Como o Timberwolves escolheu Jonny Flynn e deixou Stephen Curry escapar

Luís Araújo

Stephen Curry tem três títulos da NBA, dois troféus de MVP e espaço garantido na discussão dos jogadores mais importantes de todos os tempos. O Golden State Warriors não poderia ter feito melhor com a sua escolha de primeira rodada no Draft de 2009. Mas é curioso lembrar como as coisas estiveram muito perto de tomarem um rumo completamente diferente.

Para entender o que aconteceu, é preciso voltar para a noite do dia 25 de junho de 2009. Foi quando ocorreu o Draft daquele ano. O Los Angeles Clippers usou a primeira posição para selecionar Blake Griffin. Hasheem Thabeet, James Harden e Tyreke Evans vieram em seguida, recrutados por Memphis Grizzlies, Oklahoma City Thunder e Sacramento Kings, respectivamente.

Aí chegou a vez do Minnesota Timberwolves, que teria direito a duas escolhas consecutivas. Uma veio do Washington Wizards, depois de uma troca que envolveu a ida de Mike Miller para a capital norte-americana. A outra era resultado da própria má campanha na temporada anterior.

Disposto a reforçar a armação, o Timberwolves selecionou primeiro Ricky Rubio. Embora até dê para contestar a decisão hoje em dia com base em algumas deficiências do espanhol, era algo fazia sentido na época. Rubio era um jovem armador que prometia muito e estava cotado para aparecer até antes no Draft. E não é também que ele seja um zero à esquerda, né? Longe disso.

O problema mesmo aconteceu em seguida, com a adição do também armador Jonny Flynn. Produto da Universidade de Syracuse, ele foi titular em todos os 81 jogos que fez como calouro e até acabou selecionado para o segundo time de novatos da liga, mas uma lesão no quadril ainda naquele primeiro ano como profissional acabou por comprometer a carreira. Flynn passou por cirurgia, voltou já no decorrer da temporada seguinte, mas nunca mais foi o mesmo.

“A explosão era uma parte muito importante no jogo dele. Era o que mais chamava a atenção e o que o tornou uma escolha de loteria no Draft. Mas uma lesão como a que ele teve acaba sendo devastadora para um cara que dependia tanto da agilidade”, disse Jack Armstrong, ex-treinador colegial em Niagara, onde Flynn jogou, e que depois trabalhou como comentarista de TV em partidas do Toronto Raptors.

Depois da lesão, Flynn nunca mais conseguiu jogar direito. Virou reserva no Timberwolves em sua segunda temporada, teve passagens rápidas por Houston Rockets e Portland Trail Blazers na terceira e não voltou mais para a NBA.

Ele chegou a disputar uma pré-temporada com o Detroit Pistons e a participar de uma Summer League com o Orlando Magic, mas não teve sucesso em ambas as oportunidades. Aí foi tentar a sorte fora dos Estados Unidos. Passou pela China e pela Austrália antes de chegar à Itália, onde defendeu o Orlandina Basket até novembro de 2014. Nunca mais jogou basquete depois disso.

Jonny Flynn foi a sexta escolha do Draft de 2009

A história de Flynn na NBA teria sido diferente sem essa cirurgia no quadril? Provavelmente. Há indícios para acreditar que ele poderia ter continuado a jogar e encontrado maneiras de ser útil em quadra por mais tempo. Armstrong, por exemplo, aposta que o armador tinha condição de ser o tipo de jogador que sai do banco para comandar a produção ofensiva da segunda unidade. Mas daí a fazer a decisão do Timberwolves de selecioná-lo naquela posição parecer um bom negócio vai uma boa distância. As dúvidas em torno disso já existiam bem antes da lesão.

Assistente técnico do time de Minnesota em 2009, Dave Wohl disse ao Grantland em 2013 que deixou claro em uma conversa com David Kahn, então gerente-geral da equipe, que não acreditava na possibilidade de Rubio e Flynn jogarem juntos. Algo que nem chegou a acontecer, já que o espanhol só deixou a Europa para tentar a sorte na NBA na temporada 2011/12, justamente quando Flynn foi despachado de Minnesota.

O problema é que Kahn não só discordou como bateu o pé. Respondeu que os dois deveriam, sim, atuar um ao lado do outro porque o faziam lembrar de Walt Frazier e Earl Monroe — armadores campeões com o New York Knicks em 1973.

“Quando vi que ele iria nesta direção, já imaginei que Kurt Rambis (técnico da equipe naquela época) teria problemas para descobrir o que fazer com os dois”, contou Wohl. “Ricky claramente era um jogador com ótimo passe e que tinha condições de fazer algumas coisas ofensivamente a partir disso que Jonny, naquele momento, não conseguia.”

Wohl também jurou ter dito a Kahn que imaginava que Rubio faria uma dupla bem melhor com um outro armador daquele Draft de 2009. O jogador em questão é Stephen Curry, que acabou ficando disponível para se juntar ao Warriors na sétima escolha, logo após as duas seguidas do time de Minnesota.

Depois de seis anos, o resultado destas decisões todas já está bem claro. Enquanto Curry e o Warriors se colocaram entre os grandes da história da NBA, Flynn não durou mais do que três temporadas na liga e o Timberwolves continuou longe de qualquer tipo de protagonismo.

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