Será que finalmente chegou a hora do Timberwolves?

Luís Araújo

O Minnesota Timberwolves conquistou 31 vitórias na última temporada, dez a menos do que o Portland Trail Blazers, dono da oitava posição do Oeste. Em relação ao campeonato anterior, foram só dois triunfos a mais. Olhando apenas para os resultados, não foi um salto tão animador. Principalmente para quem despertava uma expectativa de que enfim poderia encerrar um jejum de classificação aos playoffs que dura desde 2004 — quando caiu para o Los Angeles Lakers na final de conferência, configurando a melhor campanha da história da franquia.

Mas dá para dizer que a coisa não foi tão feia assim. Das 51 derrotas que sofreu, 22 vieram em jogos nos quais chegou a ter liderança de dois dígitos. Isso é algo que passa por uma característica que acabou sendo marcante na campanha: a queda de rendimento nas retas finais de partida. Para se ter uma ideia, o “Net Rating” (média do saldo de pontos a cada 100 posses de bola) no primeiro quarto foi de + 7,2 pontos, quarto mais alto da liga — atrás apenas de Golden State Warriors, Cleveland Cavaliers e Houston Rockets. Só que o índice nesta estatística foi negativo nos dois últimos períodos (-6,6 pontos no terceiro e -6,1 pontos no quarto), o que ajuda a explicar essa situação.

É claro que perder tantas vezes assim de virada é frustrante, mas não quer dizer que a temporada do Timberwolves tenha sido uma completa porcaria. Essa vantagens grandes que depois acabaram evaporando não deixam de ser sinais que podem ser considerados animadores com relação ao potencial desta equipe de fazer bons jogos com quem aparecer pela frente. É questão de dar um jeito de manter a regularidade, problema que chega até a ser natural em um elenco tão cheio de gente nova — o único com mais de 30 anos era Brandon Rush.

Tom Thibodeau muitas vezes deixou transparecer a irritação com essas derrotas ao longo da temporada, mas chegou ao final dela até certo ponto compreensivo de que tem gente nova demais em mãos, que ainda está aprendendo muita coisa sobre como de fato ser competitivo na NBA. “O desafio é o quanto você consegue acelerar o processo. E isso vem do seu esforço, da sua concentração, seu estudo e sua capacidade de entregar tudo o que você tem todos os dias. Temos alguns jovens jogadores que são realmente muito bons, que cresceram e que vão continuar crescendo. Acredito que teremos um verão crítico pela frente”, afirmou o treinador, que também ocupa o cargo de presidente de operações da franquia.

Não demorou muito depois disso para ele começar a agir para tentar acelerar um pouco mais esse processo. A grande tacada veio na noite do Draft: a aquisição de Jimmy Butler, que entrega um trabalho de alto nível nos dois lados da quadra e não à toa se consolidou como estrela da liga, além de ser alguém em quem Thibodeau confia plenamente desde os tempos de Chicago Bulls. Para contar com ele, o Timberwolves mandou Zach LaVine, Kris Dunn e a sétima escolha, que acabou virando o ala-pivô finlandês Lauri Markkanen. Além de Butler, o pivô Justin Patton, selecionado na 16ª posição, foi para Minnesota.

O que isso tudo representou para o Bulls será tema de um outro texto por aqui mais para frente. Por enquanto, o foco é no processo de aceleração do desenvolvimento do Timberwolves, iniciado a partir desta troca. Dunn teve um primeiro ano de muito pouco brilho na NBA, passando longe de justificar toda a empolgação e a confiança que o time depositou nele ao selecioná-lo na quinta posição do Draft de 2016. E por mais que LaVine estivesse arremessando e pontuando como nunca antes da lesão no joelho esquerdo, é inevitável a sensação de que foi necessário abrir mão de muito pouco para adicionar ao elenco uma estrela como Butler — que inegavelmente tem mais recursos para criar oportunidades no ataque e tem um jogo defensivo amplamente superior.

