de equilibrar as coisas.

Em que pese o fato de estar na Liga Sorocabana, que aparece na lanterna da tabela de classificação, Anton Cook aparece entre os cinco cestinhas do campeonato e poderia até estar melhor colocado se não fosse tão irregular. Ainda assim, é difícil não incluí-lo nesta seleção. Assim como Evan Roquemore, que acerta quase 40% das bolas de três que tenta e só fica atrás de Teichmann no elenco do Minas em termos de eficiência.

A última vaga poderia ficar com Kyle Fuller (Paulistano) ou Nick Okorie (Vitória), que já deram alguns flashes ao longo do campeonato de que podem jogar muito mais do que vêm jogando — especialmente Fuller, que teve papel gigantesco na conquista do título paulista. Mas o escolhido foi David Cubillan, que tem se tornado cada vez mais útil ao Flamengo na medida em que vem se encaixando melhor sem bola, o que abre caminho para sua utilização ao lado de Arthur Pecos. O aproveitamento de 46% nos chutes de três o tornam um ótimo desafogo e fazem dele uma ameaça até mesmo nos ataques em que não é acionado.

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