Um novo lar para Okafor, uma nova aposta do Nets e uma nova fase do Sixers

Luís Araújo

O desejo de encontrar um novo lar finalmente se tornou realidade para Jahlil Okafor. Depois de meses de indefinição e de partidas atrás de partidas sem que o pivô saísse do banco de reservas, o Philadelphia 76ers conseguiu envolvê-lo em uma negociação. O destino dele é o Brooklyn Nets, que também recebeu o ala-armador Nik Stauskas. Em troca, mandou o ala-pivô Trevor Booker e uma escolha de segunda rodada do Draft de 2019.

“Ele vai poder jogar basquete novamente”, comentou Brett Brown, técnico do Sixers, sobre Okafor. Selecionado na terceira posição do Draft de 2015, o pivô recebeu 30 minutos de média ao longo das 53 vezes que entrou em quadra como novato. Não teve o impacto que muita gente imaginava durante sua caminhada com Duke que culminou no título da NCAA, muito menos passou perto de justificar a opinião do pai, que chegou a afirmar na época que o filho é o melhor jogador nascido em Chicago em todos os tempos. Mas o ano de estreia foi bom o suficiente para render um lugar no quinteto ideal de calouros ao final da temporada.

Depois disso, Okafor foi perdendo minutos e sumindo até o ponto de desaparecer totalmente da rotação do Sixers. Além do aparecimento de Joel Embiid, que finalmente estreou na NBA na temporada passada, a falta de esforço na hora de defender e alguns problemas fora das quadras contribuíram para essa situação. A opção por Amir Johnson e Richaun Holmes durante a ausência de Embiid simboliza bem o quão pouco Brett Brown vinha contando com Okafor.

Isso servia até mesmo para as retas finais de partidas já resolvidas. Depois de uma vitória tranquila sobre o Portland Trail Blazers, o técnico do Sixers foi questionado se pensou em colocar o pivô em quadra no último quarto para pelo menos deixá-lo jogar alguns minutos. A resposta: “Não. Eu não considero que seria justo. Se você estiver com ritmo de jogo, aí tudo bem. Mas colocar alguém durante um intervalo curto de minutos só por colocar não é algo que me interessa. E digo isso com respeito a ele. Isso o colocaria em uma situação que eu não gostaria de deixá-lo.”

Estava bem claro que tudo o que Okafor podia fazer era torcer para que alguma coisa acontecesse e o levasse a outro lugar. Não só o desejo se tornou realidade como é difícil imaginar muitos outros destinos melhores para ele do que o Nets. Alguns ajustes serão necessários, claro, pois o sistema ofensivo acelerado, que produz o segundo ritmo de jogo mais rápido da temporada, passará a contar com um pivô que gosta de ser acionado no “post-up” e ficar longos segundos com a bola nas mãos para resolver o que fazer. Uma das partes precisará ceder algo. Mas trata-se de um time aberto a experiências e que busca desenvolver ao máximo as peças que tem à disposição, especialmente com um sujeito que foi escolhido em uma posição tão alta de um Draft e que teve pouco espaço para jogar desde então.

O outro jogador que o Nets recebeu entrou no negócio mais para fazer os salários baterem do que para qualquer outra coisa. Ainda assim, existe também uma ponta de esperança com Stauskas, que chegou à NBA como alguém com potencial para se tornar uma ameaça nos arremessos de longe e que até deu pinta nos primeiros anos de carreira de que pode chegar lá. Sean Marks, gerente-geral da franquia nova-iorquina, falou em dar a chance de ele encontrar sucesso no sistema que a equipe tenta colocar em prática. Se isso acontecer, excelente. Se não, sem problemas. Aí é só deixá-lo ir embora como agente livre em julho.

Do outro lado da troca, é interessante observar como as coisas mudaram para o Sixers. Não era segredo nenhum que Bryan Colangelo, gerente-geral da franquia, queria uma escolha de segunda rodada do Draft para deixar Okafor ir embora. Por fazer tanta questão disso, recusava-se a dispensá-lo e vê-lo algum outro time o pegando de graça, mesmo incomodado também com o desconforto pela situação do jogador.

No fim das contas, ao invés de ganhar essa escolha, ele acabou se desfazendo de uma, o que dá uma ideia do quanto Booker chega valorizado ao Sixers. De acordo com Jake Fischer, repórter da Sports Illustrated, Colangelo até tinha recebido algumas outras propostas que estavam mais alinhadas ao que tinha em mente em um primeiro momento, mas topou mudar de ideia por entender que Booker representa um reforço significativo para os planos do time de disputar os playoffs.

Booker é ótimo reboteiro nos dois lados da quadra. Apesar de não ser muito alto em comparação a outros jogadores com os quais costuma duelar, usa sua combinação de força, agilidade e boa noção de posicionamento para aparecer nos lugares certos. É algo que o ajuda também a apresentar uma defesa bastante sólida, deslocando-se lateralmente com velocidade e aguentando os trancos no “post-up”.

Ofensivamente, Booker concentra seus arremessos em regiões perto da cesta, com ganchos, bandejas e tapinhas provenientes dos rebotes que conquista. São muitos raros os momentos em que chuta de fora do garrafão. Isso e o fato de não ser muito forte em situações de “pick and roll” o tornam um problema em termos de espaçamento. Mas se estiver com as peças certas ao redor e envolvido em uma movimentação eficiente, pode ser bastante útil dentro da área pintada ou até mesmo apresentar uma outra qualidade: o bom passe para encontrar arremessadores livres.

Brett Brown falou em como considera interessante o nível de versatilidade de Booker. Parece que as ideias com relação ao uso dele dentro de quadra ainda não estão totalmente definidas na cabeça do treinador, mas o mais provável é que a maior parcela de minutos que o recém-adquirido venha a receber seja tirada de Amir Johnson. Ambos serão agentes livres ao final da temporada, o que os tornam apostas de baixíssimo risco e mantém a flexibilidade financeira do Sixers para os planos que vierem a ser executados a partir de julho.

Por já contar com Johnson, Colangelo não precisava ir atrás de Booker. Também não precisava abrir mão de uma escolha de Draft para encontrar uma nova casa para Okafor. Mas ele resolveu fazer isso porque entendeu se tratar de uma oportunidade de melhorar um time que tem tudo para voltar aos playoffs. Do mesmo jeito que joga luz em como o Nets tenta fazer apostas para driblar as limitações e adicionar alguma dose de talento ao elenco, essa troca mostra uma nova fase do Sixers: a de passar a tomar decisões com a cabeça um pouco mais no presente.

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