Não é só isso. Butler leva consigo duas coisas muito valiosas para o novo time. Uma é adoração a Thibodeau e o entendimento das questões táticas que o treinador gostaria de ver seus jogadores colocando em prática, sobretudo na defesa. Outra é a experiência vitoriosa. Ainda que nunca tenha ido tão longe assim nos playoffs com o Bulls, trata-se de alguém que exerceu papel fundamental em uma equipe que conquistou muito mais vitórias que o Timberwolves nos últimos anos, acostumado a ter a bola nas mãos para aparecer nos momentos decisivos e que ganhou a medalha de ouro com a seleção dos EUA na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Era uma peça importante do quebra-cabeça, mas não a única. Ainda antes da abertura do mercado de agentes livres, Ricky Rubio foi mandado para o Utah Jazz em troca de uma escolha de primeira rodada do Draft de 2018 (via Oklahoma City Thunder e com proteção para as primeiras 14 posições). A posição do espanhol foi rapidamente preenchida por Jeff Teague, que assinou com o Timberwolves assim que ficou sem contrato. Em seguida, vieram os acertos com Jamal Crawford e Taj Gibson, outro velho conhecido de Thibodeau dos tempos de Chicago.

Teague admitiu que já andava encantado pelo talento de Karl-Anthony Towns e Andrew Wiggins havia algum tempo e que ligou para o agente dizendo que queria ir para Minnesota logo após a troca envolvendo Butler. Em sua apresentação, ouviu Thibodeau o elogiar pela capacidade de machucar as defesas adversárias no “pick and roll” e Gibson o classificar como alguém muito rápido e com habilidade para infiltrar quando bem entender. Defensivamente, ele representa alguns passo para trás em relação ao que Rubio entregava. A esperança é isso Butler o ajude a compensar isso e que, no ataque, ele consiga entregar essas coisas todas e um chute melhor de longa distância.

Na última temporada, Teague teve aproveitamento de 35,7% nas bolas de três. De acordo com dados do Synergy, ele foi o terceiro arremessador mais eficiente em situações de “pullup” — nas quais um jogador está batendo bola, para e chuta. Só Isaiah Thomas e Kyle Lowry o superaram nisso. Animador, claro, mas é reflexo de mais um jogador que gosta de ficar com a bola nas mãos, assim como Butler e Wiggins. É uma questão importante a ser resolvida ao longo dos próximos meses de trabalho.

Gibson, assim como Butler, é um defensor de muito bom nível e totalmente confortável aos planos táticos do treinador. Sabe se virar muito bem nas vezes em que precisa marcar o “pick and roll” e também é capaz de encarar trocas mais longe da cesta, coisas que o tornam uma peça de bastante valor para esse elenco. E Crawford oferece alguém para sair do banco e entregar pontos a partir dos arremessos que ele próprio cria, algo que também andava faltando à essa equipe.

Ainda existe muita a coisa a ser trabalhada, principalmente com relação ao espaçamento ofensivo e à já citada divisão da bola. Mas a concentração de talento ficou ainda maior em relação àquela que conquistou lideranças amplas na maioria dos jogos que terminaram em derrotas na última temporada. Além disso, existem peças mais experientes, acostumadas a conquistar vitórias, prontas para responder exatamente ao que o plano tático pedir, capazes de oferecerem variação de jogo quando necessário e que podem ajudar a acelerar o desenvolvimentos dos mais jovens.

O histórico recente recomenda cautela com qualquer empolgação que possa existir com o Timberwolves. Começar uma temporada com pinta de que vai deslanchar e encerrar o jejum de classificação aos playoffs é algo que já aconteceu com esse time algumas vezes desde 2004. Também não é a primeira vez que a sensação de que as coisas agora têm tudo para ser diferente aparece. Mas não tem jeito: chega a ser irresistível pensar que a hora tão esperada de finamente voltar a ficar entre os oito melhores do Oeste nunca esteve tão próxima.

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